Filmes

Crítica

Três Anúncios para um Crime

Um dos melhores filmes do ano, longa conta com uma das grandes atuações da vida de Frances McDormand

Fábio de Souza Gomes
17.10.2017
17h25
Atualizada em
05.09.2019
23h34
Atualizada em 05.09.2019 às 23h34

Frances McDormand é uma das melhores atrizes de sua geração. Ela consegue tranquilamente transitar entre papéis mais bem humorados como fez em Fargo Queime Depois de Ler até segurar um filme inteiro nas costas em um papel complexo e cheio de implícitos como fez agora em Três Anúncios para um Crime, produção que será exibida no Festival de São Paulo e deve chegar aos cinemas oficialmente somente em 2018.

No longa, ela vive uma mãe chamada Mildred Hayes que teve a filha brutalmente assassinada e o criminoso nunca foi encontrado pela polícia. Após perceber que o caso foi deixado de lado pela autoridade local, ela aluga três outdoors em uma estrada abandonada onde provoca e exige justiça ao xerife Bill Willoughby (Woody Harrelson).

Esse, essencialmente, é um filme sobre a raiva. McDormand consegue mostrar a toda cena a revolta e a dor de uma mãe que perdeu a filha de uma maneira brutal e muitas vezes não precisar dizer nada para fazer isso. Ao contrário de filmes tradicionais onde personagens são guiados para o caminho do perdão e do entendimento, a história dirigida por Martin McDonagh explora a ideia de que, às vezes, devemos aceitar o ódio para, depois disso, encontrarmos algum tipo de evolução – pois somente após extrapolá-lo ao colocar os outdoors, encarar cada olhar de reprovação da cidade e até tentar destruir a delegacia é que a personagem consegue verdadeiramente se conectar com os outros.

O grande “culpado”, ou melhor, a pessoa que leva a culpa pelo caso nunca ter sido resolvido é xerife Willoughby, vivido de forma brilhante por Woody Harrelson. Além de não ter encontrado o assassino e precisar conviver com a culpa, ele ainda está com câncer terminal e precisa resolver o que fará com sua família. Em um tom professoral e amigável, ele é o único que entende e até defende as ações de Mildred (mesmo que ele seja o principal alvo), além de servir como guia para Jason Dixon (Sam Rockwell).

O policial Dixon é o mais próximo de um vilão (ao mesmo tempo que consegue ser o alívio cômico), mas até mesmo ele acaba encontrando alguma forma de redenção após fazer o caminho oposto de Mildred: aprender que a raiva, que o domina desde o princípio, não é a solução e somente após aprender a deixa-la de lado, ele finalmente consegue encontrar o caminho para se tornar aquilo que sempre sonhou.

Outros filmes focariam em como resolver o mistério da morte e as motivações do assassino, mas a história, que foi escrita pelo próprio Martin McDonagh, não é sobre isso. É sobre as consequências desse crime e como ele transformou cada pessoa da cidade. Por conta disso, eventualmente conseguimos sentir empatia por quase todos os personagens de uma maneira ou de outra e enxergamos as motivações por trás de cada ação.

Um dos melhores filmes desse ano, Três Anúncios para um Crime consegue ter momentos emocionantes e, ao mesmo tempo, engraçados. Guiado pela brilhante performance de McDormand (talvez a melhor de sua carreira), o longa já conquistou a principal premiação do Festival de Toronto, deve aparecer na lista do Oscar e é sério candidato a se tornar um clássico futuro. 

Nota do Crítico
Excelente!