Cena de Samaritano

Créditos da imagem: Prime Video/Divulgação

Filmes

Crítica

Samaritano enterra boas ideias em uma trama medíocre e derivativa

Filme com Sylvester Stallone se desenrola em piloto automático

Omelete
2 min de leitura
25.08.2022, às 16H00

O lance das reviravoltas é que elas têm, por definição, de surpreender o público. A frase pode parecer óbvia, mas a chance é muito grande de que você queira dizê-la em voz alta ao final de Samaritano. O filme de ação, que coloca Sylvester Stallone de novo na onda dos super-heróis (após a ponta em Guardiões da Galáxia Vol. 2, de 2017), telegrafa a grande revelação de seu terceiro ato desde os créditos iniciais. E, como não há muito mais que isso em oferta ali, cava sua própria cova de esquecimento.

Filmes como Logan (2017), Homem de Ferro 3 (2013), O Profissional (1994) e outras obras do tropo do “velho e criança” são ordenhados pelo roteirista Bragi F. Schut para dar a Samaritano sua trama. Adolescente obcecado em histórias de um antigo herói, Sam Cleary (Javon Walton) passa a acreditar que um vizinho velho e recluso (Stallone) é o seu ídolo superpoderoso — morto anos antes, em um embate com seu arqui-inimigo que supostamente ceifou a vida de ambos. Depois de muita insistência e um ou outro evento catalisador, a dupla improvável estreita os laços, mas a amizade entra em risco rapidamente graças a um admirador do vilão caído.

Seguindo de forma bastante protocolar a cartilha desse tipo de história, Samaritano fica refém da promessa de surpresa que ensaia em seus minutos iniciais para de fato injetar alguma personalidade em si. Por si só uma experiência frustrante, já que cinema nunca deveria ser reduzido a meros sustos e revelações, tudo piora porque a ideia por trás desse ponto de virada guarda um potencial narrativo interessante — que é, aqui, totalmente desperdiçado. Em alguma realidade do multiverso, Samaritano consegue aliar porradaria genérica com uma reflexão interessante sobre o maniqueísmo com o qual nos acostumamos a lidar em filmes de super-heróis. Infelizmente, não na nossa!

Quando anuncia com drama, pompa e olhos lacrimosos o que fez óbvio ao longo de seus 96 minutos que mais parecem 120, Samaritano nada tem a fazer com isso, simplesmente atropelando qualquer possibilidade de desdobramento interessante. Samaritano consegue ser tão obtuso à sua próxima dramaticidade que ainda se encerra em tom cínico de início de franquia, mesmo que sua principal estrela tenha 76 anos e faça todas as cenas de luta (muito pifiamente dirigidas por Julius Avery, aliás) de gorro e casaco, para facilitar a troca por um dublê. Enfim, o puro suco da bucha de canhão do streaming.

Nota do Crítico
Regular
Samaritano
Samaritan
Samaritano
Samaritan

Ano: 2022

País: Estados Unidos

Classificação: 12 anos

Duração: 96 min

Direção: Julius Avery

Roteiro: Bragi F. Schut

Elenco: Johan Philip Asbæk , Sylvester Stallone

Onde assistir:
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