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Créditos da imagem: Marvel Studios/Divulgação

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Vingadores: Ultimato e a ameaça dos spoilers

Ironicamente esse artigo pode conter spoilers nos comentários

Natália Bridi
17.04.2019
19h06

É como aquele coleguinha de escola que resolve descontar os próprios problemas em você. Dar spoilers propositalmente é um ato tão egoísta que a única explicação está na sua natureza infantil e passional. Não há lógica, apenas a vontade de preencher vazios com a infelicidade do próximo.

Quando Star Wars: O Despertar da Força chegou aos cinemas, algumas dessas “crianças” resolveram, por ciúmes ou simples birra, que deveriam estragar um dos momentos mais importantes do filme para os fãs. Eram mensagens em redes sociais e comentários em notícias, artigos e críticas do Omelete e de outros sites. Um spoiler, claro, não destrói o filme, mas muda a sua percepção da história. Ao invés de ser surpreendido, o espectador foca sua atenção para o derradeiro momento em que aquela informação se tornará realidade. O impacto da cena, é claro, se perde.

A discussão sobre spoilers é interminável. O quanto se pode revelar em títulos, matérias e afins sem perder o conteúdo e, ao mesmo tempo, sem frustrar a experiência do espectador? Comentar o desfecho de um filme antigo é spoiler? No caso de um lançamento, qual é o tempo de espera necessário até que se possa falar abertamente sobre o assunto? E o quanto de culpa o público tem na hora de levar um spoiler? Quem clica no link está por sua conta e risco? 

No caso de Star Wars, alguns fãs se prepararam para o pior, derrubando o tráfego de internet em 5,5% no Reino Unido, 4,7 % na Rússia e 10,9% na França (via The Guardian) às vésperas do lançamento. Ou seja, a única saída para evitar os spoilers era abandonar as redes sociais por completo. A maioria dos veículos, salvo pelo uso de alguns adjetivos exaltados, tomou cuidado para não revelar grandes informações sobre o filme na sua cobertura. Nos comentários é que a conversa era outra, com alguns usuários divulgado revelações a até fotos de importantes momentos.

Com uma expectativa de 3 anos nas costas desde a compra da LucasFilm e o anúncio de um novo filme da franquia (fora os mais de 30 anos desde O Retorno de Jedi e os 10 anos desde A Vingança da Sith), o hype em torno de Star Wars: O Despertar da Força já era esperado. A cobertura massiva da mídia também. O medo dos spoilers idem. A conversa mais informal poderia soltar uma informação que você não queria saber. Era preciso assistir ao longa o quanto antes. O que não era possível prever, mas talvez isso seja ingenuidade, era que essas informações seriam divulgadas por uma parte do público, como um deboche. Ou talvez apenas por medo de ser o único infeliz em meio a empolgação por um novo Star Wars. E o medo leva a raiva, que leva ao ódio, que leva ao lado negro.

E o problema continua

Esse artigo foi publicado originalmente em 18 de dezembro de 2015. Infelizmente, em 2019, a briga continua a mesma, agora envolvendo Vingadores: Ultimato. O medo de spoilers em relação ao filme é tanto que a pré-venda de ingressos bateu recordes, com o público desesperado para garantir que ninguém estragaria o desfecho da luta dos Vingadores contra Thanos. Os irmãos Russo, diretores do filme, soltaram novamente uma carta aberta pedindo que os fãs respeitassem a experiência dos outros - leia. Ainda assim, o "pequeno poder" de quem teve acesso a algum tipo de informação importante sobre a trama antes da estreia aparece em comentários e publicações nas redes sociais.

Mesmo com técnicas para burlar spoilers - aprenda aqui - a melhor dica ainda é evitar a internet no geral. E jamais ler os comentários, mesmo que seja em um assunto não relacionado ao filme. Foi assim em 2015, é assim em 2019, e provavelmente continuará sendo no futuro. A internet, com todas as suas possibilidades, continua a ser mal usada por muita gente, seja em eventos importantes como as eleições, seja na estreia de um grande lançamento da cultura pop. Um inimigo que nem os Vingadores podem vencer.