Imagem de Yara Flor, a Mulher-Maravilha Brasileira

Créditos da imagem: Reprodução/DC Comics

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Mulher-Maravilha brasileira estreia em HQ cheia de reverência ao folclore

Future State: Wonder Woman chegou às lojas norte-americanas nessa terça-feira (5)

Gabriel Avila
05.01.2021
18h30
Atualizada em
05.01.2021
19h14
Atualizada em 05.01.2021 às 19h14

Um dos momentos de maior celebração em 2020 para os fãs brasileiros da DC Comics foi o anúncio de uma HQ protagonizada por uma Mulher-Maravilha brasileira. A empolgação começou cercada de mistério, já que pouco foi divulgado sobre Yara Flor, heroína criada pela quadrinista Joëlle Jones (Mulher-Gato). Porém, antes mesmo de estrear nos quadrinhos, foi anunciada também uma série de TV da personagem na CW, o que só aumentou a ansiedade dos leitores. A espera acabou nessa terça-feira (5) com o lançamento de Future State: Wonder Woman, revista que fez bonito ao apresentar a heroína em uma história cheia de reverência ao folclore nacional.

Antes de entrar na revista, é importante lembrar que Yara Flor é uma das personagens que estão estreando no DC Future State, linha editorial de quadrinhos ambientados no futuro, em uma linha do tempo vasta que vai de 2025 até o fim dos tempos. Ainda que a HQ solo caminhe de forma completamente independente, é válido citar o contexto, já que ela também vai dar as caras em outros títulos como Liga da Justiça e Superman/Mulher-Maravilha. Dito isso, é impressionante como Joëlle Jones criou um ponto de partida empolgante para a heroína.

Capa da HQ Future State: Wonder Woman
Divulgação/DC Comics

Sem tempo para sutilezas, a história começa no meio de um embate entre Yara Flor e uma hidra selvagem. Após belas páginas de uma porradaria mitológica - que envolvem ainda Jerry, o pégaso de estimação da amazona -, ela derrota o monstro até ser surpreendida pela Caipora. Guardiã das florestas, a entidade não deixa a jovem usar um chifre do animal abatido como moeda de troca no submundo e decide levá-la. Assim se inicia a jornada de Yara para recuperar uma irmã que está sob o controle de Hades.

Com uma premissa extremamente simples, o quadrinho encanta por ir direto ao ponto. Uma escolha natural, considerando que se trata de uma minissérie em duas partes, mas muito bem executada por Joëlle Jones. Responsável pelo roteiro e pela arte da HQ, a quadrinista estabelece com agilidade a personalidade irresponsável de Yara ao mesmo tempo em que cria todo um universo ao redor da personagem que - até o momento - em nada se aproxima de Themyscira.

Porém, a qualidade que certamente mais salta aos olhos dos fãs brasileiros é a atenção que a autora deu ao folclore brasileiro. Em entrevista ao Omelete ela já havia adiantado um “mergulho na mitologia brasileira”, e isso é palpável na primeira edição de Future State: Wonder Woman. Assim como a Mulher-Maravilha original, a proposta não é uma adaptação direta de outra cultura, mas sim uma versão ficcional que incorpora aspectos para a história que se passa no universo DC. O uso de cenários que evocam a fauna amazonense, citação de deuses indígenas e uma apresentação cuidadosa da Caipora - que nos detalhes cita características bem conhecidas das lendas - mostram uma grande preocupação em respeitar a cultura do Brasil.

Página da HQ Future State: Wonder Woman
Divulgação/DC Comics

Mais do que uma homenagem ao país, essa escolha serve para dar uma voz própria a Yara dentro do Universo DC. Ainda que haja uma sugestão de que sua dinâmica com deuses seja parecida com a de Diana e as divindades do Olimpo, no geral a heroína consegue se estabelecer de forma independente. Como fã, é normal torcer para que ela encontre a heroína de Themyscira em aventuras futuras, mas a heroína brasileira já está pronta para trilhar seu próprio caminho daqui em diante.

Com muita porradaria e respeito ao folclore, a primeira edição de Future State: Wonder Woman marca um início promissor para a Mulher-Maravilha brasileira. Mesmo que o título seja uma minissérie em duas edições, é seguro dizer que ela deve dar mais as caras nos próximos anos, já que a própria Joëlle Jones afirmou que não vai se separar de Yara Flor após a conclusão do Future State. Resta esperar que a nova representante do Brasil nos quadrinhos da DC também caia nas graças do público internacional e se una ao panteão de grandes heróis da casa.

Future State: Wonder Woman foi publicado pela DC Comics nessa terça-feira (5) e está disponível em inglês nas plataformas digitais. No Brasil a HQ será publicada pela Panini.

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