Girls of the Sun

Créditos da imagem: Girls of the Sun/Divulgação

Filmes

Crítica

Girls of the Sun

Filme sobre batalhão feminino curdo revela novo olhar entre os filmes de guerra

Natália Bridi
08.09.2018
14h32
Atualizada em
08.09.2018
18h05
Atualizada em 08.09.2018 às 18h05

Kathryn Bigelow é o nome que aparece quando se pensa em mulheres fazendo filmes de guerra. Seus longas seguem uma perspectiva geral do conflito, focada nas tensões de situações extremas. Em Girls of the Sun, Eva Husson mostra uma novo olhar feminino dentro do gênero, centrado na resistência frente à um processo de desumanização.

Para tanto, cruza as histórias da repórter Mathilde (Emmanuelle Bercot) e da soldado Bahar (Golshifteh Farahani), a líder de um batalhão de mulheres que luta contra a ISIS no Curdistão. As duas foram marcadas pela guerra, uma como testemunha ocular, a outra como vítima direta das ações de um grupo extremista. Nessa troca, Husson procura o que existe além do sofrimento. Olha delicadamente para as combatentes e observa a camaradagem criada entre elas. Da mesma forma que carregam armas e atiram com habilidade, elas trançam seus cabelos e acordam delicadamente suas companheiras. A força está em tudo aquilo que as torna mulheres.

Ex-prisioneiras, a maioria viu a morte da família ou teve os filhos raptados para servir à ISIS - os meninos são recrutados, as meninas vendidas como escravas sexuais. Girls of the Sun deixa esses horrores como contexto, ainda que mantenha um estado de choque constante. O interesse de Husson está na capacidade de sobrevivência dessas mulheres, no que as mantém em pé depois de tudo. O título, Garotas do Sol em tradução livre, se torna uma referência tanto à bandeira Curda como à esperança que acompanha Mathilde e Bahar. Elas seguem em frente, buscando a verdade sobre os horrores do mundo ou simplesmente justiça.

A fotografia de Mattias Troelstrup mantém um tom árido, mas destaca as cores dos lenços floridos do batalhão, o que cria uma atmosfera que transita entre o cru e o onírico. A montagem delicada de Emilie Orsini completa essa condição, que aparece principalmente nos momentos em que Bahar sente ter ao seu lado o filho e o marido, para logo depois despertar sozinha.

Girls of the Sun combina com suavidade elementos clássicos dos filmes de guerra - a ansiedade, o suspense, a violência, a camaradagem entre soldados e a solidão da perda - para criar uma narrativa feminina em um conflito masculino. Não se trata de uma batalha entre gêneros, mas uma resposta para uma visão extremista e distorcida, que destrói famílias em nome de Deus e vende mulheres como mercadoria. No final, elas se mantém em pé, continuam, sobretudo, humanas.

Nota do Crítico
Ótimo