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Alan Moore continua desinteressado no filme de Watchmen - e ainda desanca 300

Gênio dos quadrinhos cogita até trabalhar com televisão

ÉA
21.07.2008, às 13H00.
Atualizada em 09.11.2016, ÀS 10H05

A revista Entertainment Weekly tentou convencer o escritor Alan Moore a saber mais sobre a adaptação cinematográfica de sua obra-prima Watchmen. Mas o barbudo continua irredutível - abriu mão dos direitos sobre a adaptação, não quer ver seu nome associado à produção e não vai assistir nem ao trailer.

Moore revelou ainda mais um problema que tem com a adaptação: o diretor Zack Snyder. "Ele pode até ser um cara legal, mas o negócio é que ele é a pessoa que fez 300. Não vi os últimos filmes de quadrinhos, mas particularmente não gostei da HQ 300. Tenho vários pontos a criticar, e tudo que ouvi ou vi sobre o filme parece ter incrementado as críticas, ao invés de reduzi-las: que é algo racista, que é homofóbico e, acima de tudo, totalmente idiota", esbraveja o autor.

Ele continua comentando que considera Watchmen inadaptável. "Há coisas que fizemos em Watchmen que só funcionariam em um gibi, e inclusive foram projetadas para mostrar coisas que outras mídias não conseguem". Moore disse a mesma coisa a Terry Gilliam nos anos 80, lembra ele, quando o diretor estava responsável por uma adaptação da obra. Depois de conversar com Moore, Gilliam desistiu da produção.

O escritor ainda comenta, na entrevista, a produção de League of Extraordinary Gentlemen: Century, nova aventura de seus personagens criados com Kevin O'Neil, e de Jerusalem, o romance que está escrevendo e que já chegou, segundo ele, às "400 mil palavras". A obra completa deve ser lançada com 2 mil páginas - e novamente aborda sua cidade, Northamptonshire, como seu primeiro livro, Voz do Fogo.

Moore também propõe algo sobre o que nunca tinha falado: escrever para a televisão. Ele se diz um grande fã de South Park e algumas comédias inglesas, além de estar encantado pelo seriado The Wire, exibido na HBO brasileira como A Escuta, que chama de "a obra de TV mais impressionante que já veio dos EUA, talvez a obra de TV mais impressionante da televisão, ponto final".

Nas mesmas condições da série, o escritor diz que até se aventuraria a escrever para a TV. "Parece que a HBO deu um tratamento de princesa a The Wire. A série nunca teve muita audiência, mas continuaram a financiá-la. Perceberam que era um programa de prestígio, duradouro. (...) Se isso pudesse ser magicamente arranjado, se eu conseguisse pensar em uma boa história, e se tivesse a chance de ser algo do mesmo calibre que The Wire - aí sim. Eu pensaria em fazer alguma coisa."

Leia aqui a entrevista que o Omelete fez com Moore.

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