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Dedé Santana rouba a cena na Mostra de SP em comédia produzida por Carlos Saldanha

Antes Que Eu Me Esqueça faz do trapalhão coadjuvante numa história de pai e filho

Rodrigo Fonseca
23.10.2017
08h53
Atualizada em
23.10.2017
10h02
Atualizada em 23.10.2017 às 10h02

De volta à televisão na versão 2017 de Os Trapalhões, que vem marcando 14 pontos no Ibope (um espanto!) no raquítico horário do almoço dominical, Dedé Santana teve seus minutos de fama também na 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo ao roubar as cenas de Antes Que Eu Me Esqueça. Sua projeção foi na noite de domingo, para uma plateia de aplausos inflamados. Coube ao veterano humorista a tarefa de viver o aposentado danandinho Gregório nesta dramédia de Tiago Arakilian cuja produção traz um toque do animador Carlos Saldanha. Midas por trás de Rio (2011) e da franquia A Era do Gelo (aberta em 2002), ele discutiu o roteiro e a edição com o cineasta. Na trama, o protagonismo fica com José de Abreu e Danton Melllo: um pai juiz que resolve investir suas rendas em um bordel e um filho pianista clássico. 

Dirigindo Dedé, eu tive a mesma sensação de quando era menino e passava as férias à espera dos filmes dos Trapalhões estrearem. Dedé chega cedo, fica até a hora que precisa, brinca com todo mundo, diverte o set”, disse Arakilian ao Omelete. “Sobre Saldanha, o roteiro chegou até ele na Blue Sky e ele quis participar, dando palpites no roteiro. Ele chegou a vir para a montagem final”. 

Há frases preciosas no scrpit escrito por Luisa Parnes, a grande revelação de roteiro desta Mostra até agora. Ela oferece a Tiago diálogos enxutos, mas ricos de múltiplas emoções, na narrativa das peripécias do juiz Polidoro (José de Abreu, em seu melhor desempenho na telona desde os anos 1980) a fim de apoiar a reforma de uma casa de strip-tease em Copacabana. Caberá ao filho com quem ele não se dá há anos, o músico Paulo (Danton) ajudar seu velho, sobretudo na peleja contra o Alzheimer.

Minha mãe tinha uma casa de repouso para idosos quando eu era criança e ali eu tirei todo o material para a observação de um mal que começa a aparecer na forma de pequenos esquecimentos, deixando momentos de lucidez”, diz Arakilian, que dá a Guta Stresser uma personagem ímã para gargalhadas: a garota de programa Joelma.

Tem mais duas doses de Antes Que Eu Me Esqueça na Mostra: nesta quarta, às 16h40, no CineSesc, e no dia 1º, às 14h, no CineArte 2. 

No pacote estrangeiro da Mostra, dois filmes reinaram no domingo: O Jovem Karl Marx, egresso da Berlinale, e Nico 1988, laureado na seção Horizontes do Festival de Veneza. O primeiro – que passa ainda no dia 30, às 19h20, no Espaço Itaú Frei Caneca – traz a visão do cinasta Raoul Peck (de Eu Não Sou Seu Negro) sobre a juventude do pensador das lutas de classes, aqui vivido por August Diehl (de Bastardos Inglórios). O segundo – que terá bis nesta segunda, às 20h10, no Playarte Marabá – é energizado por uma atuação eletroacústica da dinamarquesa Trine Dyrholm (de A Comunidade). É ela quem brilha no papel da cantora de hits como These Days, a musa do Velvet Underground: a alemã Christa Päffgen a.k.a Nico, em seus últimos dois anos de vida.  

Nesta segunda, a principal pedida nacional do evento é Gabriel e a Montanha, filme premiado em Cannes, na Semana da Crítica, por seu retrato metafísico para os dias derradeiros de Gabriel Buchmann, morto em decorrência de uma hipotermia ao subir o Monte Mulanje, na África. João Pedro Zappa tem desempenho impecável no papel do jovem aventureiro, que era amigo do diretor do longa, Fellipe Barbosa. Tem uma dose dele às 21h15 no Espaço Itaú Frei Caneca. Também nesta segunda será exibido o mais recente trabalho do baiano Edgard Navarro: Abaixo a Gravidade, que terá sessão às 21h20 no Cine Caixa Belas Artes. O realizador arrebanhou uma legião de fãs com o média-metragem SuperOutro (1989) e com o longa Eu Me Lembro (2005), aclamado no exterior. Na trama de seu exercício autoral inédito, o solitário Bené (Everaldo Pontes), que vive no campo há anos, resolve tentar a sorte na cidade grande em busca de um amor.

A Mostra vai até 1º novembro, quando recebe o cineasta francês Laurent Cantet (dono de uma Palma de Ouro, conquistada com Entre os Muros da Escola) para fechar sua seleção deste ano com A Trama, um cult Festival de Cannes, em maio. Após lançar seu longa em terras paulistas, Cantet virá ao Rio de Janeiro integrar uma mesa de debates na Festa Literária das Periferias (Flup), que ocorrerá no Vidigal, de 7 a 12 de novembro.

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