Entre o final dos anos 80
e início dos 90, as emissoras brasileiras viram-se invadidas por seriados live-action
japoneses. Graças ao sucesso estrondoso de Jaspion e Changeman
na extinta TV Manchete, a invasão dos heróis e monstros coloridos inundou a
programação das TVs, lojas de brinquedos, locadoras e bancas, num fenômeno parecido
com a atual febre por animês.
Black Kamen Rider,
Jiraiya, Cybercop, Lion Man e tantos outros se revezavam
nos horários, com tramas, lutas e clichês repetidos à exaustão. Cheia de lutas
acrobáticas, explosões e edição ágil, a maioria destas séries não se levava
muito a sério, sendo uma diversão rápida e sem grandes pretensões. No entanto,
em meio à selva de tipos estranhos, uma série passou quase desapercebida por
ter sido exibida na Bandeirantes e em horários ruins. O seriado era Metalder
- o Homem Máquina, uma produção até ousada para os padrões do
estúdio Toei Company, que faz seriados literalmente em linha de montagem.
Com roteiros mais elaborados, Metalder foi um caso à parte.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A série conta a saga de
um poderoso andróide construído na Segunda Guerra. Sem ser ativado devido à
derrota japonesa, o construto foi abandonado. Quarenta e dois anos depois, ele
é ressuscitado por seu criador, o Dr. Koga, a fim de combater o Império
Neroz.
Liderada pelo grande empresário
Makoto Dolbara, alter ego do Imperador Neroz, esta organização
é um exército que usa de terrorismo para prejudicar ou eliminar concorrentes
no mundo dos negócios. O Império possui quatro subdivisões: as Tropas Monster,
Cibernética, Mekanol e Blindada.
Tendo despertado confuso,
o andróide Hideki Kondo (Ryusei Tsurugi, no original) presencia a morte
de seu criador perante soldados de Neroz. Então, assume sua forma de combate
e trava a primeira luta contra os vilões, sofrendo sua primeira derrota.
Hideki fora criado com os
padrões físicos e psicológicos do falecido filho do Dr. Koga, herdando também
a capacidade de tocar sax. Em certo ponto da série, Hideki questiona-se sobre
sua identidade e individualidade (alguém aí se lembrou da questão da clonagem?).
Pouco depois de seu árduo
despertar, ele conhece a bela repórter fotográfica Maya Aoki (Mai Ougi,
no original), uma jovem corajosa e meiga. Com seu jeito nobre e atencioso, o
andróide desperta o amor de Maya, que logo passa a ajudá-lo nas investigações
sobre as atividades ilegais do Império Neroz. A eles, junta-se o impetuoso motoqueiro
profissional Satoru, que vê Hideki como um amigo fiel, mas também um
rival pelo coração de Maya.
Na luta contra o Império
Neroz, Metalder conta com a ajuda das sofisticadas criações do Dr. Koga, inclusive
Springer, um doberman-robô falante e auxiliar do herói em sua base secreta.
Nas batalhas que se seguem, alguns soldados de Neroz rebelam-se contra o mestre,
com destaque para o poderoso Top Gunder. Cheia de reviravoltas, a série termina
com o sacrifício do herói, que destrói o Imperador Neroz, mas também perde sua
parte humana.
BASTIDORES
Com a produção econômica
típica dos seriados da Toei Company, Metalder destacou-se ao tentar atingir
um público mais velho investindo em tramas mais elaboradas. Ponto também para
o brilhante compositor Seiji Yokoyama, autor também da trilha sonora
de Cavaleiros do Zodíaco. A música-tema foi entoada em tom grandioso por
Isao Sasaki, o mesmo intérprete da canção-tema do clássico Patrulha estelar.
O design, providenciado
pelo hoje famoso cineasta, Keita Amemiya, era baseado em um antigo herói
de mangá, Kikaider. Entre os roteiristas, o veterano Shozo Uehara, que
escreveu episódios de Ultraman, Ultra Seven, Jaspion e
Black Kamen Rider.
O elenco, por sua vez, era
mais irregular. O ator principal, Akira Senoh, era inexpressivo, tal
qual um robô (mas não precisava ser tanto), e configurava-se no ponto mais fraco
do elenco. Na série, destacava-se a modelo Hiroko Aota, no papel de Maya.
Em vez do tradicional monstro
da semana, freqüentemente Metalder enfrentava grupos inteiros de inimigos,
tendo sérias dificuldades em vencer. Longe de contar com um herói imbatível
e dominada por um clima meio depressivo, a série não fez sucesso no Japão.
Nos anos 90, Metalder foi
adaptado nos Estados Unidos e editado junto com a série Spielvan como
parte do seriado VR Troopers. Nesta medonha versão, o herói
foi rebatizado de Ryan Steele e descaracterizou-se por completo. Felizmente,
o público brasileiro pôde ver a série original antes que Troopers fosse
exibido na Globo.
Completando quinze anos
de seu lançamento, Metalder permanece até hoje como uma obra diferenciada e
à frente de seu tempo.
Ficha técnica:
Título original: Cho
Jinki Metalder (Super-homem máquina Metalder)
Estréia no Japão: 16
de março de 1987
Número de episódios: 39 para TV e um para cinema
Criação: Saburo Hatte
Roteiro: Susumu Takaku, Shozo Uehara e outros
Desenho de produção: Keita Amemiya
Trilha sonora: Seiji Yokoyama
Direção: Yoshiji Tomita, Takeshi Osasawara e outros
Realização: TV Asahi, Toei Company & Asahi Tsushinsha (ASATSU)
Distribuição: Tikara Filmes
Emissora no Brasil: Bandeirantes