O álbum em quadrinhos Dez na Área, Um na Banheira
e Ninguém no Gol, que em 2002 reuniu
vários quadrinistas brasileiros para contar histórias de futebol, acaba de gerar
um problema para a Secretaria de Educação de São Paulo. O jornal
Folha de S. Paulo apurou, em reportagem publicada nesta terça,
que o álbum é "recheado de palavrões".
A HQ foi selecionada entre os quadrinhos que o governo de São
Paulo distribuiu às escolas do Estado como parte do programa Ler e Escrever,
voltado para alunos do ensino fundamental, de primeira a quarta série.
Mais de mil exemplares foram comprados da editora Via Lettera
para o projeto, entre quantidades similares de outros 818 títulos de quadrinhos,
literatura e outros.
Das 11 histórias publicadas no álbum, três realmente contêm palavrões.
A primeira, do cartunista Maringoni, faz relação direta entre
futebol e sexo e reproduz o linguajar de torcedores de futebol falando de mulher:
"ficou um tesão", "chupava ela todinha". A de Caco
Galhardo faz uma paródia dos programas de debate sobre futebol na TV,
discutindo as "regras sexuais" que valem no campo ("e fist-fucking, rola?",
pergunta um personagem). E a de Allan Sieber usa os palavrões,
digamos assim, mais comuns, como "puto", "merda", "porra"
e outros.
Em contato com a Secretaria de Educação, o jornal descobriu que,
em função do problema causado, a obra já está sendo recolhida das escolas.
Do seu lado, a Associação dos Cartunistas do Brasil soltou um comunicado dizendo "que as informações colocadas dessa
forma na mídia podem depor contra um trabalho sério nas escolas de
utilização de publicações de quadrinhos como ferramenta de incentivo à
leitura e cultura nacional". "Fica evidente que houve um descuido de quem escolheu esse título para distribuição para o ensino básico", continua o comunicado, completando: "O que vemos é uma crucificação de um
trabalho sério de artistas e da editora, muito bem conceituados, e que
pode ser, sim, distribuído em universidades para o estudo do mundo do
futebol e sua influência na cultura popular".