Aqui Dentro e Lá Fora (17/03/2010)
Invasão dos Mortos e Punisher Max #5
Agora, as colunas AQUI DENTRO e LÁ FORA se fundem e ganham uma periodicidade semanal. Era um projeto antigo e que vai servir pra gente dar mais vazão para as coisas que saem no Brasil e manter você também atualizado sobre o que está acontecendo longe das nossas bancas.
Vamos lá?
AQUI DENTRO: INVASÃO DOS MORTOS
O QUÊ: Antoine Sharpe, o homem que o governo estadunidense chama quando tem que resolver problemas sobrenaturais, tem que lidar com criminosos de todas as eras reencarnando nos corpos de adolescentes e criando uma onda de caos na América do Norte. A minissérie original, The Atheist, foi lançada entre 2005 e 2007 nos EUA, e sai aqui agora pela editora Gal.
QUEM: O roteiro é de Phil Hester, conhecido como desenhista (Arqueiro Verde, Homem-Formiga), mas que recentemente voltou-se para a carreira de escritor (The Coffin, The Darkness) com várias criações próprias. Os desenhos são de John McCrea (Hitman) nas primeiras histórias, e de Will Volley na última.
POR QUÊ: De início, Invasão dos Mortos parece mais um daqueles quadrinhos que chegam ao Brasil porque os direitos de republicação são baratos - os autores são pouco conhecidos lá fora, a série mal foi notada originalmente, saiu por aquela divisão indie da Image... Enfim, totalmente fora do radar.
Vindo com essa baixa expectativa, Invasão é uma surpresa. Ainda mais se você levar em conta uma coisa: é puro e simples entretenimento para uma horinha de leitura.
A melhor comparação seria com aqueles filmezinhos de terror de orçamento mediano que servem de estreia para um diretor ou roteirista de talento. A premissa já encaminha para essa percepção: é uma homenagem ao clássico Vampiros de Almas (ou seu remake, Invasores de Corpos), dessa vez com assassinos de vários momentos da história como os hospedeiros.
Antoine Sharpe, o personagem principal de Invasão, justamente por ser raso (um investigador do sobrenatural extremadamente cético e com a determinação de um Batman), encaixa-se na proposta de entretenimento rápido. Os diálogos são bem trabalhados. Em alguns momentos são justas as aspas da contracapa, que comparam este título aos trabalhos de Warren Ellis, conhecido pelos diálogos marcantes. Vê-se o esforço de Hester em dar um algo-mais a cada frase, ao invés de ser burocrático e só fazer a história avançar.
Há um probleminha, porém. A tradução parece não ter colaborado com o material, deixando a estrutura do texto muito similar ao original - o que não soa bem em português. É o que prejudica o andar da história, principalmente quando você consegue ver que o texto original era bom.
Antoine Sharpe teve mais uma aventura nos EUA, publicada em 2008, dessa vez pela editora IDW. Era uma minissérie de quatro edições, cancelada na segunda devido a vendas muito abaixo do esperado. A proposta não serve para todo mundo. Mas certamente não é um desperdício de tempo.
ONDE E QUANTO: Invasão dos Mortos está nas livrarias e comic shops. O preço sugerido é de R$ 29,90.
LÁ FORA: PUNISHER MAX #5
O QUÊ: Nova série do Justiceiro na linha adulta da Marvel, a Max, reiniciada lá fora em novembro.
QUEM: O escritor Jason Aaron (da elogiadíssima Escalpo) e o desenhista Steve Dillon (Preacher).
POR QUÊ: A série Max do Justiceiro ficou marcada pelos cinco anos em que Garth Ennis comandou os roteiros. Depois disso, entrou no esquecimento, com histórias até boas, mas por autores desconhecidos. Para ressuscitá-la, a Marvel teve que trazer nomes de peso e ainda reiniciá-la.
A proposta de Jason Aaron é seguir os passos de Ennis - mas não o Ennis sério, durão, das histórias de crime pesadas, que se viu naqueles cinco anos, e sim o Ennis desbocado, grotesco, muitas vezes escatológico das histórias que fez com o personagem no início da década.
Aaron, porém, não joga o drama para as cucuias, como Ennis às vezes faz. A primeira história da nova série mostra a ascensão de Wilson Fisk até tornar-se Rei do Crime em Nova York (lembrando que as histórias Max se passam em continuidade diferente do Universo Marvel comum) - e há momentos bastante sérios, pesados, nada cômicos nesse caminho.
Uma dessas passagens dramáticas acabou virando assunto entre muitos resenhistas nas últimas semanas: a cena, na edição 5 em que Fisk encontra sua esposa e filho à mercê dos mesmos criminosos de quem quer tomar o lugar. A decisão fria que ele toma é marcante na trajetória do personagem, dando uma prova de seu caráter ao Rei como poucas vezes se viu nos seus mais de 40 anos nas HQs.
Como a história estava focada em Fisk, o Justiceiro apareceu pouco até o momento. Ele acompanha a ascensão, e já teve até troca de tiros com o Rei, mas ocupou poucas das páginas da sua própria nova série. Seu grande desafio até agora foi enfrentar mais um da sua série de inimigos invencíveis, o Menonita.
Na próxima edição, Aaron começa a moldar a versão Max de outro vilão bastante conhecido da Marvel tradicional: o Mercenário. Vale lembrar que, diferente do que foi mostrado até hoje, o personagem não terá censura alguma - e Aaron não deve decepcionar na sua visão.
ONDE E QUANTO: Cada edição de Punisher Max custa US$ 3,99 (R$ 7). A primeira coletânea da série, reunindo as seis edições inicias, está prevista para junho e vai custar US$ 19,99 (R$ 36).
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