Festival de Cannes | Documentário sobre o impeachment de Dilma Rousseff atrai atenções e curiosidade

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Festival de Cannes | Documentário sobre o impeachment de Dilma Rousseff atrai atenções e curiosidade

Produção é dirigida por Maria Augusta Ramos

Rodrigo Fonseca
15.05.2018
14h21
Atualizada em
29.06.2018
02h37
Atualizada em 29.06.2018 às 02h37

Embora não faça parte da seleção nacional de Cannes, o documentário O Processo, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta (17), foi assunto na Croisette em todas as rodas de brasileiros, em parte pelo prestígio que ecoou de sua passagem no Festival de Berlim, coroada com um prêmio de júri popular, em parte pela curiosidade europeia sobre a saúde política do Brasil.

Seu foco: os bastidores do impeachment de Dilma Rousseff em 2016. O interesse francês por ele aumentou há uma semana, depois que ele venceu o prêmio de melhor longa-metragem internacional no Festival Documenta Madri, na Espanha. 

Antes, o longa já havia recebido o Prêmio Silvestre e o Prêmio do Público de melhor longa-metragem no Festival Indie Lisboa, em Portugal, e conquistado o de Melhor Longa-Metragem na Competição Internacional do Festival Internacional de Documentários Visions du Reel em Nyon, na Suíça.

"Foi muito difícil estruturar as filmagens porque não sabíamos o que iria acontecer. Havia fatos e eventos novos surgindo a qualquer hora, a cada dia", disse a diretora Maria Augusta Ramos ao Omelete. "A decisão de focar no processo jurídico-político no Senado por si só estabeleceu uma estrutura de filmagem e, por fim, o acesso à defesa da presidente Dilma Rousseff também me permitiu filmar as reuniões e a própria Dilma, enquanto afastada no Alvorada".

Consagrada no Brasil por documentários como Futuro Junho (2015), Ramos ressalta que buscou ter acesso às reuniões privadas dos agentes políticos que estavam na acusação. "De quem estava no campo pró-impeachment, somente a advogada Janaína Paschoal nos permitiu uma aproximação mais íntima", diz a diretora. Nesta quarta (16), Cannes recebe o último dos longas de coprodução com o Brasil: Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos, uma dobradinha entre produtores de Minas Gerais e Lisboa, com direção de Renée Nader Messora e João Salaviza. O festival termina no dia 19.