O maior nome da animação japonesa, Hayao Miyazaki (A Viagem de Chihiro, O Castelo Animado), criticou o primeiro-ministro japonês Taro Aso pelas declarações públicas quanto à sua paixão pelos quadrinhos. Miyazaki acredita que é um estímulo negativo para as crianças, que vivem em mundos cada vez mais irreais.
Aso, eleito em setembro deste ano, fundou o Prêmio Internacional de Mangás e o Encontro Mundial de Cosplay quando exercia outros cargos no governo japonês. Após assumir o cargo de primeiro ministro, chegou a falar em coletivas que um dos problemas do novo emprego era não sobrar tempo para ler gibis.
Para Miyazaki, esse tipo de declaração é "uma vergonha. É algo que não devia ser exposto em público".
Durante uma coletiva de imprensa, o diretor disse que sua principal preocupação é com o distanciamento entre as crianças e o mundo real - por mais que isto seja um paradoxo, já que sua profissão é criar mundos de fantasia. "O ambiente em torno de nossos filhos está cheio de realidades virtuais: televisão, videogames, e-mail, celulares e mangá. Acho que isso enfraquece as crianças", declarou.
Miyazaki defende que, antes de aprender a ler, as crianças deveriam ser ensinadas a fazer fogueiras ou usar canivetes, conhecimentos mais práticos que as colocariam em contato com a natureza. "Ao invés de ficar pensando em como estimular a demanda criando pontes ou estradas [referência aos atuais conselhos para diminuir os efeitos da crise econômica mundial], deveríamos nos preocupar em ter um ambiente próprio para as futuras gerações".
O animador lançou este ano sua mais recente produção, Gake no ue no Ponyo, que deve chegar a Brasil em junho de 2009.