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Antes
que continue a ler este texto, um aviso: Os horrores aqui apresentados
podem atuar de maneira danosa em seu cérebro. As conseqüências
são ainda piores se você for daqueles fãs radicais
de quadrinhos.
A relação
de filmes que se segue resulta de intensa arqueologia trash; daquela só
possível graças aos confortos da internet. Os fatos e eventos
aqui relatados buscam revelar acontecimentos dos quais o bom senso passou
longe. Afinal, falar de bons filmes baseados em quadrinhos é fácil.
São poucos. Já os ruins, meu Deus! A lista parece não
ter fim! Quem não tem um desses filmes que adora odiar?
Mas e quanto
aquelas produções obscuras das quais quase ninguém
ouviu falar?
Você
já parou para pensar naqueles filmes que sequer foram lançados?
Os títulos que apenas umas poucas almas afortunadas (Será?)
puderam vislumbrar? Aqui estão listados vários pilotos de
séries de televisão que deram com os burros n’água.
Talvez haja muito mais. Mas pensando bem, pra quê? Certamente, o
que veremos a seguir é o mais forte argumennto para quem defende
que lugar de quadrinhos é no papel.
Senhoras
e senhores, é com a devida pompa e circunstância que o Omelete
apresenta:

Vamos começar
pegando leve leve...
1941-1943...
NAMOR
- O FILHO DE ATLÂNTIDA
Não
se assuste! Na verdade, este filme jamais foi feito, mas o caso é
tão interessante que não poderia ficar de fora.
Poucas pessoas
sabem, mas Namor surgiu como uma peça de propaganda de um
seriado da Columbia Pictures intitulado The Lost Atlantis.
A trama era sobre o famoso reino submerso habitado por homens-anfíbios,
onde um náufrago despertaria o amor da rainha atlante.
Os executivos
que batalharam a aprovação do projeto entre 1936 e 1939
tinham tamanha certeza do potencial da série que planejaram até
mesmo sua continuação: Prince of Atlantis, a respeito
do (você sabe quem) fruto do romance anfíbio. Entretanto,
o projeto “naufragou” na inviabilidade técnica de se
realizar tal fantasia de maneira convincente. Saíram ganhando os
quadrinhos, que deram vida nos traços de Bill Everett, ao
Príncipe Submarino.
A primeira
aventura da personagem foi publicada em Motion Picture Funny Weekly
1, revista distribuída nos cinemas a fim de alardear o
projeto jamais realizado. Esta mesma publicação permaneceu
esquecida até 1974, quando alguns exemplares remanescentes vieram
à tona, tirando o mérito de Marvel Comics 1,
como a revista que apresentou a primeira história da personagem.
Jamais se
levou avante qualquer outra tentativa de transpor Namor às telas,
fora o desenho desanimado dos anos sessenta. Na verdade, dizem as más
línguas que o seriado dos anos 70, O homem do fundo do mar
seria uma tentativa frustrada nesse sentido. Todavia, ficou tão
diferente do original que sequer citaram a fonte. Curiosamente, essa série
também não foi longe, durando apenas treze episódios.
1961
SUPERBOY
Sentiu
a panca do cidadão?
Este piloto
em preto e branco, com 30 min e estrelado por um certo John Rockwell
é, de certa forma, descendente direto de As Aventuras do
Superman, o célebre seriado estrelado por George Reeves
nos anos 50. Entretanto quem disse que tiveram coragem de exibi-lo na
TV? A proposta acabou sendo descartada. Vingou apenas uma série
animada com a personagem. O conceito só foi retomado nos anos 80
quando, finalmente, Superboy ganhou sua própria série
com atores de carne e osso.
Curiosidade:
na internet, disponível com na mesma fita de vídeo, está
o piloto de Superpup, realizado em 1958. O bichano impõe
respeito, não? Todavia não se trata de Krypto, o Supercão
(sim, o Superboy tinha seu mascote!) em suas aventuras solo. Imagine um
mundo habitado só por cães; e que um deles, em especial,
tem os mesmos poderes de um certo Homem de Aço. Criativo, não?
Por que será que não levaram isso adiante?

1967
MULHER-MARAVILHA
Aposto que
você não sabia.
Pois
é! antes da Miss América Linda Carter, “empunhar”
seu ceroulão estrelado, na famosa série dos anos 70, houve
uma inexpressiva tentativa (com apenas 10 minutos de duração)
de levar a guerreira amazona para a TV.
Quem produziu
essa pérola foi Willian Dolzier, o mesmo da série
do Batman barrigudo. Estrelado por uma tal Ellie Wood Walke,
esse não foi o único piloto da personagem. Em 1974, tentaram
novamente. Desta vez, coube a Cathy Lee Crosby a tarefa de protagonizar
um longa com a princesa amazona. Até aí tudo bem. Um longa-metragem
dá mais oportunidade para fazer algo decente. O problema é
que a dita era LOIRA! E o uniforme, nem de longe lembrava o modelito de
Diana!
No filme,
ela combatia um tal de Mr. Evil (nenhuma relação
com o vilão da cinesérie Austin Powers), vivido por
Ricardo “Ilha da fantasia” Montalban. Esse chegou
a ser exibido na TV. Não que fosse fazer falta.
1967
BATGIRL
Não
satisfeito com o resultado do seu piloto da Mulher-Maravilha, o já
citado Dolzier decidiu criar uma heroína totalmente original. Ou
quase. No ápice da audiência do seriado do Batman em 1966,
o espertalhão resolveu capitalizar em cima dos louros da série
com uma nova criação: A Batgirl. Foram 15
minutos vividos pelas curvas da atriz Yvonne Craig. No entanto,
como os índices de popularidade do Morcegão pop caíram
em sua segunda temporada, o projeto foi engavetado. Mesmo assim, a personagem
retornou no ano seguinte, desta vez integrada ao elenco da série
do Cruzado Embuçado. Um tributo ao kitsch, que circulava
por Gotham City com uma discretíssima motoca com babados!
Além
de ocasional interesse romântico do Morcegão, ela serve também
como marco da fase derradeira da série. Mas quem diria, a personagem
fez sucesso suficiente para que fosse incorporada às HQs pouco
tempo depois.
E já
que estamos falando em kitsch, vamos pegar pesado...
1977
LEGENDS
OF SUPER-HEROES
Imagine um
filme com um bando de marmanjos vestidos em malhas coloridas e com os
melhores superpoderes que os (d)efeitos especiais que a TV dos anos 70
podia providenciar... Duvido que tenha concebido algo assim tão
terrível quanto as imagens a seguir.
Pense nesta
tosqueira isso como a versão de carne e osso do desenho animado
dos Superamigos e talvez tudo fique mais claro. Foi um especial
em duas partes produzido pela rede NBC. Por sinal, inédito em terras
brazucas. Recomendado para quem tem (muitas) saudades de Adam West
e Burt Ward como a eterna dupla dinâmica. Além dos
já citados, sinta só o elenco de feras: Capitão
Marvel, Gavião Negro, Lanterna Verde, Flash,
Caçadora e Canário Negro contra as maquinações
do Charada, Solomon Grundy, Mordru, Giganta,
Dr Silvana, Sinestro e o Mago do tempo.
No primeiro
capítulo, intitulado “The Chalenge” , nossos amigos
ajudam um herói aposentado (o Ciclone Escarlate???) a impedir
os vilões de explodirem o mundo. O problema é que os malvadões
têm uma poção que retira os poderes de nossa patota
do bem. Muito conveniente para um filme de orçamento enxuto.
No segundo
especial, “The Roast”, os vilões partem para a
desforra com a ajuda da Tia Minerva, vilã do universo de
personagens do Capitão Marvel. Tudo kitsch, camp, cafona
ou qualquer outro demérito que seja possível inventar. E
tem quem não goste do seriado do Batman dos anos 60...
1978
DOUTOR ESTRANHO
Aposto
que você também não sabia, mas o Mago Supremo já
jogou suas mandingas na telinha pequena. Talvez seja culpa do mal-olhado,
mas este longa também jamais foi exibido por estas bandas.
Tá
todo mundo lá: Stephen Strange (nosso bom doutor, na pele
de Peter Hooten), sua namorada Clea, o mordomo Wong,
a bruxa Morgana Le Fey. Tudo isso num “setentíssimo”
visual discoteca de arrepiar os cabelos. Como de praxe, deram uma mexida
na origem do herói. Stephen, que nos quadrinhos era um cirurgião
agora é psiquiatra. Para salvar alma de sua paciente, Cléa,
mesmo relutante, deve se iniciar no mundo oculto das artes místicas
(sua real vocação, oras...). Afinal, a feiticeira Morgana
Le fey está louquinha para abrir os portais de outra dimensão
e trazer um terrível demônio à Terra..
O pior é
que o vídeo pode ser comprado na internet, e as resenhas o definem
como uma das melhores adaptações das HQs paras as telas
em todos os tempos. Alguém arrisca para nos contar se é
verdade?
1979
CAPITÃO AMÉRICA
Pois
é, o Bandeiroso tentou duas vezes decolar um seriado em 1979. Embora
desaparecidos a um bom tempo de nossas TVs, ambos os filmes foram campeoníssimos
de reprises no SBT, em um passado remoto.
Na primeira,
o resultado ficou tenebroso. Na segunda, ficou... digamos... menos ruim.
Mas sobre eles já falamos num de nossos “Lembra desse?”
. Para saber mais clique
aqui.
Alguns anos
atrás, porém, entrou em produção uma nova
série em desenho animado, cujas propagandas chegaram a ser veiculadas
no canal à cabo Fox Kids, mas ninguém viu nem sombra
disso...
1985
AQUAMAN
Não.
Não é o Namor tentando de novo emplacar um filminho, mas
sim o seu similar de colante laranja e verde. Aquele com telepatia aquática!
Esse piloto de seriado quase que ninguém viu mesmo, pois nunca
foi ao ar na TV ou sequer lançado em vídeo. Dizem até
já ter passado numa convenção de HQ aqui no Brasil.
Será
que ficou bom...? Sinta só a história: Arthur Curry
(Gordon Goodman) é um milionário e biólogo
marinho. Nas horas vagas, dá uma de Aquaman, claro.
Um dia, um
tal de Angler, o malvado de plantão, despeja uma toxina
no oceano, a fim de chantagear o governo em 24 milhões de doletas.
De quebra, ainda seqüestra uma cientista (a Dra. Katy King)
que estava pesquisando uma anti-toxina que anulasse a sua. Adivinha de
quem a moça é namorada.
Esse “épico”,
de meros 20 minutos de duração, foi produzido, dirigido,
escrito e esquecido pela dupla Jeff Klien e Thomas Farr.
Não que alguém ligue pra isso.
1987
WILL
EISNERS THE SPIRIT
Esse
chegou a ser exibido na Rede Bandeirantes, anos atrás...
Tal como
no original, Danny Colt (Sam J. Jones) é dado como
morto em ação e volta da morte para combater o crime. Quem
disse que deu certo? Nem. E como poderia funcionar se a a ação
se passava nos anos 80? Meu Deus! Alguém em sã consciência
consegue imaginar o Spirit ambientado em outra época que não
os anos 40/50?
Que saudades
daquele clima noir das HQs do Will Eisner...
1988
X-MEN
Desenho Animado
Esse
piloto intitulado The Pryde of the X-Men foi a primeira
tentativa de levar uma série dos mutantes para a TV. Na verdade,
antes já haviam aparecido como convidados especiais nas séries
animadas do Homem-Aranha.
O chato é
que não foi um desenho ruim. O elenco era a equipe “clássica”
– Prof. X, Ciclope, Tempestade, Wolverine,
Colossus, Noturno –, acrescida de Cristal (no lugar
de Jean Grey) e Kitty Pryde.
A trama girava
em torno da entrada da jovem Kitty na equipe e um arranca-rabo com a Irmandade
de Mutantes. Nada muito pretensioso, mas tudo no melhor estilo de
animação vigente nos anos 80. Vide qualquer Transformers
ou Comandos em Ação da época.
Esse também
nunca passou por aqui. Mas nem por isso é inédito no Brasil.
Sua quadrinização foi publicada pela Abril num álbum
de luxo cujas cenas foram extraídas diretamente dos 23 minutos
do desenho animado.
1989
MULHER-HULK
Mulher
Hulk (Nielsen)
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Demolidor
|
Hulk
e Thor
|
Primeiro,
a Marvel usou os telefilmes de um certo Golias Verde como testes para
possíveis seriados do Thor (em A volta do incrível
Hulk - 1989) e do Demolidor (em O julgamento do incrível
Hulk -1990), apenas pelo prazer de vê-los mutilados sem dó
nem piedade diante de orçamentos (e roteiros) paupérrimos.
Não bastasse isso, a editora quis ousar mais. Estavam nos planos
novos longas do verdão irritado, os quais contariam com a participação
do Homem de Ferro e Elektra (por que não? Afinal
seu namorado,o Demolidor, já havia aparecido mesmo).
Quem já
estava mais adiantada mesmo era a Sra. Brigitte Nielsen, que havia
até mesmo posado para algumas fotos promocionais. Note o modelito
chiquérrimo e funcional; sem falar na... maquiagem?
Detalhe:
madame Nielsen já havia detonado outra personagem conhecida dos
leitores de HQ, no filme Guerreiros de fogo (1985). Uma certa Sonja,
a Guerreira.
Nos anos
70, em pleno auge do seriado do abacatão, chegou-se a cogitar um
crossover com o Homem-Aranha, cujo seriado era produzido pela mesma
emissora. A idéia só não vingou pelo fiasco do próprio
seriado do Aracnídeo.
Sobre essas
“produções Hulkolianas”, só podemos pedir
que Bill Bixby (o Dr. Banner, além de produtor dessas
pérolas) nos perdoe onde quer que esteja. Afinal, essas “maravilhas”
só pararam após seu falecimento...
1991
QUARTETO FUTURO
Não.
Não é o famoso filme trash para cinema com o Quarteto
Fantástico, produzido por Roger Corman nos anos 90,
o qual foi recolhido pouco antes de ser lançado e circula na internet
em cópias pra lá de piratas.
Estamos falando
do filme de outro supergrupo menos famoso da mesma editora Marvel, publicado
no Brasil nos anos 80, na antiga revista Heróis da TV. Esse,
por sinal, ninguém viu também. Mas você consegue imaginar
aquele supergrupo de criancinhas com superpoderes – Graviton,
Chispinha, Densus e Vapor –, num filme decente?
Tem coisas que é melhor nem tentar imaginar...
1996
GERAÇÃO
X
Ai, ai. Que
dizer desta outra pérola?
Ação
não existe, interpretações também não,
quanto mais um roteiro decente. Meia dúzia de efeitos especiais
não foram suficientes para preencher este longa-metragem. Temos
ainda de levar em conta que os protagonistas são os mutantes mais
antipáticos possíveis – Jubileu, Skin,
Monet, Mondo, Buff e Refrax; ou que sua professora,
Emma Frost, a Rainha Branca, veste-se como uma perua e usa
peruquinha precursora (seria o mesmo cabeleireiro?) da usada pela Tempestade
do filme dos X-Men. Não podemos nos esquecer que o outro
professor, Banshee, é igualmente fashion.
E o que dizer
do vilão Russel Tresh (ou trash)? O afetado não pára
de fazer caretas enquanto tenta se apossar da imbecil Máquina
dos Sonhos dos mutantes? Vade retro, capeta!
Como explicar
que o Professor X possa ter admitido tanto mutante fuleiro em sua
escola? No mínimo eram alunos reprovados no curso de heróis.
Disponível
em vídeo, mas prefira mutantes com melhor pedrigree.
1997
LIGA DA JUSTIÇA DA AMÉRICA
Esqueça
os heróis clássicos que já fizeram parte da Liga
da Justiça e que estão retornando na nova série
animada. Lembre a fase da Liga nas HQs, que era escrita por Keith Giffen.
Aquela com astros de segunda-mão e que fazia questão de
avacalhar com o mito do super-herói. Pois se a intenção
era a de se basear nesse divertido material, o resultado foi pra lá
de duvidoso. Um misto de Superamigos com Barrados
no Baile e Power Rangers. Talvez seja a melhor definição
desse fiasco.
Um
bando de super-heróis fracassados – Flash, Átomo,
Fogo, Gelo e Lanterna Verde – e sem dinheiro,
decide morar juntos. Enquanto batalham um troco, enfrentam um vilão
jacu que apavora a cidade. Caracterizações horríveis.
Interpretações idem e efeitos especiais pra lá de
econômicos. Destaque pra o Ajax gorducho com jeitão
de Mestre Yoda e para a cena em que os heróis, presos na nave do
seu mentor, esquecem que tem superpoderes e usam um pé de cabra
pra abrir a porta.
Era para
ser engraçado?
1997
NICK FURY- AGENTE DA SHIELD
Olha,
até que se esforçaram neste longa-metragem. Capricharam
nos efeitos visuais, nas naves, no porta-aviões aéreo da
Shield... mas David Hasselhoff (o salva-vidas de Baywtach,
aquele cara que dirigia A super-máquina nos anos 80...),
mesmo tendo ficado a cara do agente-secreto preferido da Marvel, é
canastrão demais.
Pra complicar,
o coitado ganhou um grupo de recrutas pra encher as paciências durante
o filme todo... como se a organização secreta Hydra
já não lhe desse trabalho suficiente...
Não
mais que divertido. E olha que estou sendo bonzinho. Se quiser conferir,
esse filme já foi lançado em vídeo no Brasil.
PRA
QUEM QUER MAIS
E então?
Ainda vivo, leitor? Se você não acredita em boa parte do
que descrevi aqui, passe na locadora mais próxima ou aguarde uma
nova reprise dessas pérolas. Tudo por sua conta e risco.
Mas e aqueles
filmes que você não encontra disponíveis no Brasil?
Ora, aí é que entra a mãe internet. Afinal, só
ela mesma poderia acolher tão maravilhosos tesouros arqueológicos.
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