American
Born Chinese, graphic novel do norte-americano Gene
Luen Yang, foi a primeira história em quadrinhos a receber uma indicação
ao National Book Award, prêmio literário com 57 anos de tradição nos EUA.
A indicação foi destaque na imprensa especializada
em HQ, que chegou a considerá-la mais importante que o Prêmio Pulitzer dado
a Maus em 1992 e sinal do amadurecimento crescente dos quadrinhos.
Por outro lado, a indicação foi atacada por críticos – um jornalista da revista
Wired comentou
que um gibi ser indicado a um prêmio literário (que deveria estar reservado
a livros só de palavras) era sinal da era da mediocridade,
o que levou a uma série de reações da indústria dos quadrinhos a favor do status
artísticos e literário da graphic novel.
O resultado do National Book Award saiu.
American Born Chinese infelizmente não levou o prêmio na categoria Literatura
Infanto-Juvenil, pela qual concorria. Mas não deixou de ser destaque na entrega
do prêmio, que aconteceu na noite de quarta-feira em Nova York.
M.T. Anderson, vencedor da categoria
com o livro The Astonishing Life of Octavian Nothing, Traitor to the Nation,
fez questão de citar a HQ de Yang no seu discurso de agradecimento. Disse que
admirava a decisão do National Book Award, apesar dos arrepios que isto
causou na blogosfera. Estou muito feliz por nosso pioneirismo,
acrescentou.
Yang, que conversou com o jornal Los Angeles
Times antes dos resultados, já estava feliz com a nomeação: É o reconhecimento
de um trabalho que fiz por dez anos. Art Spiegelman uma vez prometeu que os
quadrinhos se tornariam literatura. Acho que isto aqui mostra que estamos chegando
lá. Sem dúvida.