Cannes | As 10 maiores surpresas do festival

Créditos da imagem: Chris, the Swiss/Divulgação

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Cannes | As 10 maiores surpresas do festival

Com BlackKklansman como favorito à Palma de Ouro, o festival francês termina neste sábado (19)

Rodrigo Fonseca
16.05.2018
22h50
Atualizada em
17.05.2018
03h06
Atualizada em 17.05.2018 às 03h06

Faltam três dias para o Festival de Cannes de 2018 terminar, tendo Spike Lee e seu thriller BlackKklansman como favorito, seguido de perto por 3 Faces, de Jafar Panahi, e Cold War, de Pawel Pawlinowski.

A premiação será realizada neste sábado (19) seguida por The Man Who Killed Don Quixote, de Terry Gilliam. Cineastas com um histórico autoral como Jean-Luc Godard, em concurso com Le Livre d’ImageWim Wenders, de volta com projeção especial de Pope Francis – A Man of His Word, sobre o Papa Francisco; e Lars von Trier, fora de concurso com o suspense de humor mórbido The House That Jack Built - cumpriram com as expectativas e nos deram filmes provocativos.

Mas é hora de avaliar quais foram as surpresas e as descobertas da Croisette até agora. Confira dez filmes que já marcaram Cannes desde sua abertura.

  • Chris, the Swiss, de Anja Kofmel: Num casamento entre documentário e animação, a cineasta suíça exorciza demônios de seu passado ao investigar as causas da morte de seu primo, um jornalista de guerra, durante os conflitos da extinta Iugoslávia;
  • Fuga, de Agnieszka Smoczyńska: Este agridoce drama da Polônia narra a volta por cima de uma mulher que, após um surto amnésico, tira filhos, marido e pais da memória, e não se interessa em reatar os laços com eles;
  • O Órfão, de Carolina Markowicz: Pérola da Quinzena dos Realizadores, este curta-metragem nacional arrancou elogios de quem passou por ele na seção Short Film Corner do Palais des Festivals (o centro nervoso do evento). Dirigido Markowicz, a produção narra a história de Jonathas (Kauan Alvarenga), um menino negro adotado e depois devolvido por causa do seu “jeito diferente”, ou seja, por gostar de usar batom;
  • Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos, de Renée Nader Messora e João Salaviza: Num casamento de estéticas entre Brasil e Português, no Tocantins, esta investigação de tintas metafísicas sobre a permanência (e o fardo) de tradições e rituais entre os povos Krahô abre as portas de nossa percepção para uma cultura fascinante;
  • Dead Souls, de Wang Bing: Com 8hrs de duração, que passa num piscar de olhos, este novo documentário do cronista chinês do abandono reúne relatos chocantes de exilados políticos no deserto de Gobi;
  • Searching for Ingmar Bergman, de Margarethe von Trotta: Tudo o que você sempre quis saber sobre o diretor de Persona, incluindo seu lado b, a realizadora alemã, cultuada por Rosa Luxemburgo (1986), conta;
  • Mirai, de Mamoru Hosoda: Um dos criadores da série de TV Digimon solta sua veia autoral para discutir a vida infantil a partir de uma jornada fantástica de viagens no tempo de um garotinho de quatro anos inconformado com a chegada de sua irmã. É o longa de animação mais importante de Cannes em 2018;
  • Euforia, de Valeria Golino: Adotada por Hollywood nos anos 1980, quando foi a namoradinha de Tom Cruise em Rain Man, a musa italiana é uma diretora de apurdo rigor visual, como comprova este drama sobre dois irmãos de temperamentos distintos obrigados a conviver;
  • Gotti, de Kevin Connolly: John Travolta disputou o Oscar com Pulp Fiction, em 1995, e com Embalos de Sábado à Noite, em 1978. Mas pode levar a estatueta agora, por seu desempenho memorável com o gângster John Gotti;
  • En Guerre, de Stéphane Brizé: Misto de Ken Loach com Costa-Gavras, o diretor francês de maior engajamento nas causas socais do momento faz um thriller político sobre as lutas sindicais na Europa amparado no talento de Vincent Lindon, o Antonio Fagundes da França.