Hollywood continua vivendo uma ameaça de greve do sindicato de atores, enquanto alguns consideram que a paralisação já começou. Os sinais de uma "greve fria" seriam as produções paradas, à espera de uma resolução, ou correndo contra o tempo para serem finalizadas até a próxima segunda-feira, quando termina o contrato de trabalho entre atores e estúdios.
Enquanto a situação não se resolve, o comitê executivo do Screen Actors Guild aprovou uma medida dando aos seus negociadores a autoridade para fechar uma extensão do contrato atual com a representante dos estúdios, a AMPTP. A extensão pode ser aprovada pelo prazo de uma semana, um mês ou ser renovada diariamente até que um acordo seja fechado. Apesar de garantir a continuidade do trabalho, uma extensão também deixa em aberto a possibilidade de uma greve a qualquer momento em que o sindicato conseguir a aprovação de seus associados.
Caso o pedido de uma extensão não seja aceito, as leis trabalhistas permitem que os estúdios façam uma última oferta com os melhores termos possíveis e obriguem o sindicato a aceitar ou rejeitar. No caso de rejeição da oferta final, os estúdios poderão impor a aplicação dos termos da oferta. Numa situação como esta, a única opção do sindicato seria aceitar ou votar o início de uma greve. Segundo analistas da indústria, no entanto, as chances do sindicato conseguir os 75% de votos favoráveis à paralisação entre seus 140 mil associados é pequena.
Além do impasse nas negociações, o SAG enfrenta uma briga cada vez mais dura com o outro sindicato de atores, a AFTRA, que está literalmente dividindo a categoria. Enquanto nomes como Jack Nicholson, Ben Stiller e Nick Nolte fazem campanha para que os sócios da AFTRA votem contra o acordo fechado pela entidade, que representa 70 mil atores, Tom Hanks, Kevin Spacey e Sally Field pedem que os associados votem sim.
A divisão entre as duas entidades representativas dos atores, que negociaram juntas por quase 30 anos, criou uma guerra de acusações entre o SAG, que considera o acordo da rival insuficiente, a AFTRA, que alega ter conseguido o melhor acordo possível, e os estúdios, que acusam o SAG de prejudicar as negociações. Alguns atores também acusam o SAG de estar mais preocupado com a briga sindical do que com a defesa dos direitos da categoria.
Em resposta às acusações contra sua atuação, o SAG publicou um anúncio de página inteira na Variety e no Hollywood Reporter, as duas publicações mais importantes da indústria, dizendo que ao votarem contra o acordo da AFTRA os atores vão mostrar aos estúdios que estão unidos no desejo de melhores condições de remuneração. A campanha pelo "não" conta ainda com mensagens telefônicas gravadas por Ed Asner e Sandra Oh, que são associados aos dois sindicatos, e mensagens em vídeo colocadas no site do SAG e gravadas por Martin Sheen, Ed Harris e Viggo Mortensen.
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