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Negociações entre sindicato de atores e estúdios de Hollywood começam mal

Entidades que representam os artistas se dividem e dobram a chance de uma nova greve

Ederli Fortunato
01 de Abril de 2008
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A rivalidade entre duas entidades que representam artistas nos EUA, a American Federation of Television and Radio Artists (AFTRA) e o Screen Actors Guild (SAG), deu o tom do início das negociações entre os atores e os estúdios hollywoodianos, cujo contrato mútuo vence no próximo dia 30 de junho. Essas negociações prometem incluir os mesmos itens que levaram os roteiristas à greve em novembro passado: quanto e como deve ser o pagamento sobre trabalhos disponibilizados na Internet e outros meios móveis.

Numa decisão que surpreendeu a todos, a AFTRA anunciou no sábado que pretende negociar seu próprio acordo com os estúdios ao invés de agir em parceria com o SAG. Os dois sindicatos vêm negociando em conjunto há 27 anos, embora tenham uma grande diferença em representação. O SAG representa 120 mil atores, enquanto a AFTRA tem cerca de 70 mil membros. Cerca de 40 mil profissionais são sindicalizados nas duas organizações. Como a AFTRA decidiu negociar sozinha com os estúdios, a situação ficou duplamente delicada.

Os dois sindicatos anunciaram no domingo que pretendem entrar em contato com Alliance of Motion Picture and Television Producers (AMPTP), representante dos estúdios, nos próximos dias. A presidente da AFTRA, Roberta Reardon, defende o início imediato das negociações e anunciou que conversas informais já estão em andamento. O negociador chefe do SAG, Doug Allen, informou que a organização entraria em contato com a AMPTP nesta segunda-feira.

A decisão da AFTRA surpreendeu não só pela novidade após décadas de trabalho unificado, mas por ter sido divulgada no dia em que os dois grupos deveriam votar uma proposta na qual os associados estavam trabalhando desde fevereiro. Embora os termos da proposta não tenham sido divulgados, os comitês de salários e condições trabalhistas dos dois grupos encontraram-se na semana passada para dar os toques finais no documento. Segundo Reardon, o ponto que levou à separação dos sindicatos ocorreu no sábado, quando o elenco da novela The Bold and the Beautiful começou a distribuir uma petição para anular a representação da AFTRA dos atores do programa.

Há algumas semanas membros do elenco da novela já haviam entrado em contato com o SAG para expressar seu descontentamento com o trabalho da AFTRA. Segundo Anne-Marie Johnson, do SAG, o elenco da novela alega que a AFTRA não cuida de suas necessidades, não os ajudou a receber valores que lhes seriam devidos, além de estar descontente com seu plano de saúde e de aposentadoria. Para a AFTRA, o movimento dos atores de The Bold and the Beautiful foi um plano do SAG para tomar a representação do elenco das mãos da AFTRA. Reardon diz que a divisão não aconteceu apenas devido ao caso da novela, mas que a AFTRA vem sofrendo ataques semelhantes ao longo do ano, incluindo líderes do SAG presentes nos sets dos programas de TV por assinatura cujos atores são representados pela AFTRA. O SAG também teria tentado aumentar sua representação no comitê unificado, onde cada sindicato detém 50% das cadeiras, alegando que a representação deveria espelhar o tamanho diferenciado das entidades.

Doug Allen disse que não houve qualquer ação do SAG contra a AFTRA e que, em sua opinião, os atores dos dois sindicatos ganhariam mais com uma negociação unificada. Agora, com a negociação correndo em separado, espera-se que os estúdios fechem rapidamente um contrato com a AFTRA, que representa apenas quatro programas de TV e nenhuma produção de cinema. A tática da AMPTP seria, então, forçar o SAG a fechar um acordo similar. Em uma entrevista à Variety, Doug Allen defendeu a posição de que o SAG deveria negociar em primeiro lugar, uma vez que tem a jurisdição sobre 98% dos valores cobertos pelo contrato.

A recepção da idéia, no entanto, não deve ser boa. Não é segredo que o sucesso da greve dos roteiristas deveu-se em grande parte ao apoio do SAG, que garantiu que nenhum de seus associados se apresentaria nos programas de entrevistas ou cruzaria um piquete do movimento. Conversas recentes entre a direção do SAG e executivos de estúdios, entre eles Robert Iger, da Disney, foram classificadas como improdutivas. Outro indicativo de que a negociação com o SAG pode ser árdua: a AMPTP divulgou uma nota no sábado informando ter ficado feliz com a disposição da AFTRA de iniciar as negociações. Nenhuma menção foi feita ao SAG.

O medo de uma nova greve em Hollywood a partir de 1º de julho tem levado os estúdios a apressarem o final de produções em andamento e colocado novos projetos em pausa até que um novo contrato com os atores seja fechado.


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