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Créditos da imagem: Para Todos os Garotos que Já Amei/Netflix/Divulgação

Filmes

Crítica

Para Todos os Garotos que Já Amei

Filme da Netflix desconstrói o conto de fadas clássico e mostra como os jovens lidam com sentimentos

Camila Sousa
04.12.2018
15h13

Ao estudar a estrutura de um roteiro cinematográfico, um dos pontos citados pelos autores é a famosa história de “menino encontra menina”/”menina encontra menino”, aquela comédia romântica em que alguém encontra outro alguém que mudará sua vida para sempre. Para o bem ou para o mal, essa estrutura é aplicada até os dias de hoje em vários filmes e séries e, para muitos, é o modelo ideal de como um relacionamento deve ser. Para Todos os Garotos que Já Amei, no entanto, desconstrói esse padrão do “amor perfeito” e muitos outros.

O filme original Netflix acompanha a história de Lara Jean (Lana Condor), uma jovem muito sonhadora e cheia de amores platônicos. Mas ao invés de tentar lidar com eles - ou conquistar os garotos - ela se retrai e apenas escreve grandes cartas de amor para deixar guardadas em seu quarto. Esse é um paralelo interessante: Jean esconde as declarações em uma caixa, assim como esconde seus sentimentos no fundo do coração. Mas - seguindo uma estrutura clássica de jornada do herói - um dia ela é tirada de seu mundo comum quando todas as cartas são enviadas misteriosamente e ela precisa enfrentar as consequências.

Condor se destaca ao construir uma protagonista insegura e fofa. A cada garoto que a procura, ou conversa que precisa ter, Jean desconstrói seus conceitos sobre o amor. Filha do meio de uma família de três irmãs, ela perdeu a mãe ainda criança e esse trauma é o causador de tudo: apesar de romântica, ela não mergulha de cabeça em relacionamentos porque acredita que todos podem deixá-la um dia, assim como aconteceu com a mãe. Ao mostrar um conflito tão profundo com situações leves, Para Todos os Garotos que já Amei cria empatia com o público, que pode não concordar com o jeito medroso da protagonista, mas com certeza entende seus motivos.

Os aspectos técnicos do filme merecem um elogio à parte. Desde a direção de arte, assinada por Steve Scott (Quando Chama o Coração), até o figurino de Rafaella Rabinovich (Projetc Mc2), tudo no longa é feito para destacar o contraste entre o mundo real e o mundo de fantasia confortável em que Lara Jean vive. O exemplo mais claro disso é o quarto da protagonista. Cheio de tons de rosa e roxo, o local parece realmente um quarto de princesa, mas nem tudo é perfeito ali. Junto com as cores e detalhes fofos, a adolescente deixa suas roupas e pertences espalhados pelo chão. Apesar de lindo, o cômodo reflete sua confusão interna.

Para Todos os Garotos que Já Amei fala, acima de tudo, sobre a importância de entender suas próprias emoções. Lara Jean não acorda em um belo dia ensolarado e tem todos os seus problemas resolvidos - como aconteceria em um conto de fadas. Ela precisa construir sua confiança aos poucos, se livrando de antigos traumas e olhando para si mesma como alguém que merece ser amada e pode amar aos outros. Esse caminho é doloroso e difícil, mas como Dumbledore ensinou no primeiro livro de Harry Potter, não vale a pena mergulhar nos sonhos (por mais perfeitos que eles sejam) e se esquecer de viver.

Para Todos os Garotos que Já Amei
To All the Boys I've Loved Before
Para Todos os Garotos que Já Amei
To All the Boys I've Loved Before

Ano: 2018

País: EUA

Duração: 1h39 min

Direção: Susan Johnson

Roteiro: Sofia Alvarez

Elenco: Janel Parrish, Lana Condor, Noah Centineo, Andrew Bachelor

Nota do Crítico
Ótimo

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