Foto promocional de DonnyBrook

Créditos da imagem: DonnyBrook/Divulgação

Filmes

Crítica

DonnyBrook

Filme de Tim Sutton é prova de que almejar complexidade não significa alcançá-la

Natália Bridi
12.09.2018
13h52

Por mais que se discutam fórmulas, não existe receita para um bom filme. A linguagem cinematográfica existe para ser testada, contestada ou simplesmente usada. Nesse caminho, muitos encontram a combinação que resulta em algo especial, e outros não. É tudo uma questão de conexão com o público. Dirigido por Tim Sutton, que também é professor de estudos midiáticos em Nova York, DonnyBrook sofre de um experimentalismo vazio, mais interessado em estudar do que em fazer cinema.

Na trama, um ex-veterano viaja para participar de um ringue de luta ilegal para ganhar o dinheiro que precisa para salvar a sua família, é o máximo de significado que se encontra no longa. Há um casal de irmãos agressivo e incestuoso, um policial viciado e muitas doses de violência, mas tudo existe enquanto exercício, sem qualquer função narrativa ou sensorial. Não há história, metáfora ou metafísica, apenas desconforto.

Não que o longa não seja bem executado: a fotografia de David Ungaro representa a tristeza dos Estados Unidos longe do sonho americano, e Sutton sabe comandar a violência que quer ver na tela - a cena da luta coletiva capta por completo um momento visceral. A boa atuação de Jamie Bell finaliza o pacote desconjuntado, revelando o lado emocional do que poderia ser um filme mais simples e eficiente.

DonnyBrook é a prova de que almejar complexidade não significa alcançá-la. Não é um caso onde o estranhamento intriga o espectador, é um caso de aguardar ansiosamente pelos créditos finais.

Nota do Crítico
Regular