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Quebrando a Banca

Las Vegas volta a ser cenário em filme de jovens gênios que faturaram milhões na cidade do pecado

Marcelo Forlani
17.04.2008
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h35
Atualizada em 21.09.2014 às 13h35

Las Vegas é uma cidade muito louca. Tudo por lá é falso. Ande pela Strip e veja uma réplica da torre Eiffel, perto de uma minicópia de Nova York, navios piratas, gôndolas venezianas, muito neon e tudo o que há de mais kitsch no mundo. Para que os seus visitantes não tenham de andar pelo calor das ruas, é possível perambular de hotel em hotel por meio de passagens subterrâneas que cortam os cassinos - na verdade, um engenhoso truque para que se perca a noção do tempo, já que é impossível saber as horas quando se está em um ambiente com ar-condicionado, luzes piscantes e um barulho incessante. E lá se vão embora as fichinhas de 5, 10, 100, 1.000 dólares! Este ambiente cool, que exala bebidas, dinheiro e sexo, é prato cheio para o cinema, que pode construir por ali tramas dos mais diversos gêneros.

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O mais novo produto "made in Vegas" é Quebrando a Banca (21, 2008). Inspirado em fatos ocorridos na década de 1990 e transformados em uma matéria da revista Wired, o filme mostra jovens inteligentíssimos do famoso MIT invadindo a Cidade do Pecado atrás de dinheiro, aventuras e - por que não? - uma nova vida, falsa como tudo erguido no deserto de Nevada. O personagem principal é Ben Campbell (o inglês Jim Surgess, de Across the Universe), nerd assumido que está terminando seu curso no MIT e espera conseguir uma bolsa para ingressar na faculdade de medicina de Harvard. Seu currículo é exemplar, cheio As, mas o curso custa 300 mil dólares, muito acima do que ele pode pagar.

Sua sorte começa a mudar quando ele é convidado a fazer parte de um grupo treinado em apostar alto - e ganhar - nas mesas de blackjack, conhecido aqui como "21" - jogo em que há mais chances lógicas de se ganhar dinheiro sem depender da sorte ou outras alternativas ilegais. A regra é simples, você joga contra a banca e quem chegar mais perto de marcar 21 pontos ganha. A banca sempre é obrigada a continuar pegando cartas até somar ao menos 17 pontos e se estourar no meio do caminho, todo mundo que apostou ganha.

O ato de contar cartas não é considerado ilegal, mas os donos dos cassinos certamente não gostam de ver seus lucros diminuídos, por isso têm à sua disposição milhares de câmeras e enormes equipes de seguranças, além de empregar a mais alta tecnologia. É esta troca da força humana para a era digital que vem tirando o sono de Cole Williams (Laurence Fishburn). Antes um grande supervisor de segurança, ele hoje está praticamente desempregado e vai - aproveitando o tema - apostar todas as suas fichas na captura do grupo que vem desfalcando seus clientes.

O sistema criado pelo professor Micky Rosa (Kevin Spacey) é complexo e usa cinco pessoas. Os olheiros passam horas apostando o mínimo permitido e vão contando as cartas até o baralho estar quente, ou seja, propício para rapelar a mesa. Outros ficam de fora, "sapeando" e também contando cartas e vigiando a movimentação dos seguranças. E aí entra o "grande apostador", que vai se sentar na mesa com muitas fichas, receber a contagem do comparsa por meio de um código e aumentar a sua montanha de fichas. Depois, é só escolher onde vai ser a festa.

Tendo em suas mãos o drama (falta de dinheiro), a adrenalina de fazer algo ilegal e se dar bem e todo o clima "cool" das luzes da cidade e de jovens cheios de energia e beleza como Ben e Jill Taylor (Kate Bosworth, a nova Lois Lane) ao lado de atores conhecidos como Kevin Spacey e Laurence Fishburn, o que podia dar errado para o diretor Robert Luketic (Legalmente Loira)? Falta de coragem. O cineasta opta pela previsibilidade do cinema atual e, sem correr riscos, constrói uma história divertida, mas que vai ser esquecida assim que o crupiê recolher as cartas e se preparar para a próxima rodada.

Assista a clipes do filme