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40 anos de Halloween: o clássico filme slasher

Longa de John Carpenter utilizou elementos que já existiam, mas cristalizou um gênero

Julia Sabbaga
25.10.2018
16h21

Em 25 de outubro de 1978, os cinemas receberam o que viria ser considerado o primeiro filme slasher. Halloween, clássico de John Carpenter que faz 40 anos hoje, na estreia de seu novo capítulo, foi fundamental para a criação de um gênero que não deixou de ser popular até hoje, e apesar de trazer elementos que alguns longas já tinham se utilizado – como uma última garota sobrevivente, ou o uso de máscaras pelo assassino – ele se tornou um marco por ter consolidado este tipo de filme no cinema. Com pouco mais de US$ 300 mil de orçamento e ultrapassando US$ 70 milhões na bilheteria mundial, o sucesso do suspense provou o interesse do público e criou o precedente para que as produtoras procurassem outros estouros de baixo orçamento. O fenômeno da busca de “mais filmes como Halloween” fez com que o clássico estabelecesse algumas regras que são geralmente vistas em muitos filmes que o sucederam.

Claro que não é apenas de pioneirismo que Halloween sobrevive como um dos maiores filmes slasher de todos os tempos. A noite de Laurie Strode (personagem de Jamie Lee Curtis) é filmada por mãos experientes, que entregaram ao gênero algumas das melhores sequências (e planos sequências)  do terror, além de ser embalada por uma das trilhas sonoras mais icônicas do cinema. Mas para uma lista de aniversário, focamos abaixo em alguns dos elementos que foram estabelecidos 40 anos atrás, na estreia do primeiro Halloween

Compass International Pictures/divulgação

A última garota

Compass International Pictures/divulgação

Halloween foi um dos primeiros filmes que introduziu o conceito de final girl, isto é, a última garota sobrevivente. Apesar de O Massacre da Serra Elétrica e Noite do Terror, ambos lançados antes, também terem uma última personagem, Halloween introduziu o conceito de que a garota protagonista sempre é pura; tanto virgem quanto não usuária de drogas ou álcool. Laurie Strode é caçoada pelas amigas por não conseguir sucesso com os garotos e por ser careta, o que fez com que teorias surgissem que Halloween seria um filme que defende a castidade. John Carpenter negou a ideia: "Laurie sobrevive não porque é virgem, mas porque toda a sua energia sexual reprimida começa a despertar". 

Não faça sexo, não use drogas

Compass International Pictures/divulgação

Na quadrilogia do Pânico, o personagem Randy frequentemente alerta os personagens com regras dos filmes de terror, citando algumas normas que foram estabelecidas em Halloween. Uma das mais importantes era "não faça sexo, não use drogas". Relacionando com o item da final girl, em filmes de slasher, personagens mais "descolados" geralmente são vítimas fáceis, o que pode ser visto em Halloween também. Carpenter também comentou isso: "estes adolescentes morrem porque estão mais preocupados em transar e não ficam em estado de alerta".

Difícil de matar

Compass International Pictures/divulgação

Halloween também foi um marco na história dos assassinos quase impossíveis de matar, que sempre voltam da morte. Ao fim de Halloween, Michael Myers parece ter sido derrotado algumas vezes, mas ele sempre escapa. Isso deu início ao tradicional susto pós-morte, e a regra que sempre deve ser seguida: sempre cheque duas vezes para ter certeza de que o assassino está morto. 

Uma cidade qualquer

Compass International Pictures/divulgação

Um marco inventado pelo Halloween foi a ideia de um assassino psicopata estar solto em uma cidade pacata nos EUA. Ao contrário de O Massacre da Serra Elétrica e Noite do Terror, Michael Myers não aterroriza adolescentes em um lugar distante ou excluído, mas bem onde poderia ser a sua vizinhança. A cidade fictícia de Haddonfield, Illinois parece com qualquer cidade dos Estados Unidos, o que faz com que os eventos pareçam mais próximos da realidade. 

Pedidos de ajuda

Compass International Pictures/divulgação

Halloween registrou uma das cenas mais clássicas de perseguição a pé, com a tradicional cena da vítima batendo na porta de casas sem conseguir ajuda. A sequência em que o assassino se aproxima lentamente enquanto a vítima tenta entrar em algum lugar sem sucesso é um marco quase obrigatório em filmes de slasher, e pode ser vista em Pânico, Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado e Lenda Urbana.

"I'll Be Right Back"

Compass International Pictures/divulgação

Outra regra que Pânico falou com todas as letras, e foi estabelecida em Halloween, é o tradicional "eu já volto" ou "I'll be right back". A norma seguida é que todo personagem que fala a frase tem seu destino selado, e se estendeu ao integrante do grupo que decide "dar uma olhada no que está acontecendo, e já volta". Em Halloween, no momento em que Bob diz isso, já sabemos que as coisas não vão dar certo pra ele. A regra é seguida também em Pânico, Sexta-Feira 13Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio

Telefonemas sinistros

Compass International Pictures/divulgação

Este definitivamente não é o tema de Halloween, mas a ideia de que um assassino pegue o telefone para fazer ligações aterrorizantes pelo simples motivo de assustar suas vítimas começou aqui. No clássico de 78, Myers gasta um tempo da sua noite para respirar alto no telefone, só para criar um clima tenso. 

O ícone do terror

Compass International Pictures/divulgação

Apesar do assassino de Massacre da Serra Elétrica também ter usado sua máscara, por causa do sucesso comercial de Halloween, Myers se tornou, e é possivelmente até hoje, o maior símbolo do gênero slasher. A figura de 'a coisa', com uma face completamente sem expressões, que representa a pura personificação do mal, é o ápice dos assassinos de terror. Claro que isso ganhou certa grandiosidade graças à trilha de Carpenter, que também se tornou um marco: Myers foi um dos primeiros assassinos que tinha um tema próprio.