No rastro do
Chapéu de Palha:
25 anos em busca
do One Piece

Após duas décadas e meia de sucesso, mais de mil episódios de anime
e mil capítulos de mangá, analisamos o sucesso da obra criada por Eiichiro Oda

Pedro Henrique Ribeiro | @OiPhRibeiro Repórter

Riqueza, fama e poder é a promessa para quem encontrar o One Piece, tesouro absoluto deixado por Gol D. Roger, o Rei dos Piratas. Antes de ser executado em sua cidade natal, Roger instigou o mundo a sair em busca do One Piece. Seu grito ecoou por anos e alcançou o coração das novas gerações de piratas, como a de Monkey D. Luffy, um jovem pirata que possuía apenas um chapéu de palha e um sonho: se tornar o novo Rei dos Piratas. Porém, ele não desejava fama ou poder, mas acreditava que a verdadeira liberdade só pode ser alcançada por aquele acima de todos os piratas. Luffy então sai em busca de uma tripulação forte o bastante para chegar a Grand Line e encontrar o One Piece, uma jornada que completa 25 anos em 2022.

One Piece é um dos shonens mais importantes da história das indústrias de mangás e de animação japonesa. Em 2021, os fãs celebraram as marcas de mais de mil capítulos e episódios da série que conquistou milhões de fãs no mundo todo. Alguns entusiastas da obra a acompanham há mais de 20 anos, mas também há aqueles que demoraram a se entregar ao bando do Chapéu de Palha, porém, viram que a jornada de acompanhar Monkey D. Luffy é um caminho sem volta. Neste especial, vamos celebrar os 25 anos de One Piece, revisitando as origens da obra e refletindo sobre o que o futuro da franquia reserva para nós.

Mangá Mangá no Mi

Por trás dessa história, temos o mangaká Eichiiro Oda. O criador de One Piece nasceu no dia 1º de janeiro de 1975, na cidade de Kumamoto, no Japão. Aos 4 anos, por influência de Akira Toriyama, criador de Dragon Ball, decidiu que queria ser mangaká. Em 1993, aos 17 anos, Oda publicou seu primeiro one-shot, Wanted!. Ele assinou a obra com o pseudônimo Tsukihimizu Kikondo e graças a ela, ganhou o Tezuka Award — prêmio da revista Weekly Shonen Jump para novos talentos. Em 1994, ele ganhou outro prêmio, dessa vez pelo one-shot Ikki Yako, que rendeu um Hop Step Award, que premia as melhores histórias da revista.

Depois de um ano cursando arquitetura, Oda largou a faculdade, se mudou para Tóquio e começou a trabalhar como assistente dos mangakás Shinobu Kaitani (Midoriyama Police Gang), Masaya Tokuhiro (Jungle King Tar-chan) e Nobuhiro Watsuki, (Samurai X). Oda acreditava que sua carreira não demoraria a decolar, pelo fato de ele ser um mangaká premiado, mas nenhuma de suas histórias originais eram aceitas pelas revistas.

Considerado um perfeccionista, o autor é conhecido por trabalhar demais, ao ponto de dormir apenas três horas em um dia normal de trabalho. Mesmo com tanto esforço, na época ele não conseguia sua própria série, o que o levou a pensar em desistir da carreira como mangaká. Mas, para a sorte de milhões de fãs, ele desistiu de desistir. Após uma crise criativa, Oda deu início a um novo one-shot, chamado Romance Dawn. O protótipo do que viria a ser um dos maiores mangás da história mostrava o aspirante a pirata Monkey D. Luffy usando seus poderes de borracha para ajudar uma garotinha a resgatar seu pássaro.

A marca da caveira é um símbolo de convicção
AVATAR-LUFFY
Monkey D. Luffy

Quando Romance Dawn foi lançado, em 1996, teve um bom retorno do público, o que deu gás para Oda finalmente iniciar a sua própria série de mangás. No ano seguinte, One Piece começou a ser publicado.

E One Piece não é só a obra da vida do Oda: também foi o que o levou a conhecer a sua esposa. A modelo Chiaki Inaba interpretou a Nami na edição de 2002 do festival Jump Festa, e eles se casaram em 2004. Hoje, o casal tem dois filhos, mas Oda não convive cotidianamente com sua família. Ele mora separado deles para focar no trabalho e geralmente só encontra a esposa e filhos uma vez por semana e durante feriados.

O One Piece

Desde pequeno, Oda era apaixonado por piratas, especialmente por conta do desenho Vickie, o Viking, de 1974. Ele diz que na sétima série escreveu um rascunho de Romance Dawn, juntando sua paixão por piratas com o espírito de equipe que praticava nas suas aulas de futebol na época. Inicialmente, Oda planejou One Piece como uma série de cinco anos, mas graças à popularidade do mangá e sua paixão por esse universo, a história deve se aproximar de três décadas antes do fim.

A obra assume vários tons em gêneros diferentes, e Oda justifica que isso é por ele mesmo ser uma pessoa do tipo que se entedia facilmente, então ele varia entre ação, comédia e momentos dramáticos para continuar motivado a escrever a história. Mas essa mistura de gêneros não significa que o mangá seja inconsistente. Pah (29), co-apresentadora do Projeto Tanoshii, da Twitch, diz que a história de One Piece é extremamente envolvente e bem construída. “Essa consistência na construção dos personagens e da narrativa sempre me chamaram a atenção. Mesmo nas primeiras sagas que a gente nunca sabe o que esperar da história, os personagens interessavam muito”. A criadora de conteúdo afirma que segue firme na história para saber o que é o One Piece no fim das contas. “A gente ganha várias dicas [do que é o One Piece] durante a história, mas nunca é tão óbvio quanto parece. O Oda faz isso muito bem, ele cria um universo muito rico”, explica.

O processo de Oda não é muito comum para um mangá tão grande. Ele gosta de trabalhar com a menor quantidade de assistentes possível e prefere desenhar a maior parte do mangá por conta própria. Além disso, sempre que há um flashback repetindo uma cena que já foi desenhada em outro capítulo, ele faz questão de desenhar tudo de novo. Para Pah, o traço do Oda é bastante estilizado e sai do realismo habitual, que não é a praia dele. “Na obra, ele é bastante consistente nessa questão. Ele usa muitas referências do nosso mundo, não apenas da cultura asiática, mas ocidental também”, diz a criadora de conteúdo, que lê o mangá desde 2002. “Com o sucesso que ele conquistou com One Piece, Oda tem carta-branca para desenhar o personagem que ele quiser. Pode ser o mais estranho possível, mas ele vai lá e faz. Acho que até hoje não temos um autor, pelo menos na Shonen Jump, que consiga ser tão plural assim”.

As sagas de One Piece

A história de One Piece começa na saga de East Blue, com a jovem tripulação formada apenas por Luffy, Zoro, Usopp, Sanji e Nami. Atualmente, a obra conta com nove sagas, sendo Yonkou a mais recendo, e tem previsão de ser encerrada na décima. Confira:

Para Pah, dentre todas as sagas de One Piece, Water 7-Enies Lobby é sua favorita. “Tem de tudo um pouco. Tem emoção, drama. A gente se surpreende com lutas, com novos poderes. A gente ainda tem conexões com os personagens mais importantes da obra. É isso. Muito choro, briga no bando, barco sendo queimado [alerta de gatilho para os fãs do anime]”, conta. “De maneira geral, é a saga mais completa. Ela conversa com outras sagas e tem muita coisa, além disso”, explica. Na outra ponta, outra saga não a agrada tanto assim. “Dificilmente eu daria uma nota ruim para algum arco de One Piece”, explica. “Mas a saga que mais me incomodou, que me deixou angustiada na época, foi Marineford”, continua. “Acho que poucas pessoas diriam essa é a saga que menos gostam, mas para mim, foi muito difícil ter uma saga que me convencesse de que o Luffy estaria travando uma guerra com as pessoas mais fortes do universo [de One Piece] naquele momento. Acho que o Oda se perde um pouco no nivelamento de poder aí. Mas deu tudo certo”.

Com 25 anos, nada mais comum que a história passe por alguns altos e baixos, mas ainda assim, One Piece consegue se manter em alta. Por isso, o mangá já teve mais de 500 milhões de cópias vendidas em quase 60 países (sem contar as edições semanais da revista Shonen Jump). Desde 2014, Oda e One Piece constam no The Guinness Book of World Records "pelo maior número de exemplares de uma mesma série de comic books publicados por um único autor". Além disso, até hoje, o mangá é único com tiragem inicial superior a 3 milhões de exemplares, continuamente, por mais de 10 anos, desde 2010.

Graças a esses números, a obra se tornou o mangá mais bem vendido da história, superando até as vendas das HQs do Batman em seus 83 anos, e se transformando no segundo quadrinho mais vendido da história (atrás apenas do Superman, com 600 milhões de unidades vendidas). Por isso, Eiichiro Oda está na lista dos dez autores de ficção mais vendidos de todos os tempos, ao lado de nomes como Sidney Sheldon, Agatha Christie e William Shakespeare.

O sucesso imediato do mangá fez com que uma animação viesse pouco tempo depois. No dia 20 de agosto de 1999, ia ao ar no Japão o primeiro episódio do anime que cruzaria gerações. Com pouquíssimas pausas ou fillers, One Piece completou 25 anos com 1025 episódios e vários especiais, alguns deles resumindo sagas inteiras como no caso de Alabasta e Skypie. Com tanto conteúdo, o que não falta são momentos marcantes para se recordar, mas poucos se igualam à primeira abertura, “We Are”, do cantor Hiroshi Kitadani. Além da música empolgante, a abertura é precedida por uma narração que qualquer fã sabe recitar de cor.

Riquezas, fama, poder… um homem conquistou tudo que o mundo tinha a oferecer, o Rei dos Piratas, Gold Roger. Antes de ser executado, suas últimas palavras levaram multidões aos mares: ‘Querem o meu tesouro? Fiquem a vontade para pegá-lo! Procurem, nele está tudo que este mundo pode dar a vocês!’. Homens cheio de esperança partiram em busca desse tesouro dos sonhos em direção à Grand Line, e assim teve início A Grande Era dos Piratas!
DESKTOP-OP-GAMES_v1_crop
Abertura de One Piece

One Piece chegou a ser exibido dublado no Cartoon Network, em 2006, e no SBT, em 2008, mas com apenas 57 episódios dublados na época. A falta de dublagem, no entanto, não diminuiu a paixão dos fãs, que buscaram formas alternativas de continuar acompanhando o desenho e até se dedicaram a acompanhar a história pelo mangá. Anos depois, com a chegada dos serviços de streaming, o contato com o anime foi facilitado. A Crunchyroll, serviço especializado em distribuição de animes, começou a exibir One Piece em português, simultaneamente com o Japão, em 2013, a partir do episódio 619, no arco de Punk Hazard. Desde então, os fãs nunca deixaram de prestigiar a série. Segundo dados cedidos pela Crunchyroll, nos últimos 12 meses, One Piece está entre as cinco séries simulcast (ou seja, exibidas em simultaneidade) mais assistidas no Brasil. O interesse do público pela obra cresceu mais ainda a partir do arco do País de Wano, que teve início em meados de 2019.

A voz de One Piece

Quem acompanha o anime semanalmente é impactado pela dublagem original de Mayumi Tanaka. A atriz, de 67 anos, dá voz a Luffy desde o primeiro episódio do anime, com um lugar muito especial no coração dos fãs do Chapéu de Palha. Mayumi nasceu no dia 15 de janeiro de 1955, em Tóquio, e seu primeiro grande trabalho com dublagem foi no anime Run Fast! Ruben Kaiser, entre os anos de 1977 e 1978. Após esse trabalho, a atriz não parou mais e atuou no filme O Castelo no Céu, de Hayao Miyazaki, em 1986. No ano seguinte, ela assumiu como a voz original do personagem Kuririn, da franquia Dragon Ball. No início dos anos 1990, Mayumi colocou a voz em outra grande franquia ao dublar o personagem Koenma, no anime Yu Yu Hakusho. O papel em One Piece só veio em 1999, mas a química da atriz com o personagem é tão intensa que, hoje, a simples ideia de substituí-la pode ser ofensiva para os fãs.

E se o assunto é dublagem, não podemos deixar de falar das vozes brasileiras de One Piece. Atualmente, a Netflix disponibiliza 13 temporadas do anime com dublagem em português. São 325 episódios que trazem momentos épicos do anime na tão amada versão brasileira. Tanto a nova versão de Luffy cantando em Skypie quanto a “aparição” de Silvio Santos no anime foram marcantes para os fãs, e por trás desses momentos está a atual equipe de dublagem do anime. Atualmente nas mãos do estúdio UniDub, One Piece tem direção de Glauco Marques, que também dubla o Zoro, Carol Valença como voz de Luffy; Tatiane Keplmair dublando a Nami; Adrian Tatini como Usopp; Wendel Bezerra como a voz de Sanji; Agatha Paulita dublando o fofo Chopper; Samira Fernandes como Nico Robin; Duda Ribeiro como Franky e Guilherme Briggs como voz do ossudo Brook. Além de dar um gosto e humor mais regional ao anime, o time de dubladores tem um importante papel em tornar One Piece mais acessível para todos.

O bando do Chapéu de Palha

E já que citamos os dubladores dos piratas do Chapéu de Palha, conheça um pouquinho da história e personalidade de cada um dos personagens:

O bando do Chapéu de Palha

E já que citamos os dubladores dos piratas do Chapéu de Palha, conheça um pouquinho da história e personalidade de cada um dos personagens:

Mas seja como for, mangá ou anime, dublado ou legendado, o que não falta em One Piece são fãs fieis. Alguns amam tanto a saga de Luffy que não conseguem guardar tanto sentimento para si e buscam meios de compartilhar a experiência. Foi o que aconteceu com Matheus Joy Boy (34), um dos principais criadores de conteúdo sobre One Piece, no Brasil. Falando sobre a obra desde 2012, Matheus sentiu uma urgência de falar sobre a trama que estava consumindo: “essa vontade me fez começar a criar vídeos em uma comunidade no Orkut, em 2012. Aí foram surgindo pessoas dizendo que gostavam, aí eu fui expandindo para outros mangás também, mas o foco até hoje é One Piece”.

Assim como Pah, Matheus começou a ler o mangá no início dos anos 2000. Ele conta que a história o ajudou a superar um momento difícil da vida que foi a perda do pai, em 2001. “Eu fiquei encantado com a obra”, conta ele, que conheceu a mulher com quem tem um filho através da paixão comum por One Piece. Mas diferentemente de Matheus e Pah, muitos fãs do anime tiveram contato com a obra quando “o bonde já havia partido” e pegaram um anime ou mangá com 500 semanas para colocar em dia. Isso, segundo Matheus, é refletido em seu público, que conta com outras pessoas adultas, mas também crianças. Para ele, esse choque geracional que One Piece proporciona é muito significativo, pois, permite um diálogo mais amplo e variado em torno da obra.

Durante seus mais de 20 anos acompanhando One Piece, poucas coisas incomodaram Matheus, pelo contrário. Ele diz que gosta até mesmo das sagas menos populares. “Tem muita gente que não curte o Arco de Skypie, e quando comecei a ler o semanal, estava em Water 7-Enies Lobby, que vem depois. E Skypie tem um desenvolvimento lento, quem acompanhou semanalmente achou um desenvolvimento lento. Tem um pé de feijão que nunca cai… você vai ficando impaciente com aquilo”, brinca Matheus. “Mas, no geral, não vejo tantos defeitos assim”, afirma.

Qual é o melhor ou pior arco de One Piece pouco importa. Afinal, se analisarmos a obra como um todo, vemos que a riqueza de detalhes e precisão de estendem por todos os capítulos. A discussão que vez ou outra volta para a mesa dos fãs da franquia é se a história é política ou não. Muitos dizem que sim, outros afirmam que não e alguns até acusam criadores de conteúdo de analisar a obra através de sua própria visão de mundo, sela ela qual for. Analisando tecnicamente, One Piece claramente traz política em todos os seus momentos. Veja bem: Luffy é um pirata e para ele praticar pirataria é necessário que alguém tenha definido o que é ou não considerado crime de pirataria, ou seja, criado leis. Consequentemente, temos um órgão que controla e pune quem não cumpre a lei — a marinha — e o Governo Mundial, que as definem e alteram ao seu bel-prazer. Para Matheus, a história tem muita política e pautas sociais. “Você vê gente desesperada passando fome em Wano. O Oda fala sobre consciência de classe, luta contra opressão. Já no começo, Luffy escolhe o símbolo dos piratas em vez da marinha. Se a gente parar para pensar, geralmente os protagonistas escolhem se juntar a um grupo militar ou paramilitar, mas em One Piece, Luffy escolhe a liberdade”, diz ele, antes de citar os Dragões Celestiais, nobres que governam o mundo e usam capacetes de vidro para não respirar o mesmo ar que a plebe.

O traço do pirata

É impossível falar da série animada sem falar da animação em si. Por ter mais de 20 anos de transmissão, One Piece cruzou grandes momentos da indústria de animação japonesa, indo do 2D clássico ao melhor que os estúdios de efeitos visuais conseguem entregar atualmente – embora nem sempre seus traços sejam regulares. Caio "Nomichi" Lemos (22), criador de conteúdo e fundador da Sakuga Brasil, site especializado em animação japonesa, diz que muitos fãs de One Piece consideram a obra muito mal animada. “Por ser uma longa produção, um anime produzido continuamente, ele é uma produção mediana. Ele teve seus altos e baixos, mas sempre que há um clímax, o anime consegue entregar uma animação boa”, explica ele. Para Nomichi, o anime perdeu a dependência de animadores específicos e agora consegue atingir altos níveis mesmo com diferentes equipes.

E para quem torce o nariz para o uso de computação gráfica nos animes, o recurso foi usado em vários momentos de One Piece, como explica Nomichi. “A Toei Animation está investindo muito em filmes com CGI, como Dragon Ball Super: Super Hero, e ela tem um departamento muito bom de computação gráfica. No anime de One Piece, a gente tem exemplos dessa tecnologia no Kaido dragão, nos navios e tudo mais”, diz ele, que justifica o receio de alguns fãs: “a computação gráfica na indústria de animes não tem um nível Pixar ou Disney, até porque são produções totalmente diferentes. Só que a computação gráfica na indústria de animes vem para somar e está melhorando bastante”.

Na grande linha do cinema

Em seus 25 anos, One Piece acumula 12 filmes e um décimo terceiro, Red, que será lançado em agosto de 2022. O primeiro longa, de 2000, veio pouco tempo depois da estreia do anime e fez muito sucesso, garantindo um segundo longa já no ano seguinte. Até o ano de 2006, One Piece teve filmes sendo lançados anualmente. Após uma pausa de três anos, a franquia retornou Strong World, em 2009. Em 2011, uma de suas produções mais curiosas ganhou vida: um filme com animação 3D.

Assim como dito por Nomichi anteriormente, a computação gráfica está muito presente nas animações de One Piece e deve retornar com forma em Red, filme que deve mostrar detalhes sobre Shanks, o Ruivo.

Confira abaixo um pouco da história de cada um dos filmes do universo de Eiichiro Oda:

Gomu Gomu no Game

Além do mangá, anime e filmes, One Piece atravessa fronteiras e chega ao mundo dos jogos. Com várias versões publicadas, a franquia pode ser encontrada tanto em jogos mobile como em consoles robustos.

One Piece GBA

One Piece para o Game Boy Advance é um jogo de ação lançado exclusivamente para o mercado portátil americano. Ele adapta parcialmente a Saga East Blue, narrando as aventuras de Luffy, Zoro, Usopp, Sanji e Nami em sua viagem para a Grand Line.

O jogo em pixel art foi desenvolvido pela Dimps Corporation, publicado pela Bandai e lançado nos Estados Unidos em setembro de 2005.

One Piece Treasure Cruise

One Piece Treasure Cruise é um RPG baseado nas sagas do anime One Piece, com mais de 100 milhões de downloads em todo o mundo, segundo a loja de aplicativos do Google. No game, os jogadores podem recrutar seus personagens favoritos do anime e construir a própria tripulação e encarar desde Buggy, o Pirata até Trafalgar Law.

Os jogadores ainda podem encarar a marinha através da mecânica clássica de batalha de RPG baseada em turnos. Desenvolvido e publicado pela Bandai Namcon, One Piece Treasure Cruise foi lançado em 2014 para dispositivos Android e iOS.

One Piece: Pirate Warriors 3

Publicado pela Bandai Namcon, o jogo de ação multiplayer é uma colaboração da Toei Animation com a desenvolvedora. A história segue os Piratas do Chapéu de Palha a partir do arco da vila Fuschia até ao reino de Dressrosa, uma ilha misteriosa dominada pelo malvado Doflamingo. Além do vilão, Hordy Jones, Ceasar Clown entre outros serão obstáculos para os jogadores.

No jogo, lançado em 2015, os players poderão se unir para repetir a história original, inclusive em batalhas épicas como Marineford, Ilha dos Homens-Peixe e Punk Hazard, além da já citada Dressrosa.

Chapéus de Palha em carne e osso

Desde que a Netflix anunciou a produção da série live-action de One Piece, muitos fãs ficaram assustados e com um pé atrás sobre a necessidade dessa adaptação. Quando pensamos em adaptações live-actions de anime, é mais comum lembrarmos das obras ruins antes das boas. Isso porque, em alguns casos, o gosto amargo da decepção é maior que o da recompensa de uma boa adaptação, como são os casos de Oldboy e Alita: Anjo de Combate.

O universo de One Piece torna as coisas ainda mais complicadas para o lado da Netflix. O protagonista, Monkey D. Luffy, é um homem-borracha que consegue esticar qualquer parte do corpo. Ele faz isso constantemente, seja para afanar comida antes da hora, fazer uma piada ou dar uma surra em algum militar da marinha. Recriar as cenas épicas de Luffy em CGI será um grande — e caro — desafio para o streaming. Mas esse cenário não se aplica apenas às habilidades do personagem.

Como falamos anteriormente, todo o universo criado por Eiichiro Oda foge do convencional e aposta em uma estética fantástica que só ele possui. Os animais, as plantas, os barcos e até o figurino dos personagens são um desafio por si só em uma adaptação live-action, e mudá-los para facilitar o trabalho da equipe poderia ser um tiro no pé da produção.

No elenco principal, os atores Iñaki Godoy (Quem Matou Sara?) e Mackenyu (Samurai X) foram escalados para interpretar Monkey D. Luffy e Roronoa Zoro, respectivamente. Jacob Romero Gibson (Greenleaf) será Usopp, Emily Rudd (Rua do Medo) será a ladra de piratas Nami, enquanto o maior cozinheiro de East Blue, Sanji, será interpretado por Taz Skylar (Villain). Shanks, o Ruivo, será interpretado por Peter Gadiot. Recentemente, o streaming anunciou Colton Osorio como a versão criança de Luffy — a última interação do personagem com Shanks se deu na infância.

Morgan Davies (The End), Ilia Isorelýs (A Vida Sexual das Universitárias), Aidan Scott (A Barraca do Beijo 2), Jeff Ward (Agents of SHIELD), McKinley Belcher (História de um Casamento) e Vincent Regan (300) foram escalados como Koby, Alvida, Helmeppo, Buggy, Arlong e o Almirante Garp, respectivamente. Ainda entre os personagens de apoio temos o vilão Klahadore sendo interpretado por Alexander Maniatis, enquanto a doce Kaya é vivida por Celeste Loots; o maior espadachim da Grande Line, Mihawk, será vivido por Steven Ward; Craig Fairbrass será o ranzinza Chef Zeff; Langley Kirwood será o maléfico Capitão Morgan e Chioma Umela será Nojiko, irmã de Nami.

A equipe por trás da adaptação tem nomes bem interessantes, a começar pelo showrunner Steven Maeda, que trabalhou em alguns episódios de Lost e CSI: Miami. Na direção, teremos Marc Jobst, que trabalhou em outras grandes produções da Netflix como The Witcher e O Legado de Júpiter, além das séries de Luke Cage e Demolidor. O roteiro ficará nas mãos de Tom Hyndman, da animação Harley Quinn, e Matt Owen (Agentes da S.H.I.E.L.D, Luke Cage e Os Defensores), que assina um episódio. Marty Adelstein e Becky Clements serão produtores executivos — e até a publicação desse texto não há data de estreia confirmada.

Oda não está diretamente ligado à produção, mas em uma carta, acalmou o público: "Estamos trabalhando com a Netflix e a Tomorrow Studios no projeto massivo que é a série live-action de One Piece em Hollywood! Quantos anos faz que anunciamos isso, certo? Eu sei, eu sei! Mas fiquem tranquilos, estivemos progredindo aos poucos durante todo esse tempo. Não é fácil quando você está trabalhando com pessoas de diferentes culturas, mas é precisamente este processo que pode produzir algo especial”, disse.

Até o fim do mundo

Após 25 anos de história, navegando por mares desconhecidos com seu log pose (bússola especial do anime), Monkey D. Luffy e sua tripulação finalmente parecem estar a caminho do fim do mundo, lar do tão cobiçado One Piece. Calma, não precisa ficar triste. Isso não significa que a obra está perto de acabar. O autor realmente confirmou que está trabalhando no arco final do mangá, mas o derradeiro fim não deve acontecer até pelo menos 4 anos.

No mês em que sua obra completa 25 anos, Oda decidiu fazer um hiato para se concentrar na criação da última saga. Ele publicou um texto na revista Shonen Jump falando sobre a última aventura de Luffy.

Quando eu era garoto, sonhava em ser alguém que criaria o mangá com o arco final mais empolgante de todos. Espero estar à altura desse desafio! Agora, temos só um restinho do arco Wano, e tudo está pronto. Me preparei para isso durante 25 anos! Dito isso, está tudo certo se você resolver ler One Piece começando deste ponto, porque a partir de agora, abordaremos “o” One Piece! Desenharei todos os novos mistérios deste mundo e será muito interessante. Apertem os cintos e, por favor, fiquem comigo só mais um tempinho.
AVATAR_ODA2
Eiichiro Oda

Realmente, há muitas perguntas que One Piece precisa responder, e o que é o bendito One Piece, o tesouro de Gol D. Roger, realmente deixou de ser a maior questão nos 25 anos da obra. Os mistérios da Akuma no Mi que Luffy comeu, as intenções de Shanks e os segredos do século perdido — época apagada da história pelo governo — são questões que atormentam os fãs do mangá.

Pah, que há mais de 20 anos aguarda respostas sobre a obra, está empolgada para o final do mangá. “Eu sei que muita gente às vezes se conecta a One Piece pelo Luffy, não exatamente para saber o que é o One Piece, e ficam satisfeitas com a própria jornada em si, mas o que me manteve na leitura foi querer saber os mistérios. Eu quero saber tudo. Quando o Oda revelar esses mistérios, eu serei a pessoa mais feliz do mundo”, diz. “Eu acho que o Oda consegue trabalhar vários spin-offs depois que ele terminar One Piece, só que não de continuação. Mas sem filho! Sem filho de Luffy, Zoro, Sanji. O Oda nunca Demonstrou interesse em fazer algo assim, e dificilmente será uma coisa boa. Não temos boas experiências com continuações desse tipo”, brinca.

Quem também está com as expectativas lá em cima é Nomichi. Apesar de ser mais jovem que a obra, ele se apegou muito quando começou a ler e agora aguarda um final épico. “Em geral, final de mangá shonen é decepcionante”, diz ele sem citar os títulos que vieram à mente. “Só que nesse caso é algo em que o cara está trabalhando há 25 anos. Ele está há muito tempo planejando isso e ele é muito organizado. Então eu acho que vai ser bem bom”.

E se você é do time dos que tem medo de encarar uma maratona de mais de mil capítulos de mangá e/ou mil episódios de anime, Matheus Joy Boy diz que a jornada é longa, mas vale muito a pena. “A gente tem uma construção de mundo excelente, o cara não perde a mão. O tamanho pode assustar, mas se você estiver disposto a desbravar aquele mundo ao lado do Luffy, rindo e se emocionando com ele, não vai se arrepender”, afirma. “É uma história muito rica e original. Se em Star Wars temos milhares de planetas, em One Piece podemos ter milhares de ilhas, então é um universo muito amplo e que te ensina muito sobre sociedade. Acho que todo mundo se transforma quando lê. One Piece vai te tornar uma pessoa melhor”.

Fã do mangá ou não, é inegável a relevância de One Piece e todo o trabalho que Eiichiro Oda construiu em mais de 25 anos. Se um dia ele se questionou se o trabalho dele era bom o bastante para ganhar uma série, hoje ele vê seu trabalho com cadeira cativa no panteão das obras japonesas. Nem mesmo dez textos como este seriam o bastante para falar sobre toda a história de One Piece e seu impacto, mas 25 anos de sucesso não é uma marca que possa ser ignorada. De qualquer forma, a você, caro leitor, que chegou até aqui, o meu muito obrigado. Que possamos compartilhar muitos anos mais no rastro do Chapéu de Palha — seja no anime, mangá, live-action ou videogame —, compartilhando grandes momentos com Monkey D. Luffy, aquele que se tornará o Rei dos Piratas!

Publicado 03 de Agosto de 2022
Reportagem: Pedro Henrique Ribeiro | @OiPhRibeiro
Projeto Gráfico e ilustrações: Jessica Justino | @pipocaartistica
Designer: Kaique Vieira | @kaicovieira
Direção de arte: Luiz Carlos Torreão | @luizcarlostc
Edição: Beatriz Amendola | @bia_amendola
Coordenação: Jorge Corrêa | @jorgecorrea_
Colaboração: Moo | @kidzastr
Colaboração: João Filipe Lima | @joaofilimas