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Créditos da imagem: How I Met Your Mother/Divulgação

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5 momentos mais bizarros da cultura pop na última década

E como podemos aprender com tudo isso

João Luis Jr.
23.12.2019
21h14

Por mais que seja assustador admitir, por mais que, caso você tenha mais de 25, a sensação seja de que os anos 90 aconteceram só meia hora atrás, a verdade é que estamos no final de 201, chegando ao fim os famigerados anos 10. Uma década marcada pelos serviços de streaming, grandes conglomerados de mídia, pelos filmes de super-heróis, por uma inundação de grandes séries de TV, pelo poder das mídias sociais de deixar cada uma dessas coisas ainda maiores.

Mas da mesma forma que podemos descrever uma década com os seus maiores sucessos – Beyoncé em Coachella, Hamilton, Mad Max, por exemplo – podemos também explicar uma época lembrando alguns dos seus momentos mais bizarros, constrangedores ou apenas vagamente absurdos. Nós, é claro, escolhemos a segunda opção.

A confusão do Oscar de 2017

Imagem do Oscar 2017
KEVIN WINTER / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP

A cerimônia tinha tudo para ser lembrada como uma noite histórica para o cinema e simbolizar uma guinada mais progressiva para o Oscar, com 3 prêmios, incluindo melhor filme, para uma história sobre raça, identidade e sexualidade. Porém, graças a um erro de organização nível “contamos errado os pontos da gincana do terceirão”, o que vimos foi uma reviravolta de novela mexicana, em que os produtores de La La Land receberam a estatueta apenas para logo depois descobrirem que não, quem venceu foi Moonlight, as pessoas não gostam tanto assim de jazz.

Mais um sintoma do quanto a Academia precisa se modernizar? Um momento aleatório que serve de reflexo para um racismo quase sistemático da cerimônia? Uma vitória moral de todos os carteiros ao redor do mundo, já que ficou claro o quão complicado é entregar um envelope direito? Seja como for, a bagunça do Oscar 2017 marcou a década e chamou atenção para uma premiação que cada vez mais vem tendo sua relevância questionada.

O momento “Martha” de Batman Vs Superman

Imagem de Batman vs Superman
Divulgação

Se você já acessou a internet alguma vez depois de março de 2016, você sabe que as opiniões sobre o segundo filme de Zack Snyder no universo DC são, no mínimo, polarizadas. Se por um lado existem fãs fiéis do diretor que defendem seu legado e até hoje esperam pelo famigerado “Snydercut” de Liga da Justiça, por outro lado existem fãs de Batman e Superman que até hoje agradecem aos céus o fato do visionário diretor estar envolvido em outros projetos e deixar de lado os super-heróis.

Mas ainda que seja impossível dizer o quanto de Liga da Justiça é culpa de Zack Snyder, o quanto é culpa de Joss Whedon e o quanto é culpa do executivo que achou uma boa Joss Whedon concluir um filme de Zack Snyder, é possível perceber o momento exato em que o Batman de Ben Affleck e o Super-Homem de Henry Cavill morreram: a cena em que um grave conflito ideológico se encerra porque dois homens têm mães com o mesmo nome. Sem essa cena talvez o DCU original não tivesse ido por água abaixo e hoje não teríamos filmes como Coringa, rendendo bilhões de dólares e ganhando até prêmios para a Warner.

A hiper nicolascagezicação de Nicolas Cage

Imagem de Mandy
Divulgação

Segundo o IMDB, entre o começo de 2010 e o fim de 2019, Nicolas Cage participou de 40 filmes, indo desde animações de sucesso como Homem-Aranha pelo Aranhaverso até queridinhos da crítica como Mandy, passando pelos famosos filmes de ação direto para DVD como Fúria e coisas que precisariam de mais duas páginas só pra explicar, como Eu, Deus e Bin Laden.

E ainda que exista sim um elemento de bizarro em um dos maiores atores do cinema contemporâneo aceitando papéis cada vez mais absurdos – em um de seus filmes recentes Cage interpreta um caçador preso num barco com vários animais criados usando o que sobrou do CGI dos cachorros do Hulk do Ang Lee – também é fascinante ver alguém tão talentoso subverter a nossa ideia de prestígio e celebridade em prol de escolhas pessoais que a maioria de nós nem sempre vai entender, mas no fim somos obrigados a respeitar, tudo isso enquanto caminha para se tornar um dos atores mais onipresentes da nossa era.

Ou é isso ou apenas estou ansioso demais pelo filme em que sequestram o porco dele.

Fyre Island

Imagem de Fyre Festival
Divulgação

Se você não ouviu falar do Fyre Festival, você com certeza não sabe o que está perdendo. O festival musical mais luxuoso da história, realizado numa ilha particular, com os artistas mais descolados e as modelos mais lindas, divulgado através dos digital influencers mais famosos, ele tinha tudo para entrar na história como o evento mais caro e mais exclusivo da história da internet. Não fosse por um pequeno detalhe: ele nunca aconteceu.

Cancelado por uma incrível combinação de fraude, picaretagem explícita e o poder das redes sociais de destruírem um hype ainda mais rápido do que são capazes de criá-lo, o Fyre Festival é ao mesmo tempo um exemplo da capacidade que a internet nos dá de denunciar pilantras e buscar nossos direitos como também do poder que um bom post do Instagram tem de iludir o cidadão comum hoje em dia. Não tem como ser mais anos 10 do que isso.

O final de How I Met Your Mother

Imagem de How I Met Your Mother
Divulgação

Mais uma na imensa lista de séries que cativaram seus espectadores nas temporadas iniciais apenas para testar a paciência desses mesmos espectadores nas temporadas finais, o programa sobre a mais longa e confusa história que um pai já contou para seus filhos terminou de maneira nada recompensadora para milhões de fãs, gerando uma das maiores avalanches de reclamações televisivas da história do Twitter.

E o que tivemos ali foi talvez um dos primeiros grandes sinais de como as redes sociais viriam a pautar a discussão cultural nessa década. O último episódio foi ruim? Reclame muito no Twitter. Sua série foi cancelada? Combina de subir uma hashtag. Não gostou do comportamento de um personagem num filme? Xingue o ator no Instagram porque você não tem maturidade o bastante para separar realidade de ficção. E  olha que em 2014 ninguém imaginaria que ia precisar reclamar do final de Game of Thrones.