Em entrevista ao site Bookslut, Neil
Gaiman (Sandman,
Os
Filhos de Anansi) deu algumas palavrinhas sobre sua experiência com
os fãs brasileiros, quando veio dar autógrafos para o lançamento de O Livro
dos Sonhos, em 2001.
No meio da conversa sobre sessões de autógrafos,
a pergunta era você já teve que parar uma sessão, com um toque de recolher?.
Gaiman lembrou diretamente do Brasil, na tarde
(que virou noite, que virou madrugada...) de autógrafos na livraria Fnac em
São Paulo.
A pior de todas foi em São Paulo, no Brasil,
em 2001. Os brasileiros são pessoas adoráveis. Mas eles não arredam o pé quanto
ao que sentem. E 1.200 pessoas apareceram e quando chegou a 700 a loja decidiu
que ninguém mais entraria na fila, achando que era demais. As 500 pessoas deixadas
de fora aparentemente explicaram ao pessoal da loja, à sua maneira muito entusiasmada
e agradável e brasileira, que é claro que eles poderiam acabar com a fila se
quisessem, mas aquelas 500 pessoas destruiriam a loja se isso acontecesse. E
eles pensaram por um minuto, reabriram a fila e eu assinei pra todos os 1.200.
Mas só descobri o que tinha acontecido no fim do dia. Fiquei até as 2 da manhã,
e perdi a voz.
Gaiman já mencionou a experiência em várias outras
entrevistas, e diz ter grande simpatia pelo Brasil – que foi o primeiro país
a acreditar em Sandman e traduzir a obra. Apesar de citar a experiência
como a sua pior em sessões de autógrafo, o britânico sempre diz que adoraria
voltar ao país. Mas, desde 2001, nunca retornou.
Retorne ele ou não, este que vos escreve já garantiu
um rabiscado sweet dreams e autógrafo na fatídica sessão de São Paulo.
Ou seja, posso dizer pros meus netos que fui um dos que fizeram Neil Gaiman
ficar rouco.