O Omelete entrevistou sábado, dia 10 de fevereiro,
o ator carioca Rodrigo Santoro em Los Angeles. A viagem foi
para conversar a respeito de 300, o aguardadíssimo
épico que adapta a HQ homônima, mas como ele está trabalhando
em outro dos projetos mais legais da atualidade, a telessérie Lost,
o papo sobre a ilha foi inevitável. Confira abaixo o que Santoro nos
contou sobre o misterioso programa. Para a entrevista de 300 aguarde
a Revista Omelete, nas bancas em março!
Como essa experiência em Lost está mudando sua vida?
Bom, Lost mudou minha vida porque estou vivendo no Havaí! Agora acordo,
vou surfar, tenho tempo pra praticar Ioga, ficar no meio da natureza... o trabalho
é em locações maravilhosas e estou me divertindo muito.
Você teme o impacto que séries de TV costumam ter na carreira cinematográfica
de alguns atores?
Eu nunca penso nas conseqüências de um trabalho porque é impossível ter qualquer
tipo de controle sobre como as pessoas reagirão a ele ou como um determinado
projeto afetará sua carreira. Jamais deposito minha energia nisso, mas sim no
desenvolvimento do personagem. Sem falar que sou totalmente guiado pelo instinto
- isso me parece bom, isso pode me ensinar algo, somar, desafiar, me transformar
num ator melhor, ou mesmo numa pessoa melhor.
Lost me parece uma mudança interessante em sua carreira. No Brasil
você é conhecido pelas, claro, novelas, e pelos filmes dramáticos como Carandiru
e Bicho de sete cabeças. Em Lost seu personagem, Paulo,
é um alívio cômico.
Basicamente, Paulo [o personagem de Santoro em Lost] acabou ficando
assim, divertido, porque é o jeito dele. Ele não está tentando ser engraçado,
é apenas a situação que o torna daquele jeito. Mas é diferente, sim, dos meus
trabalhos anteriores. Você está certo, ele tem um lado cômico, mas eu não forço
isso. O humor vem das situações. É um personagem divertido de interpretar.
É um humor natural.
Bom, eles começaram escrevendo assim e eu abracei essa idéia. Sabe, tem essa
coisa em Lost que é interessante: você não faz a menor idéia do que está
acontecendo. Essa é a grande beleza da experiência. Você está lá, recebe o roteiro
uns dois dias antes de filmar e não tem tempo de planejar nada, desenvolver
nada - apenas de estar ali, naquele momento. Isso é sensacional para um ator,
pois adoramos tentar controlar as coisas. Assim essa experiência é totalmente
aleatória - é literalmente sentir-se "perdido" (lost).
E você já sabe se continuará por lá?
Não faço a menor idéia. Quando chega o roteiro é que ficamos sabendo o que
vai acontecer no futuro próximo. É isso. Quem sabe das coisas são só os roteiristas,
e acho que só mesmo na cabeça deles. Duvido que eles contem qualquer coisa a
alguém. É tudo um mistério - e isso é a alma do programa.
E aquele seu projeto sobre a vida de Carlos Gardel (leia
mais)?
Não tem nada certo ainda, mas é uma possibilidade. O roteiro está sendo reescrito
nesse momento e o filme segue uma possibilidade - mas ainda não sei muita coisa
sobre ele. O diretor será Alfonso Arau, um grande representante
do México e um sujeito gentil e muito inteligente. De qualquer forma, é um projeto
delicado. Acho sempre difícil interpretar alguém que já viveu, que teve sua
história por aqui, ainda mais uma pessoa tão talentosa quanto Gardel. Então
estou esperando pra ver como vai ficar o roteiro - porque se for para fazê-lo
tem que ser de uma maneira muito, muito correta.
A terceira temporada de Lost - na qual Santoro participa como
o brasileiro Paulo - retornou semana passada nos EUA e seguirá sem interrupções
até o final da temporada. No Brasil, o terceiro ano estréia no
dia 5 de março no AXN. O "velho" segundo ano está sendo
exibido na TV aberta pela Rede Globo.
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