Wolverine surgiu nos quadrinhos inicialmente em 1974, para,
já de cara, tentar apartar uma briga entre Hulk e o
Wendigo, dois monstros muito acima do nível de poder
do baixinho canadense. Apesar desse começo bombástico e do mar
de popularidade na qual no qual ele navega desde, principalmente, o início
dos anos 1990, o fato é que o personagem, pelo menos em boa parte de
sua primeira década de existência, era pouco mais do que um ilustre
desconhecido. Ou um coadjuvante de luxo, com queiram.
Quando Chris Claremont e John Byrne, principalmente
por insistência do último, perceberam que Wolverine era um dos
heróis de maior sucesso na série Uncanny X-Men,
começaram a lhe dar momentos de destaque e até histórias
solo nas aventuras da equipe. No início dos anos 80, a dupla –
e depois Claremont, sozinho como roteirista – produziu momentos clássicos
de Logan antes de ele ter sua série própria (leia
tudo sobre essa aclamada fase).
Abaixo, listamos alguns dos momentos mais marcantes do baixinho mais invocado
dos quadrinhos, tanto em seu período nos X-Men quanto em carreira solo.
Uncanny X-Men #132-133 (no Brasil, Superaventuras
Marvel 29 e 30 – editora Abril, ou Os Maiores Clássicos
dos X-Men vol. 4 – editora Panini): os X-Men são seqüestrados
pelo Clube do Inferno. Wolverine é o primeiro a conseguir libertar-se
e ajuda os colegas a enfrentarem os inimigos. A edição 132 acaba
com a cena clássica de Logan no esgoto, por Byrne, dizendo “Agora
é minha vez”.
Uncanny X-Men #141-142 (no Brasil, Superaventuras
Marvel 45 e 46 - editora Abril; Marvel 40 Anos no Brasil –
editora Panini): “Dias do Futuro do Presente”,
o futuro alternativo que é uma das grandes histórias da dupla
Byrne/Claremont. Momento Clássico Logan: um Sentinela atinge em cheio
o herói durante um ataque, deixando apenas seu esqueleto de adamantium
intacto.
Uncanny X-Men #162 (no Brasil,
Superaventuras Marvel 67 – editora Abril): os X-Men foram raptados
e infectados pela raça alienígena Ninhada –
cada um tem um ovo alien dentro de si. A edição é a primeira
aventura realmente solo de Wolverine, na qual ele caminha por um mundo bizarro
tentando extirpar a infecção com seu fator de cura. Desenhos
de Dave Cockrum.
Uncanny X-Men #172-173 (no Brasil, minissérie
X-Men 1 e 2 – editora Abril; Eu, Wolverine –
editora Panini): logo após sua primeira minissérie solo, Wolverine
convida os X-Men ao Japão para seu casamento (!) com Mariko
Yoshida. Ponto alto de Chris Claremont – na parceria com o
desenhista Paul Smith - é das histórias mais
lembradas pelos x-fãs.
Uncanny X-Men #205 (no Brasil, Heróis
da TV 100 – editora Abril; Marvel 40 Anos no Brasil –
editora Panini): Barry Windsor-Smith, antes de produzir
Arma X, produziu este marco para Logan, que introduziu sua inimiga Lady
Letal numa luta sangrenta em Nova York.
GRANT MORRISON
No início dos anos 00, a Marvel teve um de seus momentos de maior experimentalismo
sob o comando dos editores Joe Quesada e Bill Jemas.
Durou pouco, mas um de seus pontos altos foi colocar o insano escritor escocês
Grant Morrison para escrever a série mais vendida da editora,
X-Men.
Morrison mudou o nome da série para New X-Men
e virou do avesso o mundo dos mutantes. Um dos seus feitos foi transformar a
equipe em megacorporação multinacional para proteção
da raça.
A fase Morrison divide os fãs, mas é inegável que ela
gerou grandes momentos para Wolverine. O ideal é ler a fase completa
– no Brasil, lançada entre X-Men 9 e 43 (Panini) e sendo
relançada em coletâneas como E de Extinção e
Imperial – prestando atenção em momentos como o da
conversa de bar entre Logan e Ciclope, ou quando Jean
Grey pede a ele que a mate.
Vale lembrar que o desenhista Frank Quitely fez um novo uniforme
para Wolverine, e para todos os X-Men, deixando-os mais próximos do que
se vê nos filmes.
WOLVERINE - MINISSÉRIE SOLO
Em 1982, Chris Claremont já fazia sucesso em Uncanny X-Men
e decidiu dedicar-se a uma série solo de Wolverine. Para auxilia-lo,
a Marvel escalou um desenhista ainda desconhecido, mas de grande potencial,
chamado Frank Miller. A idéia da minissérie intitulada
simplesmente “Wolverine” (cuja republicação
sai no Brasil esse mês pela Panini como Eu, Wolverine)
era jogar um pouco de luz no passado desconhecido – e pré confusões
como implantes de memórias – do personagem. Na época os
leitores sequer sabiam, por exemplo, se as garras de Logan era parte de seu
corpo ou de suas luvas.
Com isso em mente, Claremont envia Wolverine ao Japão, com a missão
de confrontar Mariko Yashida, a mulher que ele amava. Logan, que carregava um
forte código de honra bastante particular ao mesmo tempo em que lutava
para controlar sua besta interior, foi à Terra do Sol Nascente para pedir
a mão de Mariko em casamento. Para isso, deveria enfrentar o pai da noiva,
Shingen Yashida, um dos poucos homens que poderia superá-lo
não só fisicamente, mas também tinha a capacidade de destruir
quase completamente a auto-estima e confiança que tornaram Logan aquele
oponente tão obstinado.
Em “Wolverine” Logan cai e se levanta repetidas vezes. Confrontado
pelo Tentáculo, derrotado por Shingen, traído
por aliados – como a assassina Yuriko, que voltaria a
aparecer ao seu lado diversas vezes ao longo dos anos – ele precisa mostrar
não só para Mariko, mas para si mesmo que, antes de tudo, é
um homem honrado. Para os leitores, o roteirista tem que provar que o herói
tem mais profundidade do que vimos até então. Muito do que se
sabe de Wolverine hoje foi estabelecido nessa minissérie, independente
da onda posterior de implantes de memória e falsas lembranças
terem avacalhado sua vida.
WOLVERINE – GIBI SOLO
A melhor fase da série solo de Wolverine? O início da colaboração
entre o roteirista Larry Hama e o desenhista Marc Silvestri.
Era o início da década de 90, toda a linha mutante estava em alta
e, enquanto as séries principais de X-Men traziam histórias de
revirar o mundo dos personagens, Hama e Silvestri apenas brincaram com Logan
enfrentando Dentes de Sabre, Lady Letal e novos inimigos. Além
de aventura blockbuster, a série tinha um tom de comédia
espetacular.
Esta fase fica entre as edições 31 e 46 da série original.
No Brasil, saiu em Wolverine 26 a 38 (editora Abril) e, em preto e
branco, em Wolverine Edição Histórica 2 (editora
Mythos). Hama e Silvestri continuaram trabalhando com Logan depois, mas –
fora alguns bons momentos, como a morte de Mariko - a série começou
a sofrer com a pataquada dos implantes de memória e a bagunça
no passado de Logan...
“INIMIGO DO ESTADO”
Uma coisa que os quadrinhos de super-heróis vêm descobrindo nos
últimos anos é que eles precisam comparar-se mais a Hollywood
na pirotecnia e na aventura quase-sem-cérebro – com a vantagem
do orçamento ilimitado para cenários, explosões e efeitos
especiais. Mark Millar é um dos principais nomes dessa
tendência – e não por acaso tem um caso de amor com Hollywood.
Em 2004, a Marvel entregou a ele as chaves de Wolverine e só pediu que
o devolvesse inteiro no ano seguinte. Com um dos melhores desenhistas da editora,
John Romita Jr., Millar fez seu blockbuster hollywoodiano
com Logan no papel principal. E não se contentou com ele, usando praticamente
todo o Universo Marvel como coadjuvante.
A trama começa com Logan sendo chamado ao Japão para resolver
o seqüestro de uma criança. De repente, é uma conspiração
que une Tentáculo e Hidra, duas organizações secretas históricas
da Marvel, para derrubar grandes heróis e o mundo. O plano, criado pelo
novo vilão Górgon, começa com Wolverine
sendo controlado mentalmente para matar e destruir. A partir daí, Elektra,
Nick Fury e a S.H.I.E.L.D., Quarteto
Fantástico, Demolidor, Vingadores
e, é claro, os X-Men entram na história.
Como num filme de Michael Bay, se você pensar muito
estraga. Um dos pontos altos da história é Wolverine detonando
uma base secreta de ninjas enquanto voa nas costas de um robô gigante.
Relaxe e divirta-se.
“O HOMEM NO POÇO”
Se você é fã recente de Wolverine, deve ter esta na coleção:
saiu aqui em Wolverine Anual 2. É a primeira história
oficial do roteirista Jason Aaron com o personagem. A partir
daí ele recebeu o convite para ser escritor regular da série.
E, lá fora, até já lançou uma nova série
de Logan – Wolverine: Weapon X.
Como ele foi contratado tão rápido? Primeiro, porque já
tem uma reputação como bom escritor da Vertigo, onde publicou
a minissérie The Other Side e a série Scalped.
Segundo, por que “o homem no poço” é um pequeno e
maravilhoso conto sobre a personalidade de Wolverine.
Claro que os desenhos do veterano Howard Chaykin ajudam. Mas
quem, em sã consciência, em sua história de teste, faria
Logan soltar as garras uma única vez – e nas páginas finais?
Aaron arriscou, a Marvel e os fãs gostaram e agora ele é o cara
que vai cuidar da boa reputação de Logan nos próximos anos.
Está em ótimas mãos.
“ESCOLHAS MALDITAS”
Publicada por aqui na décima primeira edição da série
“Graphic Marvel” (Editora Abril, fevereiro de 1992), “Escolhas
malditas” é uma daquelas pequenas pérolas que passam
desapercebidas aos olhares menos atentos. Isso porque não envolve grandes
sagas, crossovers ou mudanças inesperadas e/ou gigantescas na
vida de seus protagonistas. É, pura e simplesmente, uma boa história
em quadrinhos. Seu mérito principal, no entanto, é avaliar o quanto
as escolhas infleunciam nas vidas das pessoas, daí seu título.
A trama se passa no Havaí. De férias de seu trabalho como X-Man,
Logan vai ao estado para descansar por uns dias. Como não podia deixar
de ser, ele acidentalmente acaba se envolvendo em um caso da SHIELD que o coloca
contra Nick Fury. Enquanto o coronel está procurando um grande traficante
de drogas, Logan descobre que o mesmo criminoso é um pedófilo
sádico. Ao longo da história – que tem um final aberto,
ainda que óbvio – Wolverine tem que fazer escolhas que ajudam a
definir o tipo de homem – e herói – ele gostaria de ser.
Afinal, seria ele um homem racional dado a ocasionais ataques de fúria
ou um animal furioso que se disfarça de homem de vez em quando?
Apesar de algumas passagens e diálogos hoje parecerem datados, o fato
é que a história concebida pelos talentos de Tom DeFalco
e John Buscema ainda se mantém atual. Como aparenta
se localizar fora da cronologia oficial de Wolverine, torna-se atemporal e,
se o leitor estiver disposto a lê-la com um olhar mais atento, pode levar
a importantes reflexões sobre os caminhos para onde nossas próprias
“Escolhas malditas” nos levam.
“ORIGEM”
Na primeira metade dos anos 1990, os X-Men entraram em mais um gigantesco conflito
com Magneto que, novamente, prometia ser definitivo. No meio
da pendenga que envolvia ainda os Acólitos do Mestre do Magnetismo, Wolverine
tentou matá-lo e, por pouco, não conseguiu. Tomado pela fúria,
ainda que dotada de um calculismo frio, Magneto decidiu que era a hora de acabar
com a longa história de ódio que havia entre ele e o mutante canadense.
Assim, simplesmente usou seus poderes para extrair o metal que revestia os ossos
de Logan. Daquele momento em diante, de acordo com a cronologia então
vigente, Wolverine perderia não só o adamantium, mas também
suas indefectíveis garras. Afinal, segundo a cronologia da Marvel de
então, as garras de Wolverine eram nada mais do que um “acidente”
ocorrido durante o processo pelo qual o baixinho passou e que reverteu seus
ossos de adamantium no projeto canadense Arma X.
No entanto, pouco depois, quando ainda se recuperava dos ferimentos infligidos
por Magneto, Logan descobriu que ainda possuia suas garras, só que elas
eram de osso. Isso dava a entender que ele sempre tivera as extensões
mas, de alguma forma, só se lembrou delas após os traumáticos
eventos de “Arma X”. Na época um sujeito despreocupado, Logan
deixou essa história pra lá e foi viver sua vida; os fãs,
no entanto, ficaram curiosos. Afinal, se as garras não eram resultado
do projeto Arma X, de onde diabos elas vieram?
A resposta viria no início de 2002 quando a minissérie Origem,
de Paul Jenkins, Andy Kubert e Richard
Isanove chegou às lojas. Dividida em seis edições
nos EUA e em 3 no Brasil (publicada pela Panini), Origem prometia revelar
não só a primeira aparição das famosas garras, mas
também a verdadeira origem do homem conhecido com Logan. Inclusive seu
verdadeiro nome.
Origem começa no último quarto do século 19,
em uma propriedade rural canadense. A história abre quando a jovem -
e ruiva – Rose chega à propriedade dos Howllet.,
uma família rica da região, para trabalhar como tutora do filho
único da família, o frágil e doente James Howlett.
Logo, Rose, James e o garoto conhecido como Cão, filho
do violento capataz da família, Thomas Logan, se tornam
amigos insaparáveis, o que traria sérias consequências para
o terceiro, já que seu pai não admitia que ele se envolvesse com
gente de uma classe que considerava superior à sua.
Na medida em que o trio se aproxima da adolescência, o rancor de Thomas
pelos Howlett, especialmente pelo pai de James, John, cresce exponencialmente,
e termina em tragédia. Isso desencadeia uma série de fatos surpreendentes
que amarram de forma bastante satisfatória – ainda que desnecessária
– toda a história dos primeiros anos de James, o homem que, no
futuro, assumiria a identidade de Logan, o Wolverine.
"WOLVERINE: ARMA X"
Obviamente, lista alguma dos melhores momentos de Wolverine estaria completa
sem Arma X, talvez seu melhor momento nos quadrinhos. Sobre essa aclamada
fase você lê neste
link.
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