Bohemian Rhapsody

Créditos da imagem: Fox/Divulgação

Filmes

Crítica

Bohemian Rhapsody

Diversão sem compromisso

Thiago Romariz
01.11.2018, às 12:39
Atualizada em 02.11.2018, às 10:27
Atualizada em 02.11.2018, às 10:27

Filmar uma biografia do Queen, uma das maiores bandas de todos os tempos, traz consigo algumas regalias. A trilha sonora é garantia de qualidade, tanto quanto a reprodução de grandes momentos do grupo, como o famoso show em Wembley durante o Live Aid. Ao mesmo tempo, existe o desafio de traduzir na tela a identidade de uma banda que não se define apenas por um gênero e que traz um talento como Freddie Mercury. Bohemian Rhapsody, longa dirigido por Bryan Singer, tenta contar a história do cantor e da banda, explora bem o visual que marcou época, mas simplifica a complexidade de uma força como Mercury a um performer exótico, mas cheio de talento.

O roteiro escrito por Anthony McCarten mostra a união dos quatro membros do Queen e, com o passar dos anos, mostra as intrigas entre eles, a criação de sucessos como a música que dá título ao filme, "We Will Rock You" e "Love of My Life". Os dramas pessoais de Mercury são o fio condutor da história, que deixa muito claro desde o início a sexualidade do cantor, mas se furta de explorar o personagem além daquela básica jornada do herói incompreendido. Perdido em Londres, Mercury é um talento escondido que explode, briga com os amigos, busca o amor da sua vida e se redime no fim da história.

Ainda que a trajetória da banda não seja tão romântica, é compreensível a escolha por algo mais brando. As festas, as drogas, o sexo e os escândalos não cabem na proposta de Bohemian, que se esforça para mostrar quão importantes os outros três membros do Queen foram para o sucesso de Mercury. O problema do roteiro está em não buscar entender o que fez não só Freddie, mas Bryan, Roger e John serem tão diferentes e terem marcado a história. Como o foco é o vocalista, os defeitos do filme ficam ainda mais evidentes, pois, quando a música baixa, ele se torna uma figura excêntrica, de dentes avantajados mas com pouquíssimo a dizer. A relação com os pais se resume à rejeição, algo que se bem explorado e além dos diálogos básicos de revolta adolescente traria uma noção de como o passado da família Balsara influenciou a vida de Farroukh (nome de batismo de Mercury).

A performance de Rami Malek segue o padrão do filme ao prestar homenagem sem o compromisso de buscar identidade. Ele, assim como os outros três membros, evocam o visual de forma perfeita e até os trejeitos físicos de cada um. Mas diferente de Joseph Mazzello, que faz um Deacon sutil, Malek aproveita todos os gestos que definiram Mercury para fazer a melhor imitação possível. Ao optar por dublar as performances (outra escolha compreensível, tendo em vista quão particular é a voz de Mercury), Malek foca no físico e peca na intensidade com que um show como o do Live Aid, por exemplo, necessitou. É uma ótima imitação, que evoca a figura de Freddie, mas não emociona a ponta de criar empatia com o personagem - algo mais atrelado ao roteiro do que o trabalho do ator, diga-se.

De toda forma, como já foi dito, é impossível não cantarolar ou batucar ao longo do filme. Os clássicos do Queen estão ali e para qualquer curioso é interessante ver os bastidores de um grupo tão icônico - ainda que eles sejam limpos, chapa branca e apenas tocam a superfície dos perigos de uma vida no estrelato. Por outro lado, para um longa que se presta a contar a história de uma banda que desafiou o sistema, quebrou paradigmas e incomodou tanta gente, Bohemian Rhapsody joga tão seguro que soa juvenil. É uma diversão sem compromisso e, assim como qualquer bom entretenimento, o Queen é muito mais que isso.

Bohemian Rhapsody
Bohemian Rhapsody
Bohemian Rhapsody
Bohemian Rhapsody

Ano: 2018

País: EUA, Reino Unido

Classificação: 14 anos

Duração: 132 min

Direção: Bryan Singer

Roteiro: Anthony McCarten

Elenco: Mike Myers, Ben Hardy, Rami Malek, Tom Hollander, Aidan Gillen, Joseph Mazzello, Lucy Boynton, Gwilym Lee

Nota do Crítico
Bom

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