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Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge | Visita ao set de filmagem - Parte 2

Leia trechos das entrevistas com a figurinista Lindy Hemming, o chefe dos efeitos especiais, Chris Corbould, o chefe dos dublês, Tom Struthers, e o produtor Jordan Goldberg

Marcelo Forlani
10.07.2012
14h01
Atualizada em
29.06.2018
02h33
Atualizada em 29.06.2018 às 02h33

Subir à sala de imprensa do estádio Heinz Field, em Pittsburgh, foi impressionante para ver como é boa a visão dos jornalistas que vão lá comentar um jogo de futebol americano; mas principalmente porque quando chegamos lá e olhamos para o campo, ele estava todo recortado, com plataformas suspensas que mimetizavam à perfeição o gramado que aparecia embaixo, com o símbolo do Gotham Rogues e tudo mais.

Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge

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Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge - Poster

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Depois de um tempo descobrimos que estar ali não era uma coincidência. Thomas Tull, dono da produtora Legendary Pictures e produtor-executivo do filme, é também um dos donos do Pittsburgh Steelers, time profissional de futebol americano da cidade. "O jogo de futebol americano sempre esteve no roteiro. É um esporte bem estadunidense e das grandes cidades. Ajuda a criar a realidade. E Pittsburgh é uma cidade muito esportiva. Eles adoram os times locais e isso ajuda a manter as pessoas lá fora empolgadas, porque estão vendo seus ídolos em campo", disse o produtor Jordan Goldberg. "Ter futebol americano só ajuda a aumentar a expectativa. Vocês vão ver que as explosões que teremos daqui a pouco são bem grandes. É uma daquelas cenas de deixar com o queixo caído", completou

E ele estava certo, pois o melhor ainda estava por vir. Entre uma entrevista e outra com atores e equipe (veja a primeira parte desta visita ao set aqui) nos mostraram fotos até então inéditas do filme. Uma das que mais chamou atenção foi ver o que eles pretendiam fazer com o gramado que estava ali na nossa frente. O resultado final, como já foi visto de relance nos trailers, é parecido com o Coliseu - alguns trechos do gramado apareciam intactos e muitas galerias subterrâneas estavam entre os destroços. O mais impressionante foi quando vimos isso acontecer na nossa frente, com 55 "montinhos" de explosivos espalhados pelo campo cumprindo seu propósito, fazendo tudo voar pelo ar. Só o que sobrou depois foram os destroços e o odor de pólvora, que assim como o Napalm, também tem cheiro de vitória.

A complexidade da cena nos privou de conversar com Christopher Nolan, que parecia uma formiguinha no gramado, andando de um lado para o outro, conversando com um monte de gente e tomando decisões com seu chapéu de pescador, calça caqui e camisa social azul completamente ensopada com o calor que cobria Pittsburgh naquele sábado de agosto de 2011. Já o coordenador de efeitos especiais, Chris Corbould, parou um pouco para conversar com a gente. "Nunca vi uma agenda como estas. Nós rodamos bastante coisa na Inglaterra, mas desde que chegamos a Pittsburgh, temos uma grande cena todos os dias", disse.

Perguntamos a Corbould se poderíamos esperar cenas icônicas como o caminhão virando ou a cena do hospital no segundo filme. Ele disse que teríamos algumas, mas que aquelas explosões que veríamos mais tarde eram apenas "um dia normal de filmagens [risos]. As cenas que me preocupam ainda estão por vir e ainda nem sei como vou fazê-las. [risos] Uma delas aqui em Pittsburgh e a outra em Los Angeles". Ele falou ainda que nem sempre constrói tudo, porque sabe que Nolan gosta de mudar de ideia, buscar novos ângulos, o que levou à declaração de que filmar em Nova York vai ajudar a dar ao filme uma verticalidade que não tinha até então - com muitas cenas nos telhados também, onde poderemos ver uma Gotham City diferente e conhecer mais uma das novas personagens, a Mulher-Gato (Anne Hathaway).

Fashion e mortal

"Os movimentos da Mulher-Gato são bem diferentes das encarnações anteriores. Não posso falar do passado da personagem, mas o que você vai ver nos movimentos da Anne é algo gracioso e muito feminino. Ela está um espetáculo", disse o coordenador de dublês, Tom Struthers.

Ajuda também o trabalho feito pela figurinista Lindy Hemming, que disse ter se inspirado na silhueta dos anos 60 e o visual de Julie Newmar. "Achamos que poderíamos levar Anne nesta direção. Eu gosto muito do designer Thierry Mugler e queria usar aquelas formas no figurino. É bem diferente, vocês vão perceber quando puderem ver tudo, a forma vai das suas roupas normais para o uniforme da Mulher-Gato. É bem minimalista", disse. E o figurino ficou tão fashion quanto mortal, com saltos altos que também funcionam como lâminas, misturando a fantasia com a realidade, como tudo neste batverso criado por Nolan, que tem explicação até mesmo para as orelhas de gatinho do uniforme da gatuna. "Chris e eu tentamos imaginar por que uma mulher moderna, por dentro da última moda e cool estaria usando orelhas [risos]. A verdade é que são óculos, que ao serem levantados para cima da cabeça se parecem com orelhas. Nós achamos que ficou muito cool. Adoramos o resultado. Nós passamos por tantas ideias de como poderíamos fazer aquilo dar certo. A inspiração ali veio de joalheiros ou dentistas, que usam espécies de óculos, com lentes de aumento para ver os mínimos detalhes. E trabalhando com um designer, chegamos a este óculos que serve também como visão noturna. E ela tem um cinto customizado com acessórios miniaturados que a ajudam nos roubos e na procura de joias", complementou.

A máscara do animal

Lindy também falou sobre o figurino do Bane: "Quando você olha para a versão do Bane nos quadrinhos, você vê um homem gigante vestindo um maiô de luta-livre. É difícil imaginar como você transpõe algo assim para um filme do Chris Nolan porque todo mundo aqui tem um passado, uma história e seus motivos. A história aqui vai mostrar de onde o Bane vem e porque ele é daquele jeito, quer o público goste dele ou não. Aqui, nós mostramos que ele usa uma espécie de armadura ao contrário do maiô, e ele foi machucado, por isso ele usa aquela máscara, que nos quadrinhos serve para injetar o "Veneno", mas aqui é obviamente um pouco diferente. Nós usamos tudo isso e o fato de que a tecnologia dele não vem do mesmo lugar do que o Batman usa. Ele não tem um Lucius Fox (Morgan Freeman) para desenvolver suas coisas. Tudo foi criado meio pelo caminho, em lugares diferentes e por pessoas diferentes. Tem toda uma história por trás disso. Mas ao mesmo tempo, como vamos ver na história, ele carrega a ameaça, o perigo dentro de si. E ele não é um moleque. Já é um cara maduro, que passou por muitas coisas. Ele é daquele jeito porque ele é um tipo de guerreiro, meio mercenário", disse.

Sobre a máscara, ela falou que a sua contusão lhe causa muita dor e ela serve para que ele inale uma espécie de analgésico. "Queria que a máscara do Bane tivesse um estilo bem animalesco e nas pesquisas vi gorilas com caninos que iam para cima e para baixo, dando um ar sinistro. Acho que não dá para ver nas imagens noturnas, mas existe ali um ar bem violento. E outra coisa que nós decidimos bem no começo do filme é que como nós tínhamos ao menos dois personagens principais usando máscaras, nós tínhamos de criar uma distinção bem grande para as cenas de luta. Nos quadrinhos, a máscara do Bane é feita de um jeito que você não vê seu rosto. Então, a primeira coisa que pensei foi me inspirar nos animais. E depois o Chris veio com necessidade de não deixar os dois personagens parecidos quando estivessem lutando. Daí veio a ideia de deixar as coisas aparentes e com os analgésicos alimentando a parte da face e deixar em aberto a possibilidade de seu rosto ser deformado. E nós não nos preocupamos com problemas de fala, porque podemos inserir as falas todas depois. Nos pareceu mais ameaçador não poder ver essa parte da boca", complementou.

Tom Struthers também falou bastante do trabalho com Hardy e Christian Bale. "Eu tento preparar os atores o máximo possível com ensaios, porque penso da seguinte forma: os estúdios pagam aos atores um valor porque acreditam que eles podem fazer aquele papel. Não importa quanto um dos meus dublês se esforça, ele nunca vai conseguir fazer o que o Christian Bale faz, ou Hardy. É por isso que eles recebem o tanto que recebem e os meus caras ganham o deles. Por isso sempre tento usar o máximo que posso dos atores, dentro do que é seguro. Hardy e Bale fizeram entre 85% e 90% de suas cenas." O segredo para saber até onde eles podem ir é observar. "Eu gravo todos os ensaios e tudo é planejado. E os dublês me avisam se percebem que algo chegou ao limite. Eles sabem até onde Bale pode ir, até onde Hardy consegue chegar. E o Chris tem noção disso também. Na Europa ele virou para mim e falou: 'Se você achar que estamos chegando muito perto do perigo, para o ator ou os dublês, vamos achar uma outra forma de fazer esta cena, mudando o ângulo da câmera ou algo do tipo'", lembra o coordenador de dublês.

Veículos e a eterna espera

Além das lutas, Struthers e Colbourd enfatizaram também a importância dos veículos na trilogia e em especial no clímax deste filme. Se antes tivemos o novo batmóvel, agora chamado de Tumbler, e a moto conhecida como Batpod, agora temos mais novidades. "Nós temos um novo veículo maravilhoso, mas que ainda não foi o que nós gostaríamos de construir. Com este novo veículo, nós queremos fazer coisas extraordinárias. Em qualquer outro filme, muito disso seria feito em computação gráfica. Mas como Chris é o Chris, acabamos fazendo muitas coisas de verdade. Pode esperar por alguns efeitos bem diferentes vindo por aí".

Esta espera está finalmente chegando ao fim. Finalmente!

A terceira parte da trilogia de Christopher Nolan estreia no Brasil em 27 de julho.

Veja abaixo uma imagem da cena que nós vimos sendo filmada em Gotham City, digo, Pittsburgh.

Batman - Visita ao set de filmagens

Leia nossa prévia à visita ao set do filme que fizemos.

Veja a primeira parte da visita ao set