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O Homem Que Desafiou o Diabo

A adaptação para o cinema do romance As Pelejas de Ojuara

Érico Borgo
27.09.2007
16h00
Atualizada em
21.09.2014
13h29
Atualizada em 21.09.2014 às 13h29

Moacyr Góes, o matador de aluguel do cinema nacional, segue disparando suas cartucheiras pra todos os lados. De Xuxa a comédia romântica, passando por dramas, adaptação de peça de teatro, filme religioso... onde houver um alvo pra acertar ele vai disparar. Diferente dos atiradores profissionais, porém, Góes só erra. Mas erra menos com o passar dos anos.

Desde 2003, quando começou com Dom, a evolução do diretor é visível. O Homem Que Desafiou o Diabo, seu novo longa, é também o melhor filme de sua carreira. Especialmente porque parece ter abandonado as produções "toque-de-caixa" que marcaram seus primeiros disparos - com o produtor Diler Trindade a seu lado. Com mais tempo e dinheiro nas mãos - e um produtor consagrado, Luiz Carlos Barreto -, Góes abandona os templos de isopor de um Irmão de Fé, por exemplo, por cenários e figurinos mais elaborados (ok, esqueçamos o castelo da Mãe de Pantanha e o enfeite de cabeça dela...).

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O elenco também funciona bem melhor. Marcos Palmeira, o protagonista, convence como o mulherengo Zé Araújo, mascate que se transforma em Ojuara, o típico cabra-macho do sertão. O aventureiro não teme nada ou ninguém e vive à caça de mulheres como a já citada Mãe de Pantanha (Flávia Alessandra), capaz de realizar qualquer desejo erótico; e Genifer (Fernanda Paes Leme, topless), seu novo amor. Tudo regado a muita cachaça, enquanto ele não encontra a sonhada "terra de São Saruê", onde as montanhas são de rapadura e os rios de leite. Além disso, como diz o título, Ojuara tem pelo caminho um confronto com o próprio Diabo. O chifrudo, chamado no filme de Cão Danado, é interpretado pelo talentoso Helder Vasconcelos, que rouba as cenas em que aparece e desde já pode ser considerado a grande revelação do ano no cinema nacional.

A trama é adaptada do romance As Pelejas de Ojuara, de Nei Leandro Castro, e tem características do picaresco nordestino observadas em filmes como O Auto da Compadecida ou Lisbela e o prisioneiro, como o herói popular, astuto, que vive sem raízes, pela comida do dia (aqui, pela bebida). O texto é divertido e safado (beirando o gratuito, o que ofende boa parte do público), mas extremamente prejudicado pelo diretor, que faz escolhas artísticas equivocadas a todo instante. As câmeras lentas, por exemplo, gritam para não serem empregadas, mas ele não as escuta. O resultado é vergonhoso em determinados momentos. Ainda assim, um grande avanço para o diretor. De um "ovo" no ranking do Omelete ele passa a dois.