Na coluna LÁ FORA, o Omelete lê
e comenta os grandes lançamentos em quadrinhos nos Estados Unidos.
I KILL GIANTS #7 (de 7)
I Kill Giants não é das HQs que chama
minha atenção. É uma da pilha de séries indies
que a Image lança todo mês, metade delas com autores
de quem você nunca mais vai ouvir falar e a outra metade com autores já
meio decadentes. Achei que era a segunda opção: faz bastante tempo
que Joe Kelly não escreve nada bom (ele fez coisas legais
nos anos 90, como Deadpool).
Dei uma olhada nos desenhos, de um novato chamado JM Ken Nimura,
e resolvi dar uma chance. Tem uma forte influência do mangá, mas
com traço bastante solto. Quando me dei por conta, já estava lendo
a penúltima edição, e torcendo para que a última
chegasse logo.
I Kill Giants é a história de Barbara Thorson,
uma menina meio maluquinha, que está sempre preparando-se para lutar
contra monstros gigantes. O maior deles está no sótão da
sua casa, onde ela se recusa a ir. Há também os gigantes no colégio,
os gigantes do seu RPG e o maior de todos, que ela percebe que se aproxima no
horizonte, e que logo ela terá que enfrentar.
A menina enlouqueceu ou é tudo metáfora sobre a chegada da maturidade?
Faz parte da série ficar pendendo para um lado ou outro dessa pergunta.
Assim, Kelly faz uma das histórias infantis – por estrelar crianças,
não por ser para crianças – mais fortes que eu já
li, quase tão criativa quanto as de Neil Gaiman, mas certamente com o
mesmo poder.
Se você não tem coração de pedra, a última
edição vai dar pelo menos uma coceirinha no olho. Tomara que seja
publicada no Brasil. Dá para ler a primeira edição, completa,
aqui.
MARVELS: EYE OF THE CAMERA #3 (de 6)
Marvels é uma das minhas HQs prediletas. Lembro
até hoje que reli a edição 2 várias vezes, logo
depois de comprar, para entender o que ela tinha feito comigo. Podiam ser as
expressões que só o Alex Ross conseguia fazer,
mas a força do roteiro de Kurt Busiek também
importava. As outras edições, mais focadas nesse "maravilhamento"
em torno dos heróis, são insuperáveis nesse tema.
Chegando a Marvels: Eye of the Camera, a continuação
há muito escrita por Busiek, perdida em alguma gaveta da Marvel, a primeira
sensação é de... rejeição. Marvels,
a original, é intocável, não há porque se fazer
uma continuação. Tudo que precisava ser dito foi colocado lá
muito bem.
Foi complicado, mas tentei ler a série sem esse filtro de fanboy
e julgá-la pelos seus próprios méritos. Ela segue o fotógrafo
Phil Sheldon mais ou menos do ponto onde a primeira minissérie
parou. Ele descobre que está com câncer de pulmão, justamente
numa época em que o universo de heróis começa a ficar um
pouco "dark" – o Capitão América
corta suas relações com os EUA, surgem anti-heróis como
o Justiceiro ou aberrações como o Motoqueiro
Fantasma, e os mutantes continuam gerando dúvidas em toda população.
É nessa atmosfera de medo que Sheldon resolve fazer um novo livro de
fotos, que apele para a visão majestosa dos heróis, lembrando
sua importância para a humanidade. O contexto, porém, parece ir
contra ele.
Pode ser pré-antipatia, mas Eye of the Camera não tem
aquela mesma qualidade narrativa da Marvels original. Peguei essa de
novo para dar uma folhada e encontrei páginas onde a história
anda lentamente, como num filme muito bem montado, para apresentar o mundo de
heróis Marvel. Na continuação, tudo parece um pouco apressado.
E falta, claro, a expressividade e o dinamismo das pinturas de Alex Ross, substituído
pelo desenhista (tecnicamente perfeito) Jay Anacleto.
O julgamento final é este: a continuação pode ser um esforço
fantástico no roteiro de Busiek e nos desenhos de Anacleto. Mas você
não consegue se livrar da sensação de que Marvels era uma
coisa na qual ninguém devia mexer.
SECRET WARRIORS #1
Essa série nova da Marvel chamou minha atenção no momento
em que anunciaram Jonathan Hickman como escritor. Hickman é
o autor de The
Nightly News, HQ com uma narrativa inovadora que se destacou
em 2007, e esse é o seu primeiro trabalho para uma grande editora.
Escrever ao lado de Brian Michael Bendis, que também
assina o roteiro, só ajudou o cara. O melhor de ambos – a estrutura
veloz do Bendis, a organização milimétrica de Hickman –
acabou aparecendo na primeira edição, que mostra o time montado
por Nick Fury após o fim da S.H.I.E.L.D. É um
típico gibi de super-herói, mas tem algo a mais.
O final tem uma pequena grande revelação que deixa de cabelos
em pé quem acompanha há alguns anos todo esse pano de fundo dos
gibis Marvel que é o Universo Marvel. Não vou
resistir em não falar aqui: Nick Fury descobre que a S.H.I.E.L.D. sempre
foi parte da HIDRA. E começou a guerra dos acólitos de Fury contra
a mega-organização.
Nas páginas extras, após o fim da história, Hickman apresenta
uma série de organogramas/infográficos – da
mesma forma que fez para revelar o futuro da série – que revelam
bases secretas da S.H.I.E.L.D., os tentáculos da Hidra pelo mundo, planos
de Fury e muito mais em uma linguagem gráfica sensacional.
A série promete.
BATMAN #686
A primeira parte de "Whatever Happened to the Caped Crusader?",
a tão comentada história de Neil Gaiman no Batman,
tem um começo para mim tão inesperado que já parece spoiler
contar a premissa. Portanto, leia por sua própria conta e risco.
É o funeral de Batman. Seus amigos e seus vilões reúnem-se
em uma casa funerária para lamentar a morte. Mas ninguém sabe
como ele morreu, o que é a deixa para cada um começar a contar
sua versão da história – uma completamente diferente da
outra.
Neste primeiro capítulo, Selina Kyle e Alfred
contam suas versões. A de Alfred é uma interpretação
criativa de todo bat-universo, que já vale a participação
de Gaiman na série.
Gaiman, aliás, voltou àquela sua visão do "poder
das histórias" que trabalhava tão bem em Sandman.
Todas as suas obras lidam com isso, de uma forma ou de outra. Mas a nova Bat-história
lembra muito "Fim dos Mundos" e "O Despertar". É
a convergência dos fãs de Morfeu com os fãs de Batman.
O problema agora vai ser esperar a conclusão. Gaiman disse em seu blog
que Andy Kubert ainda está desenhando – e às
pressas – a segunda parte, que já teve lançamento empurrado
para março. É torcer para que não atrase mais.
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