Lá fora: Os lançamentos norte-americanos
Lá fora: Os lançamentos norte-americanos
Na
seção "LÁ FORA", o Omelete lê e comenta todos
os grandes lançamentos em quadrinhos nos Estados Unidos.
Será que aquele projeto que foi tantas vezes
notícia aqui rendeu alguma coisa boa ou foi decepcionante? Quais são as novas
séries que estão agitando os leitores americanos? Onde estão surgindo os novos
nomes, seja de escritores ou ilustradores?
Vamos conferir aqui, sempre atentos às lojas
especializadas americanas, as respostas para estas e outras perguntas.

BONE
55 - Última edição
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Já faz alguns meses que esse número final
de Bone saiu. Mas ainda vale a resenha.
Primeiro, notam-se grandes diferenças entre
a primeira e a última edição da série. Apesar de Jeff Smith
ter escrito e desenhado todas elas com o mesmo estilo e a mesma narrativa,
o que parecia um dos melhores desenhos jamais produzido pela Disney
(lá pelas primeiras vinte edições) virou uma cópia de O Senhor dos
Anéis.
Isso mesmo. Desde o número 30 e poucos,
Smith esticou insuportavelmente uma longa história sobre reis, rainhas,
princesas, poderes místicos e objetos mágicos que desembocou numa gigantesca
batalha medieval. As personagenzinhas brancas viraram apenas coadjuvantes.
E o humor da publicação simplesmente desapareceu.
Quer um ponto positivo? Jeff Smith é
um dos melhores desenhistas e storytellers a surgir na última
década. Se você gostava do seu estilo no pouco que saiu de Bone
no Brasil, pode continuar confiante que continua assim até o final.
E mesmo com alguma decepção quanto ao fim da sua (primeira) grande obra,
estou esperando ansioso pelo seu próximo trabalho.
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X-STATIX
26 - Última
edição
Quando Peter Milligan
e Mike Allred entraram em X-Force, sentiram o ódio
de milhares de fãs do repetitivo gibi. Ganharam, porém, o apoio da crítica,
que ficou maravilhada com a concepção revolucionária que a dupla trouxe
para os mutantes.
A revista transformou-se em X-Statix,
e desde então a boa relação com os críticos diminuiu. Os roteiros de
Milligan realmente vinham caindo. Houve uma renovação com a controversa
história da Princesa Diana (ok, a Marvel insiste que não era
ela), que continuou por algumas edições. Agora, não se sabe se a série
está acabando por falta de vendas ou porque não pode sobreviver no mesmo
mundo da nova X-Force de Rob Liefeld.
A ironia e o cinismo das personagens faziam
todos os outros super-heróis parecerem irreais. O humor pegava as piadas
mais ácidas de South Park e às vezes chegava ao patamar de um
Angeli. Na pior das edições, havia ainda aquela fina ironia sobre ser
herói num mundo confuso. Mais uma grande perda para os quadrinhos.
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CHOSEN
3
Lendo a primeira edição desta minissérie,
você fica num estado tipo putz, cadê o filme disso aqui?. Quando
chega no final, você sabe que, se a intenção de Mark Millar
era vender os direitos de Chosen para Hollywood, é provável que
não vá ter sucesso.
Porque a idéia é fantástica, bem conduzida,
mas mal aproveitada. Você fica esperando que decole, mas nunca sai do
chão. Que a história do menino que se diz Jesus Cristo evolua, que acompanhe
seu crescimento (aliás, as capas dão a impressão que isso vai acontecer),
que Millar mostre mais da sua verve brincando com a Igreja Católica.
Acontece que a história não é sobre isso,
mas sim um pouco autobiográfica, sobre ser criança e de repente ter
essa experiência mística que é a adolescência. Ou pelo menos essa é
a hipótese que se forma no meio da mini. Aí vem o final que acaba tudo
de maneira apressada, joga longe todas suas esperanças e faz a gente
reconsiderar a idolatria pelo Mark Millar.
Boa leitura, se você esquecer o final.
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HULK
75
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Bruce Jones está deixando
a publicação. Por um bom motivo: acabaram-se suas idéias.
Quem acompanha Hulk no
Brasil vai ter que concordar: esta longa conspiração em torno do gigante
verde pode até ter algumas coisas previsíveis (e decepcionantes), mas
é extremamente empolgante. Seja qual for o desenhista, Jones consegue
manter a narrativa com alta dose de suspense.
Mas com tanta preparação... dois longos
anos..., as expectativas ficam lá em cima, e a resolução, aquém do esperado
(e estou apenas supondo que as últimos números foram uma resolução).
Reaparecem várias antigas personagens, algumas misturadas com histórias
furadas de clones. O grande vilão é mesmo quem você acha. Quando se
chega aqui nessa edição 75, suas expectativas já estão tão queimadas
que o roteiro não se leva mais a sério.
Que venha o próximo escritor. Logo.
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