Cena de Shazam!

Créditos da imagem: Shazam!/Warner Bros./Divulgação

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Por que Shazam! é o filme certo na hora certa para o universo DC

Longa estreia nesta quinta

João Luis Jr.
01.04.2019
14h37
Atualizada em
01.04.2019
15h23
Atualizada em 01.04.2019 às 15h23

Ainda que sejam vários os motivos que explicam a trajetória tumultuada do atual universo DC nos cinemas, talvez o principal e mais simples deles seja a decisão dos executivos da Warner de que o DCU deveria ser o exato oposto do Universo Marvel, seja em termos temáticos, de organização ou mesmo em termos do quanto de luz solar poderia aparecer em cada filme.

Se na Marvel existia um grande plano, na DC os diretores teriam mais liberdade; se na Marvel às vezes havia excesso de humor, na DC não existiria humor nenhum; se na Marvel filmes individuais levariam a um grande filme de grupo, na DC um grande filme de grupo geraria vários filmes individuais.

E ainda que seja possível compreender a linha de raciocínio que levou a essa decisão (“precisamos nos diferenciar da concorrência”, “se o Batman do Nolan deu certo vamos tratar tudo como se fosse o Batman do Nolan”) a qualidade dos filmes produzidos, a recepção da crítica e todos os executivos da Warner que perderam seus empregos comprovam que essa foi uma leitura equivocada não apenas do que torna o universo DC especial como também do que torna um filme, seja ele de super-heróis ou não, divertido ou interessante.

Se os filmes “muito adultos” – insira aqui voz da Peppa Pig – da DC variaram entre não tão bons (Homem de Aço), muito ruins (Batman V Superman) ou apenas incompreensíveis (Esquadrão Suicida), foram exatamente os filmes menos preocupados em emular o Batman de Christopher Nolan e mais preocupados em respeitar os personagens e divertir quem foi ao cinema, como Mulher-Maravilha e Aquaman, que conseguiram ao mesmo tempo conquistar o dinheiro dos fãs e não causar pesadelos nos críticos.

E diante desse cenário, qual filme melhor do que Shazam! para consolidar a transição do universo DC de “um lugar sombrio onde um diretor decide que assassinar Jimmy Olsen numa cena aleatória seria um easter egg divertido” para “um mundo que faz jus ao quão colorido e fascinante um universo de super-heróis pode ser”?

Afinal, se a história de um garoto que ganha superpoderes ao pronunciar uma palavra mágica já é por si só uma ótima premissa para um filme de fantasia – e o fato do personagem por muitos anos ter vendido mais do que o Superman prova o quanto o conceito funciona – a decisão de buscar inspiração em clássicos como Quero Ser Grande e abraçar os aspectos mais leves e divertidos do personagem é um sinal claro de que o antigo Universo DC está morto e esse novo Universo DC está se consolidando com filmes melhores, mais coloridos e que tem menos medo de ser “filmes de gibi”.

Isso significa uma DC sem filmes sérios? Obviamente não. O Batman de Matt Reeves com certeza não vai ser inspirado na série da década de 1960 e os Novos Deuses de Ava DuVernay tem tudo para ser um épico que beba diretamente na obra de Jack Kirby - e o mesmo vale para o Coringa de Todd Phillips e Aves de Rapina. Mas significa que finalmente o alto escalão da Warner parece ter entendido que para fazer sucesso esses personagens não precisam nem ser todos o Batman e muito menos ser o oposto dos filmes da Marvel. Como numa comédia romântica da Sessão da Tarde, para conquistar o público os personagens da DC precisam apenas e simplesmente ser eles mesmos.