Estou ficando velha. E muito radical. Estupidamente radical, daqueles tipos que para alguns assuntos não há argumento que se faça ouvir. E começo pelo fim, ameaçando mesmo, para que fique bem claro: se alguém enviar uma mensagem para a Dose Extra escrita em miguxês (nada pode ter um nome tão ridículo, isso não é coisa do Senhor) vou reenviá-la para a ksa do kct, estamos entendidos?
Sinceramente, que p* é essa? Quando me deparei com o primeiro “naum” da minha vida, há uns três anos, pensei “minha nossa, o sistema educacional brasileiro está muito pior do que eu imaginava...” e hoje quando me deparo com “naum”, “axo”, “aki” e coisas do gênero, continuo pensando a mesmíssima coisa. Sabe por quê? Porque pra mim, desde o início essa linguagem estapafúrdia, esteticamente horrenda e imbecilizante esconde falhas de comunicação de adolescentes (ou sujeitos que sofrem de adolescência tardia) inseguros, alienados, e que, principalmente, não sabem usar o português. Daí que se você usar uma linguagem que não tem certo ou errado, não há correção, certo?
Com o perdão dos realmente diagnosticados com doenças mentais, ler um texto escrito em miguxês é ver um bando de retardados conversando. Não é engraçado, não é fofo, não é rebelde, não é nada, a não ser escapatória para dedicar-se cada vez menos a escrever corretamente. Escuta, que mal há em saber escrever a própria língua? Que mal há em acumular conhecimento? Qual é o problema em ser capaz de fazer o mínimo? A que ponto de acomodação estamos chegando? Ter preguiça de consultar um dicionário é algo inconcebível para a minha humilde pessoa.
Diz pra mim, estou velha ou não é bem aí que as “convenções” devem ser quebradas? Longe de mim ser classificada como purista da língua - imbecilizante, que eu escrevi ali no segundo parágrafo, por exemplo, não existe, mas tem uma função no texto bastante clara, que justifica seu uso - quem me conhece sabe que não é o caso, mas convenhamos, isso está indo longe demais. Dá pra perceber que chegamos ao ponto de pedir o básico?
E aí o que acontece??? Um gênio do marketing desses que existem aos milhares em cada esquina deste país resolve tirar sua casquinha, oportunismo dos oportunismos, resolve legendar filmes com o miguxês!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! É sério, está acontecendo neste exato momento no canal Telecine, que diz estar de olho na fatia de público que vai dos 14 aos 25 anos. Ok, vivemos em um mundo capitalista e blá blá blá, onde todo esforço é necessário para ter sua renda garantida no fim do mês, mas pra que tamanho desserviço? Me expliquem, por favor!
A questão não é se é legal ou não, já que definitivamente não é (estou radical, lembra?), a questão é: se você vai atuar de alguma maneira na sociedade, se quer se aproximar de um público, por que insistir justamente em um traço tão cretino? Por que enfatizar o erro? Por que não ser criativo e encontrar uma forma um pouquinho, só um pouquinho, mais engrandecedora de aproximar-se de tal público? Enfim, por que optar pelo mais fácil sempre? Tem mais alguém aí que se importa com as futuras gerações iskrevendo axim? Ou estou sozinha?
Esse assunto me deixa de profundo mau humor, o Telecine me fez até esquecer a música este mês, e olha que eu nem vejo TV... a coluna acaba por aqui, curta e grossa, e atesta: eu jamais vou me render a essa bobagem sem tamanho. Jamais!
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DOSE EXTRA!
Atendendo a pedidos, aqui está a Dose Extra de Veneno , espaço reservado aos internautas do (o), que enviam missivas nem sempre educadas à colunista. Por que será, hein? ;-P
Sobre Rodox – coluna de 18/08/04
Por Daniel Neves dos Santos
Moça, você estava afetada neste artigo do Omelete, hein? Concordo com algumas coisas que você disse, mas este ódio à ideologia do cara é bem complicada. Se você um dia for presidente do Brasil, é melhor o Rodolfo e seus companheiros se esconderem porque serão chamados de eixo do mal e terão suas casas invadidas, já que a sua ideologia é diferente.
Mexer com religião, que é assunto íntimo, é muito complicado fora do contexto. Se a mensagem que ele agora defende é diferente da sua, respeite porque pelo menos pra ele foi bom.
Ah! Nunca ouvi uma música sequer do Rodox e também não curtia os Raimundos. O Rodolfo eu conheci por você, obrigado.
Resposta
Olha, Daniel, acho que você tá tendo uma visão simplista do que eu falei.
Palco não é lugar para religião, resumindo foi isso o que eu disse. E religião é um assunto bastante "fácil" para angariar novos "fãs"... Não se preocupe, não serei jamais presidente do Brasil.
Beijo,
Luciana
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Sobre Previsões – coluna de 10/01/05
Como prometido, o debate com Sérgio Filho, o simpático vocalista do Gram
S: Já viu um show do Gram?
L: Não. Arruma convites?
S: Claro que te arrumo convites. Quantos quiser. Em março, vamos estrear um novo show aqui em São Paulo. Quem sabe vendo ao vivo você não muda sua opinião sobre minha banda.
Sempre leio e filtro todas as críticas sobre o Gram para tentar melhorar nosso trabalho. Não pude deixar de notar uma alfinetada em seu texto. Quero tentar conquistar o seu respeito.
Beijo
L: Sérgio, será tão importante assim?
Ademais, não faltei com "repeito", alfinetei, admito, mas não faltei com respeito. Melhor ser comparado ao Los Hermanos do que ao Charlie Brown Jr, convenhamos. ;-P
Infelizmente, acredito que existe uma graaaande tendência das gravadoras em "trabalhar" músicas mais fáceis e/ou que não soem tão estranhas ao ouvinte, especialmente no caso de bandas novas. Minha crítica à banda se resume a concordar com as decisões das gravadoras... mas imagino que depois de tanto suor trabalhando para que um projeto vire realidade, isso acaba sendo um mal pequeno.
Corrija-me se estiver equivocada, ok?
Beijo
S: Luciana, tudo bem?
É importante para mim ter a sua atenção apesar de saber que é impossível ser aplaudido com unanimidade. Nem Tom Jobim, nem os Beatles conseguiram.
Não somos um produto da gravadora. A Deckdisc comprou a master do nosso disco feito de maneira independente e não tocou nele. Também acredito que eles não estejam nos vendendo como um novo Los Hermanos. Sei por um amigo da Folha que essa informação rodou por aí, mas tenho certeza que não veio da gravadora.
Bruno Medina esteve em nosso show do Rio, no Festival Humaitá Pra Peixe. Segundo informações dos organizadores do Festival, ele não achou semelhante. Segundo Marcos Sketch, webmaster do site oficial do Los Hermanos, o Amarante também não acha.
Sou músico há 12 anos. Sei o quanto é importante ser original, ter personalidade. Sei e você também deve saber que, original mesmo, só o canto do passarinho, o barulho do vento, o trovão. A música aparece no momento em que o homem tenta imitar os sons em seu redor.
Para mim, Chico Science foi um dos últimos grandes criadores. Gram é rock, deriva e se apóia em muitas influências. E apesar de estar entre as melhores do Brasil e talvez do mundo, Los Hermanos não criou nada de original se comparado ao Manguebeat de Chico.
Marcelo Camelo bebe do outro Chico, o Buarque de Holanda. Amarante busca alguns de seus acordes lá na França. Ambos ouviram os ensinamentos dos Beatles (no caso deles mais Paul do que John), Weezer, Cake. Dessa mistura de coisas, sai o som deles, do Gram, do Ludov, Franz Ferdinand, Strokes...
Não sei em que você se baseia para criticar música. Se você entende de acordes, harmonia, ou se simplesmente critica de ouvido. Mas o fato é que, musicalmente falando, a estrutura das nossas canções são completamente diferentes de qualquer outra banda famosa no Brasil hoje. O nosso single, por exemplo, "Você pode ir na janela", não tem refrão. Nos últimos anos, não me recordo de música alguma tocada na rádio que não tivesse pelo menos um refrão.
Em março vamos estrear uma minitemporada no teatro Gazeta. Ficarei bem contente se você aparecer. Quando estiver mais próximo, te arrumo quantos convites quiser, para qualquer noite. A que for melhor pra você, ok?
Um beijo e se quiser, apesar de ser uma discussão imbecil e que não leva a nada, podemos continuar.
Um beijo
Sérgio
L: Bom, bom, bom... discussões imbecis poderiam ser tudo na vida que eu não ia me importar, ainda mais se tratassem sempre de música, uma das minhas mais ferrenhas paixões.
Sou crítica de fundo de quintal, não sou enciclopédia e sim, gostei da tua definição, sou crítica de ouvido. Manjo nada de acordes, riffs, etc e tal, meu material acaba sendo observação, discernimento e boa visão de mercado.
Besta, né? Pois é... mas causa debate, e esse é o objetivo da Poison on the Rocks. Veja que honra, você aqui, debatendo comigo. Acho saudável.
Olha, Sérgio, trabalhei em rádio por alguns anos da minha vida e talvez saiba até mesmo melhor do que você como funcionam as gravadoras. Não estou querendo levantar uma disputa de quem sabe mais, mas vi e ouvi coisas que até Usher duvidaria, tamanha a ardilosidade no funcionamento da "máquina".
Acredito piamente, do fundo do meu coração, na tua sinceridade e por que não dizer, até um pouco de inocência. Prefiro seguir acreditando que nada vai mudar a tua visão das coisas assim que o Gram começar a fazer muito, muuuuito sucesso. A propósito, aqui no recôndito do meu quartinho empoeirado, torço e rezo preces pra que isso efetivamente aconteça, porque sim, eu sei o nível de qualidade que vocês têm se comparados a outros "artistas" que poluem nossos ouvidos pueris.
Entendo a tua argumentação em relação à originalidade e nem seria ingênua de achar que vai surgir algo essencialmente original depois de tudo o que já foi feito na música. Aliás, mesmo se surgisse, não é por ser original que seria bom. E imagino como seja a perseguição por fazer algo original... por isso digo que não quis faltar com respeito, volto a dizer, a intenção da coluna não é apontar quem é bom ou ruim, mas causar o debate. Entendo que o produto de vocês advém de várias influências, assim como todos os que você citou, e me arrisco a incluir aí o próprio Chico Science, sem desmerecer em nenhum momento o trabalho do cara.
Se essa "discussão imbecil" serviu para alguma coisa foi para confirmar uma suspeita minha: que nem sempre gravadoras e artistas têm a mesma leitura dos procedimentos necessários para se fazer uma carreira de sucesso. Quero acreditar que a Deck ou seja lá qual gravadora estivesse na discussão, não teve nenhuma intenção em lançar justamente uma música que se parecesse tanto com Los Hermanos. Vou tentar, tá? Credite isso a você.
Beijos
S : EEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!!! :-)
Que legal que terminou assim nosso papo! Fiquei feliz!!
Adorei nossa discussão "imbecil"!! ;-)
Um beijão
Sérgio
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Sobre Lenny Kravitz – coluna de 07/02/05
Por Felipe Marinho
Luciana,
Gosto muito dos seus textos na Poison e concordo com a maioria das suas opiniões. Sou leitor assíduo da Poison, mas só agora que senti inclinação pra escrever. Já que está tão caro ir ao show do Lenny Kravitz aí em Sampa, por que você não pega um avião e vem curtir na praia com a gente? Tenho certeza que você ia se divertir bem mais do que no Pacaembu, seria mais barato e você estaria na Cidade Maravilhosa. Pense nisso.
Mas falando sério, por que não falar na Poison também dos rumos da TV brasileira e não só da música? Acho que daria pano pra manga e assim a Poison poderia deixar de ser mensal e passar a ser, quem sabe semanal ou quinzenal...
Valeu pela atenção,
Felipe Marinho
Niterói – RJ
Resposta
Oi, Felipe... a verdade é que não faço muita questão de ver o Lenny não... acho que ele já foi muito divertido, mas hoje em dia preciso mais do que isso pra sair de casa.
Televisão brasileira? Eu não vejo tv :/ Fica pra próxima.
Beijo e valeu o convite,
Luciana
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