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Ronin Soul 2 Fabrício Velasco (roteiro) e Rod Pereira (arte) - Nomad Editora |
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The Ring Hiroshi Takahashi (roteiro) e Misao Inagaki (arte) - Conrad |
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Guerra secreta Brian Michael Bendis - Panini |
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Bang Bang VÁRIOS - Devir |
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Atendendo a pedidos, o Omelete tem agora uma coluna irmã para a LÁ FORA e mergulha nas bancas e livrarias para comentar os principais lançamentos recentes. Nesta edição: The Ring, Ronin Soul, Guerra secreta e Bang Bang .
Ronin Soul
Por Marcelo Forlani
Publicar histórias em quadrinhos no Brasil é, por si só, um ato de heroísmo. Seria muito mais fácil simplesmente escrever e desenhar tudo no computador e despejar na Internet mais um cyber-comic. Mas não foi essa a opção tomada pelo roteirista Fabrício Velasco e o desenhista Rod Pereira. Juntos, eles criaram uma série de quadrinhos e um estúdio, ambos batizados Ronin Soul.
Quando recebi o primeiro número da revista, vi desenhos e cores muito bons e um roteiro aparentemente muito bem pesquisado, que remontava ao Japão feudal. O cenário e as batalhas eram impressionantes, porém, a última página me deixou com a pulga atrás da orelha. Nestes quadros finais, fui apresentado aos personagens que nos dias de hoje reencarnarão os quatro samurais do clã Hattori. Assim, o japonês Ryuji Tanaka, o norte-americano Aaron Wilker, a italiana Isabelli Fontanelli e o brasileiro Carlos Gimenes da Silva receberão as almas dos ronins Shikuro, Naizu, Denemon e Hanzo Hattori.
E o meu medo infelizmente se confirmou. Nesta segunda edição, o frescor da estréia foi deixado de lado para mostrar personagens e situações clichês. Dedicada ao desenvolvimento dos guerreiros modernos, a história evolui muito pouco e de maneira desequilibrada. Enquanto gasta-se sete páginas para mostrar um dia que seria normal para o estadunidense, o brasileiro ganha cinco, o japonês três e a gostosona italiana três mais um epílogo. E por mais estranho que pareça, é justamente o cotidiano do Carlos que se mostra o menos verossímil. Seu jeito de falar soa falso. São detalhes, como trocar um está por tá ou o estranho uso de um vamo bora em vez de um coloquial vambora. Por outro lado, há algumas brincadeiras escondidas na arte, como chamar o colégio de Velasco e Pereira em referência aos autores ou fazer um figurante que é a cara do Tobey Homem-Aranha Maguire.
A história começa com a família Iga, guardiã da Ten Ganseki, a esfera da vida, que muitos julgam ser apenas uma antiga lenda japonesa. Mas no fim do século 16 seu castelo é emboscado pelo exército do general Oda Nobunaga, que quer o tal artefato e seu poder. Cabe ao famoso clã Hattori defender a Ten Ganseki e conseqüentemente a honra de sua palavra, de protegê-la até o fim de seus dias. Porém, alguns séculos depois, suas almas ainda trabalham na difícil missão de não deixar a esfera da vida cair em mãos erradas.
Publicado de forma bimestral, a história ainda promete bastante ação. Mas para isso, os heróis (e eu estou falando dos criadores da série) vão precisar da sua ajuda. Vá até a banca mais próxima e contribua com os quadrinhos nacionais.
Ronin Soul. Graphic novel. Roteiro: Fabrício Velasco. Desenhos: Rod Pereira. Editora: Nomad. Formato americano. 28 páginas. 6,90 reais cada
Saiba mais: www.roninsoul.com
Ring - O chamado
Por Alexandre Nagado
Muito antes do terror oriental e seus fantasmas chamarem a atenção de Hollywood, já era um estilo consagrado no Japão. Expoente máximo do gênero, o livro Ring, de Koji Suzuki, invadiu o cinema e a TV nipônicos e ganhou refilmagem ocidental com direito a seqüência e muita badalação. Na esteira do sucesso, o filme original também foi lançado por aqui, arrepiando audiências. E agora é a vez de uma das versões em mangá, assinada por Misao Inagaki e Hiroshi Takahashi. A produção foi lançada no Japão em 1999, tendo sido publicada nos EUA em 2003 pela editora Dark Horse. Respectivamente em setembro e outubro, os dois volumes (de um total de dois) chegaram às bancas e livrarias brasileiras, graças à Conrad Editora.
O enredo começa com duas amigas conversando sobre a lenda urbana da fita de vídeo que provoca a morte de quem a assiste, após uma semana. Uma delas estava apavorada por ter assistido à tal fita sete dias atrás. Com a grotesca e misteriosa morte da jovem, a repórter Reiko e seu ex-marido Ryuji investigam a maldição da fita e chegam a um centro de estudos sobre paranormais. A pesquisa os levará a conhecer a história de Sadako, a chave do mistério envolvendo uma série de mortes atribuídas à fita. Combinando eventos e detalhes do livro, do longa original e da série de TV, o mangá Ring – O chamado oferece uma outra visão sobre a trama que conquistou o mundo.
A arte desse mangá é quase amadorística, com um traço grosseiro e cru. Mas essa falta de refinamento até combina com o clima pesado da história. A narrativa visual é apenas competente e sua simplicidade dá espaço para que a misteriosa trama ganhe força pelas idéias apresentadas.
A desenhista Misao Inagaki, além de autora de mangás de terror, também é atriz, tendo estrelado o horripilante Marronier, filme independente sobre uma boneca amaldiçoada e que tem tudo para ganhar os holofotes ocidentais algum dia. O roteirista Hiroshi Takahashi, um grande especialista em Ring, também escreveu os primeiros filmes japoneses da série e estreou como diretor em 2004, com o filme Sodomu no Ichi (Ichi de Sodom).
Com uma atmosfera tensa, Ring – O chamado é uma razoável adaptação da obra de Koji Suzuki, com seus méritos e defeitos. Para quem já assistiu aos filmes, o mangá pode acrescentar pouco, mas não deixa de ser uma amostra do que se faz no Japão em termos de quadrinhos de terror, gênero que curiosamente conta com diversas mulheres entre seus autores.
Ring – O chamado (The Ring) Minissérie em duas edições. Roteiro: Hiroshi Takahashi. Desenhos: Misao Inagaki. Editora: Conrad. Formato: 13,5 x 20,2 cm. 160 páginas. 13,90 reais cada
Saiba mais: www.theringworld.com
Guerra secreta
Por Érico Borgo
Duas partes do evento Guerra secreta chegaram às bancas em outubro. A primeira, uma edição de Marvel Apresenta, mostrou um ataque covarde a Jessica Jones e seu namorado, Luke Cage. A outra, o primeiro capítulo da minissérie em três partes Guerra secreta.
A primeira reúne um arco de histórias da revista The pulse que serve de prelúdio à aventura. O formato da narrativa é bastante interessante, afinal, foge totalmente do convencional. Aqui, os leitores são apresentados ao problema, mas mantidos totalmente no escuro, tentando adivinhar o motivo do ataque ao Herói de Aluguel Luke Cage e como Nick Fury, o Capitão América e o Wolverine se encaixam nisso tudo. As respostas, só mesmo nas três partes da minissérie.
A galinha dos ovos de ouro da Marvel, Brian Michael Bendis, é responsável pelos textos. Já as ilustrações ficam a cargo de Brent Anderson & Michael Lark (Marvel Apresenta) e Gabrielle Dell’Otto (Guerra secreta). Anderson & Lark fazem um trabalho regular, mas Dell´Otto compensa com seu belíssimo traço pintado.
Na trama, Nick Fury reúne um grupo de super-heróis para juntos lutarem uma guerra que as autoridades fingem não existir. Qualquer semelhança com a política imperialista de George W. Bush não é mera coincidência, com os quadrinhos cada vez mais refletindo a realidade. Enfim, a aventura promete sacudir o universo Marvel, mas ainda é cedo pra dizer se consegue.
Marvel Apresenta (The Pulse 6-9) tem formato americano, 100 páginas e custa R$ 6,90. Guerra secreta 1 (Secret War 1/2) tem formato americano, 52 páginas e custa R$ 5,90. Os roteiros são de Brian Michael Bendis.
Bang Bang
Por Érico Borgo
Depois de colecionar boas críticas no mercado estadunidense, Bang Bang chegou recentemente ao Brasil em edição pela Devir. Melhor que a gringa, garantiram alguns dos artistas ao Omelete.
Bang Bang apresenta dez histórias de faroeste, o mais mundial dos temas tipicamente ianques. A cargo da tarefa estiveram Ricardo Giassetti (o único roteirista brasileiro do grupo), Fábio Cobiaco, Pam Noles, Bruno DAngelo, Jeremy Nisen, Jefferson Costa, Fábio Moon e Gabriel Bá (autores de 10 Pãezinhos), Rafael Coutinho (filho do cartunista Laerte), Rafael Grampá, Clayton Jr., Kako e Peov. Além, claro, do editor Shane Amaya, que também escreveu diversas das história do álbum.
O resultado é, em sua maioria, muito bom. Mas, como em toda antologia, tem pontos fracos. A mania brazuca do quadrinho autoral ilegível, que parece se esquecer que ele deve ser lido por alguém, está presente. Felizmente, esses escorregões são muito poucos e há histórias realmente boas, como Cara de índio (Amaya e Bá), Uma nova liberdade (Nisen e Costa) e a melhor delas, Rio abaixo (Giassetti e Cobiaco). Outras - A peixaria da família Lao (Grampá), Stagecoach Mary (D´Angelo) e a belíssima Ntsayka Ikanum (Kako) -, valem mesmo é pelas artes, verdadeiros colírios.
Apesar de repleta de brasileiros, a antologia Bang Bang foi publicada inicialmente nos Estados Unidos pela editora Terra Major. A estratégia lembra a das co-produções cinematográficas, que circulam meses pelos festivais antes de darem as caras em seus países de origem. A decisão é acertada, afinal, se o brasileiro valoriza mais o que vem de fora, por que não dar ares de produção globalizada aos quadrinhos nacionais? Contanto que funcione...
Bang Bang (Gunned Down) tem formato 17 X 26 cm e 184 páginas em preto e branco e custa R$ 27,00.