Sempre e literalmente na contracorrente de todo o universo, Alan
Moore acaba de anunciar seu mais novo projeto: Dodgem Logic,
uma revista underground com cara de fanzine, papel ruim de fanzine
e preço baixo de fanzine. E sem qualquer intenção de audiência
global, mas sim produzida e voltada para o centro do universo mooriano: sua
cidade, Northampton.
Moore vai produzir a revista junto à editora inglesa Knockabout
– que já publicou trabalhos seus, incluindo a última Liga
Extraordinária – e uma equipe de “amigos e conspiradores”,
como escreve no release: a esposa Melinda Gebbie, o desenhista
Kevin O’Neill, o roteirista de TV Graham Lineham
(The IT Crowd, Father Ted), comediantes, escritores e outros autores.
O release, aliás, já é uma obra de arte que
só poderia vir de Moore. Confira um parágrafo:
Linda e barata como uma prostituta adolescente, Dodgem Logic
tem o preço de capa de £2,50 [R$ 7], e seu conteúdo é
similarmente adequado ao atoleiro fiscal no qual estamos todos afundando.
Colunistas regulares dão receitas deliciosas e de preço módico,
conselhos médicos gerais, instruções simples para criar
roupas e acessórios estilosos quase do nada, guias para cultivar seu
próprio jantar sendo um jardineiro de guerrilha e, na primeira coluna
sobre o meio ambiente de Dave Hamilton (The Self-Sufficient-ish Bible), a
corajosa experiência de viver sem dinheiro. Esta mesma abordagem de
auxílio aos leitores que tem que lidar com o cataclisma sócio-econômico
também estará em matérias vindouras sobre o ressurgimento
do movimento dos squatters e nas cartas do povo steampunk/pós-civilização
sobre a reconstrução da nossa cultura e sociedade antes que
elas se percam por completo e nossos filhos se resumam a esmurrar-se com seus
X-Boxes inutilizados numa disputa pelo último pacote de miojo.
A revista de 40 páginas terá oito delas produzidas
e dedicadas à cidade de Northampton. A primeira edição
terá com brinde um CD contendo músicas da cidade dos últimos
50 anos. Estimula-se outras regiões da Inglaterra e do mundo a produzirem
suas próprias versões locais.
A primeira edição – com capa da artista digital
Tamara Rogers - sai em novembro. Traz estampada à frente o que
parece ser o slogan da revista: Colliding ideas to see what happens (“Colidindo
ideias para ver o que acontece”).
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