Nas últimas semanas, motivada pelo lançamento de Batman
- O Cavaleiro das Trevas, a Panini Comics colocou
nas livrarias e lojas especializadas do Brasil três importantes volumes
do Homem-Morcego através da linha Panini Books. A Aqui
Dentro Especial Batman comenta essas novidades.
Batman - O Longo Dia das Bruxas - Edição
Definitiva
Por Érico Borgo
Ainda que não sejam adaptações de
histórias existentes nos quadrinhos, os filmes Batman Begins
e Batman - O Cavaleiro das Trevas usam
inúmeras idéias criadas em uma das melhores histórias do
Homem-Morcego: O Longo Dia das Bruxas.
Basta uma folheada rápida para perceber a influência.
Jeph Loeb e Tim Sale estão entre
os quadrinistas que melhor definiram a máfia gothamita, elemento fundamental
para os filmes do herói. Mas, na verdade, a folheada não é
necessária, já que o diretor Christopher
Nolan e o roteirista David S. Goyer abrem a edição
exaltando exatamente o papel que a história teve na criação
dos filmes. O texto foi publicado antes de O Cavaleiro das Trevas,
mas quem assistiu ao mais lucrativo filme de super-herói de todos os
tempos perceberá que o cineasta continuou a usar a graphic novel
como referência para o segundo filme, especialmente em relação
ao personagem Harvey Dent.
Na HQ, que tem uma das mais complexas tramas já criadas para o herói
(pisque e você vai precisar voltar algumas páginas pra não
se perder), Gotham é assolada por uma guerra entre duas famílias
criminosas. Para tornar as coisas mais complicadas, um assassino serial começa
a agir nos feriados, preocupando ambos os lados, os cidadãos, os departamentos
públicos de Gotham e, claro, o Cavaleiro das Trevas, que precisa encontrar
uma maneira de parar a guerra, os assassinatos e ainda livrar a cidade de seus
psicopatas de plantão.
Como um dos pontos altos do Cruzado de Capa, O Longo
Dia das Bruxas merecia uma edição à altura
e a Panini foi extremamente feliz em escolhê-la para ser a segunda HQ
da linha Edição Definitiva (equivalente
nacional à Absolute norte-americana), iniciada com O Cavaleiro
das Trevas. O tratamento é primoroso: Capa dura, formato maior que
o da publicação seriada original (18,5 x 27,5 - que evidencia
a bela arte estilizada de Sale), 404 páginas e papel couchê. Completa
a imperdível edição uma longa entrevista, esboços
e curiosidades a respeito da criação dessa obra-prima. A média
de preço é 70 reais. Compre
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Batman Ilustrado por Neal Adams
Por Érico Borgo
Na segunda metade da década de 1960, Neal Adams começou
a desenhar algumas das capas das séries Detective Comics, The Brave
and the Bold, Batman e World´s Finest. Logo, porém,
ele assumia a arte de The Brave and the Bold, título que colocava
o Homem-Morcego em parcerias com outros heróis da DC Comics.
Na série, Adams começou a experimentar os limites da arte sequencial.
Aos poucos, foi deixando de lado o engessamento dos quadros e passou a explorar
o dinamismo que o meio tornava possível, ainda que as histórias
em quadrinhos passassem por um período de mudanças em termos narrativos.
Afinal, os efeitos da publicação de Sedução
do Inocente do Dr. Fredric Wertham estavam finalmente passando, mas
o Batman alegre e dançarino da televisão estava na moda, ainda
que os criadores tentasse dar a ele nos quadrinhos um ar menos caricato. Nesse
sentido, o trabalho de Adams foi fundamental.
O estilo naturalista do ilustrador inspirou não apenas uma nova geração
de ilustradores, mas também forçou alguns roteiristas a pensarem
melhor os quadrinhos. O primeiro volume da série Batman Ilustrado
por Neal Adams traz um pequeno vislumbre dessa importância para a
Nona Arte - seu trabalho com a DC de 1967 a 1969 -, mas é fundamental
para que seja observada sua evolução, que culminou na editora
na antológica série ao lado de Dennis O´Neil.
A dupla Adams e O´Neil (que mais tarde assinaria junta outro clássico:
Lanterna
Verde/Arqueiro Verde) basicamente tornou o Batman o que ele é
hoje, definindo seu visual e resgatando o aspecto assustador do início
das HQs do herói. Finalmente, o personagem retomava a alcunha de "Cavaleiro
das Trevas". Essas histórias, publicadas na década de 1970,
devem aparecer em um dos próximos volumes dessa coleção.
Quando à edição em si, trata-se de verdadeiro livro de
arte. Capa dura com reserva de verniz, formato americano, 240 páginas
coloridas (a arte foi recolorizada para eliminar as retículas da época),
design minimalista e excelente organização. Merecidíssimo.
Não fossem tais personagens propriedade da DC, creio que veríamos
coleções da elegante Taschen dedicadas a criadores como Neal Adams.
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Batman - A Queda do Morcego - Volume 1: Herói
Quebrado
Por Érico Borgo
A década de 1990 marcou os heróis da editora DC com traumas.
O Homem-de-Aço morreu nas mãos de um vilão especialmente
criado para esse fim (Apocalypse) e o Batman foi humilhado e fisicamente destruído
por um antagonista também desenhado para obter sucesso onde Coringa,
Duas Caras, Pinguim e tantos outros falharam.
O truculento e inteligentíssimo Bane, aliás,
empregou justamente os grandes inimigos do Morcego para "amaciarem"
o herói, até que ele estivesse suficientemente esgotado e no ponto
em que o vilão queria para, enfim, ser derrotado. A história,
como a Morte
do Super-Homem, causou polêmica entre fãs que a taxaram
de golpe publicitário, já que todo mundo sabe que a editora não
encerraria a carreira de um de seus maiores personagens.
Esse é o grande problema dos quadrinhos de personagens com lucrativas
décadas de vida - ninguém será insano a ponto de enterrá-los
de vez. Mas, no intuito de dar aos leitores algo que eles nunca viram (algo
quase impossível no caso do Batman, personagem prestes a completar 70
anos de vida) e visando maiores vendas, os editores arriscam-se de tempos em
tempos com esse tipo de ação. E até que A Queda
do Morcego (Knightfall) cumpriu seu papel de maneira
mais inteligente que a citada Morte do Super-Homem. Afinal, Bruce Wayne,
diferente de seu aliado kryptoniano, é mero humano e, como todos os de
sua raça, sujeito ao cansaço físico e estresse decorrente
do excesso de trabalho.
Os roteiristas Doug Moench e Chuck Dixon
desenvolveram uma história interessante, preparada ao longo de meses,
que culminou no Batman tendo sua coluna partida por Bane. O arco foi desenhado
por Jim Aparo, Grahan Nolan e Jim
Balent.
Bane já nasceu prisioneiro em uma república caribenha que entende
que filhos de presidiárias são automaticamente condenados a penas
próprias. Nesse ambiente de violência, cresceu temido e respeitado
em seu cárcere até que, por desafiar o diretor da prisão,
é escolhido como cobaia para uma experiência. Como resultado, torna-se
superforte com o auxílio do anabolizante Veneno e consegue escapar. Seu
objetivo como homem livre? Tomar para si Gotham City, eliminando quem ficar
em seu caminho.
O primeiro volume da história tem seus méritos. É interessante
acompanhar como Bane se vale das mesmas qualidades de seu inimigo para derrotá-lo:
Força de vontade, inteligência, habilidades físicas e tecnologia.
Fica a ressalva apenas à impressão de que a história já
estava bem avançada no início da HQ. As primeiras histórias
estão repletas de referências a momentos imediatamente anteriores
envolvendo Bane. Faltou também a republicação da origem
do personagem, que funcionaria muito bem para que os novos leitores entendessem
melhor quem é esse sujeito que está azucrinando o herói.
Esses problemas seria facilmente sanados com um artigo contando a história
até o momento, algo que as editoras brasileiras costumam fazer com freqüência.
Fica a dúvida da simplificação dessa edição,
portanto. De qualquer maneira, vale a aquisição por tratar-se
do registro de uma fase importante. Já os outros volumes, com Jean Paul
Valley assumindo o manto do morcego e a recuperação são
uma outra história... apenas um desenrolar medíocre para um começo
tão interessante.
Batman: A Queda do Morcego vol.1: Herói Quebrado tem 276 páginas
coloridas e custa R$ 36,90. Compre
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