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Festival de Berlim | 7 apostas para a edição 2018

Berlinale inaugura sua 68ª edição apostando no pop e na polêmica

Rodrigo Fonseca
14.02.2018
17h51
Atualizada em
14.02.2018
19h05
Atualizada em 14.02.2018 às 19h05

Por todos os lados da capital da Alemanha para onde se olhe há cartazes envidraçados de Ilha de Cachorros, a animação em stop motion dirigida por Wes Anderson, ambientada num Japão futurista – é um sinal de que a Berlinale 2018 está começando. Prevista para estrear em 23 de março nos EUA e em 14 de junho no Brasil, esta fábula distópica com Bryan Cranston e Scarlett Johansson entre seus dubladores vai inaugurar nesta quinta-feira (15) a 68ª edição do festival alemão, que iniciou suas atividades em 1951 apostando sempre em tópicos políticos espinhosos. Lutas raciais, combate à homofobia e pelejas éticas em prol dos refugiados são temas essenciais ao Palácio dos Festivais de Berlim, que inclui este ano, além deles, uma aposta na representação feminina e no movimento de confronto ao assédio Me Too.

Mas, nos últimos cinco anos, sob a direção artística de Dieter Kosslick, o evento vem se abrindo cada vez mais ao pop, mesmo quando tenta polemizar: é o que comprova, por exemplo, a escalação do novo thriller do carioca José Padilha: 7 Dias em Entebbe. Seu foco está na tensão Israel x Palestina, a partir de uma reconstituição histórica de um sequestro de um avião Air France, nos anos 1970.

Dez anos depois de ganhar o Urso de Ouro com Tropa de Elite (2008), Padilha exibirá seu aguardado filme com Daniel Brühl e Rosamund Pike como terroristas fora de competição. “Meu filme mostra o sequestro do avião sob dois pontos de vista. Por um lado, mostramos a perspectiva dos terroristas alemães que participaram da ação, mostramos como esta perspectiva muda a partir da interação deles com os sequestrados, em particular com o engenheiro de vôo Jacques Lemoine (interpretado por Denis Menochet). Por outro lado, mostramos o embate político entre Isaac Rabin (primeiro-ministro) e Shimon Peres (ministro de Defesa) a respeito do que fazer: negociar ou arriscar a vida de uma centena de reféns em uma operação de resgate com pouca probabilidade de sucesso”, explica Padilha.

Ele não concorre ao Urso desta vez, mas o rol de competidores é de peso: estão no páreo o suspense Eva, do francês Benôit Jacquot; o drama Don’t Worry, He Won’t Get Far On Foot, do americano Gus Van Sant; o musical Season of The Devil, do filipino Lav DiazTransit (Alemanha), de Christian Petzold, considerado o maior cineasta da indústria audiovisual alemã na atualidade; e a coprodução Paraguai, Brasil e Uruguai Las Herederas, de Marcelo Martinessi. Tem ainda outros 14 concorrentes, dos quais quatro são dirigidos por mulheres: delas, a italiana Laura Bispuri é quem chega com maior cacife com Figlia Mia, estrelado por Valeria Golino (de Rain Man).

Para avaliar os concorrentes entra em campo um time de jurados comandado pelo cineasta alemão Tom Tykwer. Ao lado dele estão a atriz belga Cécile De France; o fotógrafo e curador espanhol Chema Prado; a produtora de Moonlight – Sob a Luz do Luar (2016), Adele Romanski; o músico japonês Ryuichi Sakamoto; e a crítica americana Stephanie Zacharek

Há uma leva de títulos nacionais e de filmes estrangeiros pilotados por brasileiros em outras mostras, incluindo aí a presença de José Padilha e seu 7 Dias em Entebbe. No Panorama, entraram: Aeroporto Central, de Karim Aïnouz; Bixa Travesti, de Claudia Priscilla e Kiko Goifman; Ex-Pajé, de Luiz Bolognesi; Tinta Bruta, de Marcio Reolon e Filipe Matzembache; e O Processo, documentário dirigido por Maria Augusta Ramos sobre o Impeachment de Dilma Rousseff. No Fórum, escalaram Eu sou o Rio, de Gabraz Sanna e Anne Santos. Para a mostra Generation, que tem o carioca Felipe Bragança (de Não Devore Meu Coração) como jurado, foi convocado Unicórnio, de Eduardo Nunes, com Patrícia Pillar e Zécarlos Machado tendo cenas animadas por Marão em sua narrativa. Na Berlinale Shorts, competem os curtas Alma Bandida, de Marco Antônio PereiraTerremoto Santo, da dupla Bárbara Wagner & Benjamin de Burca; e a coprodução Portugal Russa, de Ricardo Alves Jr. e João Salaviza. Haverá ainda, no dia 20, uma projeção de projetos da TV Globo no mercado internacional de séries, com destaque para Vade Retro, com Tony Ramos.

Na seara das homenagens, o festival vai conceder um Urso de Ouro honorário ao ator Willem Dafoe, que concorre ao Oscar de Melhor Coadjuvante com Projeto Flórida. O tributo a ele está agendado para o dia 20, seguido da projeção de O Caçador (2011). Dafoe, que rodou Meu Amigo Hindu no Brasil, entre 2014 e 2015, será visto este ano no papel de Vulko, ao lado de Jason Momoa, em Aquaman, de James Wan.

Como dois dos concorrentes ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro deste ano saíram da Berlinale 2017 – Uma Mulher Fantástica, do Chile, e Corpo e Alma, da Hungria -, há olheiros de Hollywood por todos os corredores do festival. Dos quase 400 títulos que integram a programação total da Berlinale daqui até o dia 25 (seu encerramento), eis algumas apostas de maior badalação na indústria cinematográfica:

VÍRUS TROPICAL

Animação colombiana do diretor estreante Santiago Caicedo baseada na HQ homônima e autobiográfica da cartunista Powerpaola, sobre uma menina que cresce em Quito, no Equador, em meio a um caos depois que o pai abandona sua família.

UNSANE

Steven Soderbergh, o oscarizado diretor de Traffic (2000), aposta no horror ao mostrar a jornada de assombros que a jovem Sawyer (Claire Foy) encara para provar que sua internação em um manicômio foi um engano. Amy Irving, do cult Carrie, a Estranha (1976) integra o elenco.

THE HAPPY PRINCE

Ruppert Everett, o chefe de Julia Roberts em O Casamento do Meu Melhor Amigo (1997), estreia na direção narrando as excêntricas peripécias do escritor Oscar Wilde numa Londres careta, que não aceita sua condição homossexual.

THE INCREDIBLE STORY OF THE GIANT PEAR

Num ano rico em animações, Berlim aposta na fantasia com esta produção dinamarquesa dirigida por Amalie Naesby Fick, Jorgen Lerdam e Philip Einstein Lipski sobre uma pêra gigante que se transforma num barco. A bordo dele, o professor Glykose e seus amigos animais buscam o paradeiro de um prefeito desaparecido.

MONSTER HUNT 2

Só na China, o primeiro Monster Hunt, de 2015, faturou US$ 385 milhões, jogando muito blockbuster Marvel pra escanteio. Por isso, a segunda aventura da franquia dirigida por Raman Hui, sobre o monstrinho Wuba, vai ganhar projeção de gala num dos maiores festivais de cinema do mundo, narrando os esforços da criaturinha para escapar de um senhor das trevas que quer sua cabeça. Mas um ex-presidiário (vivido pelo lendário ator Tony Leung, de Amor à Flor da Pele) vai ajudá-lo.

GORDON & PADDY

De carona no fenômeno literário da ficção policial escandinava, a diretora Linda Hambäck brinca com os cânones regionais do gênero nesta animação para crianças e adultas nas quais um sapo delegado tenta transformar uma ratinha em sua substituta, ao largo da investigação de um sumiço de jovens animais.

SONGWRITER

O diretor Murray Cummings aborda o processo criativo de seu primo: o cantor e compositor Ed Sheeran.