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Lembra desse? Batman no cinema - Parte 5

Batman Eternamente e Batman & Robin: 15 anos sem Joel Schumacher

José Aguiar
20.06.2012
00h00
Atualizada em
29.06.2018
02h31
Atualizada em 29.06.2018 às 02h31

[Artigo atualizado em 20/06/12, celebrando os 15 anos de Batman & Robin, o último filme de Joel Schumacher com o herói]

Na década de 1990, depois dos Batman de Tim Burton, a Warner Bros. chamou para a condução da franquia um diretor na época conhecido por filmes "sérios". Entrava em cena Joel Schumacher.

Pelo visto, o homem empolgou-se com o projeto. Além da conta, por sinal. Tanto que não vou me dar ao trabalho de realizar análises muito profundas dos dois filme do Morcegão que o dito cujo dirigiu. Ambas as produções são tão lamentáveis que não merecem o esforço.

Uma coisa é uma produção capenga que gera (mesmo que involuntariamente) algumas boas risadas. Outra bem diferente são duas superproduções presunçosas, que ofendem a inteligência do espectador sem dó nem piedade. Afinal, se os filmes anteriores tinham suas virtudes, Schumacher fez questão de ignorá-las e dar uma colorida no mundo do Cavaleiro das Trevas.

Ai que saudades do Burton...

Em 1995, chegou às telas Batman Eternamente, agora com um novo ator por baixo do capuz do morcego. O galãzinho Val Kilmer até que tentou, mas era inexpressivo demais para impor respeito como um Batman decente; ainda mais usando uma armadura com mamilos salientes e protagonizando uma das mais deprimentes cenas da história das adaptações das HQs para as telas:

O close das NÁDEGAS de Batman
enquanto veste as calças do uniforme!

Não bastasse a cena degradante, vemos que o dito tem um zíper dividindo seus bat-glúteos! Para piorar a situação, trouxeram Robin (Chris O´Donnel) de volta do limbo, provido claro, de mamilos igualmente assanhados como os de seu parceiro. Agora, porém, ele não é mais um menino órfão e indefeso, e sim um mauricinho com quase trinta anos nas costas, que Bruce Wayne acolhe em sua casa... Depois não querem que suspeitem do relacionamento dos dois. Resultado: fotos da dupla dinâmica foram um dos artigos gays mais vendidos naquele ano.

É claro que os produtores não podiam dar muito na cara. Então puseram a estonteante Nicole Kidman (numa das piores atuações de sua carreira até ali) como o interesse romântico do Morcegão. Sua personagem, a psicóloga Chase Meridian, faz de tudo para seduzir o vigilante de Gotham, mas mesmo assim a coisa não decola; até porque, dois malvadões sem unem contra ele: O Charada, vivido por Jim Carrey em sua pior fase careteira e O Duas-Caras na pele de Tommy Lee Jones, na pior e mais equivocada atuação do filme. Dois tremendos desperdícios de bons personagens. Um duelo de risadinhas, caras e bocas afetadas condizentes apenas com o carnaval que é este filme.

No fim, o Duas-Caras morre e o Charada, que graças a seu pavoroso aparelho leitor de mentes, havia descoberto a identidade secreta do Batman, enlouquece e vai parar no Asilo Arkham. A única coisa divertida nessa balbúrdia toda é a música "Hold me, trill me, kiss me, kill me" que a banda U2 compôs para o filme. E olha que ela só toca nos créditos finais...

BAT-SINAL VERMELHO:

  • O Batmóvel que sobe pelas paredes: Inveja do Homem-Aranha. Só pode.
  • O uniforme do Robin: Acredita que Alfred o costurou na surdina sem que o Batman soubesse?
  • O leitor de mentes do Charada : Um capacete em forma de liquidificador. O que mais posso dizer?
  • A Segurança da Mansão Wayne: Primeiro Dick Grayson (o Robin), descobre a Batcaverna na maior moleza. Depois, os vilões simplesmente entram pelo portão da frente.
  • Joel Schumacher como diretor: De quadrinhos e Batman, ele entende menos ainda do que Tim Burton. Isso é um prodígio.

DANDO UM TIRO NO CADÁVER

Em 20 de junho de 1997, há 15 anos, Schumacher aprontou de novo. E aprontou BONITO.

Tudo o que não pôde fazer no filme anterior, ele concretizou em Batman & Robin: Uma paródia milionária do seriado cômico dos anos 60!

Mais colorido, mais exagerado e extravagante. Um verdadeiro desfile carnavalesco de plumas, paetês e carros alegóricos com luzes de neón.

O galã emergente George Clooney caiu na maior roubada da sua carreira ao aceitar ser o novo Homem-Morcego. Pior ainda, faz o Batman mais feliz de toda a série. De tão fascinado que devia estar com todas as luzes coloridas que piscavam ao seu redor, nem se sentiu mal em escorregar pela cauda de um dinossauro como se fosse o Fred Flintstone ou de usar o escabroso Bat-cartão de crédito para terminar de denegrir a pouca decência que sua personagem ainda carregava.

JOGANDO A PÁ DE CAL

Para demolir de vez o barraco, Robin está passando por um crise-de-menino-rico e quer ser mais independente. Quando nada mais poderia parecer mais ultrajante, surge a Batgirl (a patricinha Alicia Silverstone) para terminar de exterminar as personagens clássicas da mitologia do Morcego.

E os vilões? Hera Venenosa, interpretada por Uma Thurman, parece uma drag-queen depois da feira. Nem sensual, nem engraçada, cai num monte de produtos químicos e sofre uma mutação genética para atazanar Gotham e a paciência do público. O mesmo vale para o Sr. Frio de Arnold Schwarzenegger, em uma atuação ruim até mesmo para seus padrões de brucutu. Além disso, deram um jeito de colocar o sub-vilão Bane na história e transformá-lo num pseudo-Hulk.

O resultado da bagaça: Um sono gostoso, pois nem como comédia dá para encarar esse filmeco. Sem dúvida, um dos piores de todos os tempos, de dar inveja ao sagrado Ed Wood. Depois de tamanho vexame, não é de se surpreender que a cinessérie do Morcego foi descansar em paz até os filmes de Christopher Nolan depois disso.

No entanto, para não parecer injusto, devo ressaltar as duas ÚNICAS virtudes das duas últimas Bat-películas:

Fazer com que os dois filmes de Tim Burton não pareçam tão ruins.

Demonstrar, sob todos os aspectos possíveis, como NÃO deve ser uma adaptação de HQs para as telas.

O MELIANTE SE DEFENDE

 

Quando do lançamento do derradeiro filme da série, nosso talentoso diretor esteve no Brasil e numa coletiva, deu sua opinião sobre o por quê de Bruce Wayne ser o Batman: "Porque é divertido! Muito divertido! Ele é rico, bonito e fica com todas as mulheres lindas. Tem os brinquedos mais legais da cidade, um uniforme sensacional e sempre ganha!"

E Schumacher não sossegou o facho por um bom tempo. Mesmo jogando fora duas chances de fazer o tão sonhado filme definitivo do Homem-Morcego, tentou pôr suas mãozinhas felizes no projeto Batman: Ano Um. Ele queria uma Mulher-Gato negra e transbordante de sensualidade como a vilã do filme. Graças aos céus Schumy nunca conseguiu seu intento. Os fãs e a humanidade, como um todo, agradecem.

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