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Star Wars - The Clone Wars | Crítica

A crítica do novo capítulo da saga de George Lucas, que estréia em 15 de agosto

Érico Borgo
04.08.2008
00h00
Atualizada em
29.06.2018
02h46
Atualizada em 29.06.2018 às 02h46

A idade não fez bem a George Lucas. O criador da trilogia Star Wars, que definiu o cinema arrasa-quarteirão e a ficção científica nos anos 1970 e 1980, retomou sua saga espacial nos anos 2000 com uma nova trilogia, execrada pela maioria dos fãs de longa data, mas que novamente encheu os cofres da Lucasfilm.

O grande mérito da trilogia-prelúdio - os episódios I, II e III - foram mesmo os minutos finais, que mostram o primeiro passo do maior vilão do cinema, Darth Vader. Fora isso, serviram mesmo é para que o cineasta brincasse com toda a mais moderna tecnologia em efeitos especiais existente. Saem batalhas climáticas, cheias de tensão e dramaticidade, entram combates épicos, repletos de luzes, lasers e sons.

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Era de se esperar que o barbudo pai dos Skywalker tivesse, então, expurgado de seu sistema a necessidade do efeito-pelo-efeito. Mas eis que seu estúdio volta aos cinemas com um novo capítulo de Star Wars e, apesar dos belos designs e da animação vanguardista, mais uma vez comete os mesmos erros na dramaturgia.

Situado entre Episódio II - O Ataque dos Clones e Episódio III - A Vingança dos Sith, a animação por computação gráfica Star Wars: The Clone Wars não agrega nada digno de crédito à trama geral. Inventa-se uma jedi menina, Ahsoka Tano, aprendiz de Anakin Skywalker, de olho na aceitação de um público-alvo distinto. Criam-se mais veículos e personagens, buscando as vendas de bonequinhos articulados. Coreagrafam-se mais batalhas, empolgantes até, que já saem transformadas em fases de videogames (a invasão vertical do mosteiro é realmente incrível). Mas e a história?

Onde diabos está a história???

Precisamos mesmo de mais Guerras Clone? Não seria mais interessante um olhar sobre os milênios de história inexplorada nesse universo?

Clone Wars defende-se com um fiapinho de trama, que quando começa a ficar interessante (lá pela hora em que fica claro que existe uma conspiração de bastidor em prol da educação de Anakin), termina. É que o filme todo na verdade é mera introdução para a série animada que debutará no Cartoon Network no final do ano, essa sim, prometendo episódios mais promissores e "totalmente centrados na trama", como me disse o diretor Dave Filoni em entrevista. Ou seja, o próprio longa animado funciona dentro de uma estratégia de marketing. É um "teaser" criado para um fim maior.

Não vou negar que ainda me importo com o som característico de um sabre de luz, que aprecio entrar novamente no palácio de Jabba, ou que ainda dou ouvidos aos ensinamentos do Mestre Yoda... Mas tudo isso vem de uma relação anterior com a franquia, estabelecida "há muito tempo, numa galáxia muito distante". Troquem os personagens e tudo desmoronaria.

É triste ver a que ponto Lucas - que supervisionou cada passo desse produto - chegou. Usando o cinema, a Sétima Arte, como mera plataforma. Novamente, a idade não fez bem ao criador. Ele sempre foi um marqueteiro de mão cheia, mas antes esse aspecto andava de mãos dadas com o contador de histórias. Hoje não mais.

Pelo menos os bonecos continuam sensacionais.

Nota do Crítico
Regular