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Como a DC preparou por um ano o casamento do Batman

Confira a linha do tempo da aproximação do Morcego e da Mulher-Gato

Marcelo Hessel
07.06.2017
15h42
Atualizada em
29.06.2018
02h35
Atualizada em 29.06.2018 às 02h35

Na edição #24 de Batman, que saiu hoje nos EUA, Bruce Wayne pede a Mulher-Gato em casamento (leia mais). A notícia pode ter pego muita gente de surpresa, mas as preliminares do pedido já haviam sido espalhadas pela série desde o ano passado, quando o roteirista Tom King assumiu na reformulação Rebirth a HQ que Scott Snyder escrevia desde 2011.

Com King, o Batman conheceu novos super-heróis em Gotham, enfrentou kaijus, teve sua coluna quebrada de novo por Bane e fez até parceria com o Monstro do Pântano, mas o autor nunca perdeu de vista a história de Bruce e Selina. Na galeria abaixo, listamos todos os indícios de que o amor está no ar - e pode acabar mesmo em casamento.

"Estive pensando..."

Em Batman #9, o começo da história "I am Suicide", Batman precisa entrar em Santa Prisca (a prisão onde Bane nasceu) para tirar do vilão o Pirata Psíquico. Mulher-Gato é a última presa do Arkham que ele coopta para colocar seu plano em ação, dizendo: "Estive pensando, sobre você e eu. Como você deve ser a única pessoa que entende o que eu estou fazendo". Selina está mascarada nos primeiros quadros, e King passa a impressao de que Batman esta falando com o Coringa. Tem coisa aí...

Órfãos

Em Batman #10, King reconta não apenas a origem de Bane como também o confronto clássico em que o vilão quebra a coluna de Batman, mas ao mesmo tempo, sem chamar atenção, ele faz o paralelo definitivo entre a infância de Selina e a de Bruce, os dois órfãos traumatizados cuja dor, nas palavras de King, "some quando os dois se beijam". Selina imagina um futuro em que os dois possam ficar juntos, quando o Batman deixar de ser o menino rico exemplar que vive obcecado com as correções de rumo do mundo ao redor. O fato de Bane ser órfão também só será explorado melhor depois.

Parceiros na contravenção

Em Batman #11, o Morcego insiste, quando prende a Mulher-Gato pela morte dos duzentos e tantos terroristas que causaram a morte das crianças do orfanato dela, que prendê-la é inevitavel, mesmo sabendo que ela será condenada à morte. Selina diz, porém, que o plano de usá-la para invadir Santa Prisca na verdade também seria uma forma de tirá-la do Arkham. A edição sugere que Batman não coloca a moral acima de tudo e pode, até, flertar com uma parceria ilegal com Mulher-Gato.

Só você me entende

Em Batman #12, Bruce narra a carta que escreveu para a Mulher-Gato, em que conta que tentou se matar aos dez anos, e hoje fica claro que o texto tem um caráter preemptório porque o Morcego diz que seus pais ririam do filho adulto que se fantasia para socar o crime na cara (meses depois ele encontraria o Thomas Wayne alternativo, que lhe recomendaria deixar de ser o Batman para viver uma vida "feliz"). "Mas você não riria, porque você sabe o que é isto aqui", escreve Bruce a Selina. Almas gêmeas.

"A dor se vai"

Na mesma edição 12, importante na trajetória toda, depois de enfrentar sozinho todo o exército de Bane em Santa Prisca, Batman sacramenta o futuro pedido de casamento ao dizer que a Mulher-Gato está certa, que a dor se vai quando eles se beijam, "e por um momento dividimos nossa morte, por um momento não morremos sozinhos". Esse papo de não morrer sozinho parece ou não voto de casamento?

Voadora do amor

Em Batman #13, o plano de invadir Santa Prisca e pegar o Pirata Psiquico chega ao fim, não sem antes Batman e Mulher-Gato trocarem um beijo no mar à espera do batsubmarino, como num final de filme de James Bond. O team-up fica completo com a bela voadora que Selina aplica nas costas de Bane. Que dupla!

A transa

Em Batman #14, que se passa após o sucesso do plano contra Bane, Batman precisa enfim devolver a Mulher-Gato à prisão. Eles transam num telhado de Gotham como numa despedida, e a edicao é toda sobre as preliminares. Não é a primeira vez que os dois transam nos quadrinhos, evidentemente, mas o essencial aqui é que Batman consegue reverter a pena de morte dela em prisão perpétua, e transferi-la do Arkham para Blackgate. Batman tem Jim Gordon como testemunha e fica implícito entre os dois que é assunto de homem para homem.

Tensão

A prova de que o sexo teve importância na edição anterior é que em Batman #15 a história começa logo em seguida da transa; Bruce e Selina relembram o dia em que se conheceram, dizem que se amam... Só nao viu os sinais quem não quis. O fato de a edição terminar com Mulher-Gato enganando o Batman e na seguinte salvar a vida dele só adiciona um pouco de necessária tensão à complicada relação.

Crise conjugal

A crise. A edição 16 é como o terceiro ato das comédias românticas: você sabe que eles vão terminar juntos mas é preciso que algo desestabilize a relação para que eles a discutam e percebam que não vivem um sem o outro. Batman ainda se ressente da fuga da Mulher-Gato e de como o caso Holly - que tem a ver com a sentença de Selina pelos dezentos assassinatos - expôs sua fragilidade de homem e de vigilante.

Só amigos?

Na edição 18, Tom King parecia ter colocado de lado a relação com Selina para focar no duelo entre Batman e Bane (que quer se vingar pela derrota em Santa Prisca), mas a discussão da relação continua. Desta vez, Mulher-Gato, ajudando de novo o Morcego, diz que os dois são "amigos" quando não encontra (ou evita usar) termo melhor para definir o que os dois vivem conjugalmente.

O aval do pai

Em Batman #22, o golpe final antes do pedido de casamento é o aval do pai: o Thomas Wayne da realidade alternativa de Ponto de Ignição aconselha Bruce a deixar Batman e "buscar a felicidade". Thomas (que acaba de saber que é "avô") diz que Bruce pode ser um pai presente para seu filho, mas depois descobrimos que é em Selina que Batman pensa quando considera buscar uma jornada alternativa à da vida de vigilante solitário.