Quanto mais poderoso o vilão,
mais valoroso é o herói que o derrota.
Se for verdade o que diz esta
sentença, então não é de se surpreender por que o Homem-Aranha
é considerado um dos maiores super-heróis de todos os tempos. Seu elenco de
adversários reúne alguns dos mais emblemáticos nomes de todo o gênero. Confira
a seguir cada um destes expoentes da malvadeza.
[
Os vilões do Aranha - PARTE II ]
Escorpião
Primeira Aparição: Amazing Spider-Man
#20
Quando
o Homem-Aranha fez suas primeiras aparições públicas, uma coisa já intrigava
o editor do Clarim Diário, J.J. Jameson: como é que aquele colegial franzino,
Peter Parker, conseguia sempre tirar as melhores fotografias do herói em ação?
Intrigado, J. J. contratou um detetive particular, Mac Gargan, para seguir
o garoto e descobrir o segredo. A motivação de Jameson logo passou, quando
ele soube do trabalho de Farley Stillwell, um cientista que trabalhava com
mutações em animais. Oferecendo uma quantia de dinheiro considerável a ambos,
Jameson convenceu Gargan a ser uma cobaia para Stillwell. A idéia era que
Stillwell usasse seu soro experimental para conceder a Gargan uma força superior
à do Homem-Aranha. Com isso, Gargan poderia derrotar e desmascarar o herói.
Stillwell usou material genético de um escorpião e Mac Gargan passou a força
e agilidade proporcionais à desse aracnídeo. Vestido com um traje que incluía
uma cauda com ferrão controlados mentalmente por Gargan, o Escorpião estava
pronto para o herói aracnídeo.
O Escorpião foi à caça do Aranha
e derrotou o herói em seu primeiro embate, deixando o Aranha inconsciente,
mas vivo. Involuntariamente, já que o poder subiu à cabeça de Gargan. Isso,
aliado ao fato de sua mente ter sido danificada durante os experimentos de
Stillwell, tornaram Gargan insano, a ponto dele passar a sentir ódio não só
do cientista, como também de Jameson. Além, é claro, do Homem-Aranha. Ele
assassinou Stillwell e só não conseguiu seu intento com relação à Jameson
porque foi impedido pelo Homem-Aranha.
O Escorpião é o típico vilão clássico
que, além do constante desejo de vingança contra Jameson – por tê-lo transformado
numa aberração – e contra o Aranha – devido às constantes derrotas – é bastante
ambicioso. O Escorpião seria um assaltante de segunda, não fossem os super
poderes. Isso o tornou um supervilão de segunda. A exemplo do Electro,
o Escorpião não tem um intelecto muito privilegiado, até porque é quase insano,
e só leva vantagem nos confrontos com o Aranha devido à sua superforça, que
chega a ser maior do que a do herói aracnídeo. Ao longo da história os confrontos
entre os dois nunca chegaram a trazer muitas conseqüências para o Aranha.
Depois de anos entrando e saindo
da prisão, um pouco de sanidade parecia ter voltado à mente de Gargan e ele
resolveu se aposentar como o Escorpião. Seria a famosa mais um último trabalho
e eu paro. Ele estava empenhado mesmo em esquecer seu ódio contra o Aranha
e Jameson em troca de um pouco de paz. A resolução, porém, durou pouco e o
Escorpião voltou à ativa, mais forte e perigoso.
Rei do Crime
Primeira Aparição: Amazing Spider-Man
#50
Apesar
de ser um tradicional inimigo do Demolidor, o Rei do Crime fez sua primeira
aparição nos quadrinhos em Amazing Spider-Man # 50. Wilson Fisk começou sua
vida de crime aos 12 anos, quando cometeu seu primeiro assassinato. Aos poucos,
graças a seu físico avantajado, seu tino para negócios e, principalmente,
sua frieza, Fisk foi galgando degraus cada vez mais altos em sua carreira
criminosa, até ter o controle sobre praticamente todas as atividades criminosas
que ocorriam na costa leste dos Estados Unidos. A influência do Rei chegava
mesmo à organizações criminosas fora do país. Inteligente como poucos, Fisk
criou uma intrincada rede do crime, de forma que seu nome nunca poderia ser
ligado à nenhum dos atos ilícitos perpetrados em seu nome. Ao contrário, Fisk
se estabeleceu no mundo dos negócios como um empresário honesto, famoso por
seus atos filantrópicos. Reunir provas de que essa imagem de empresário era
apenas uma fachada era tarefa das mais difíceis.
O Rei do Crime causou alguns danos
na vida do herói aracnídeo, mas nada tão grave. Foi graças ao Rei que a Gata
Negra ganhou o poder de causar azar em qualquer um que tentasse atacá-la,
capacidade essa, mais tarde apagada por um encanto do Dr. Estranho, que foi
um dos principais responsáveis pelo fim do romance entre ela e o Homem-Aranha.
Pelo fato de ter uma posição de comando no submundo, especialmente em NY,
o Rei sempre acaba entrando em conflito com os heróis da cidade, dentre eles
o Homem-Aranha e o Justiceiro. No entanto, o inimigo mais constante
do Rei é justamente o Demolidor. Wilson Fisk chegou a descobrir a identidade
secreta do herói, acabando com sua vida pessoal e profissional, num processo
que levaria o herói à loucura e, possivelmente, ao suicídio.
A força de vontade do Demolidor,
porém, superava qualquer expectativa do Rei e o herói conseguiu se recuperar
de todo o trauma causado por Fisk. Tempos depois, o Demolidor conseguiu reunir
uma série de provas que ligavam o Rei à rede de crime e corrupção comandada
por ele. Julgado e condenado, Fisk acabou tornando-se um foragido da Lei,
ficando desaparecido durante um bom tempo. O golpe fora mais pesado do que
Fisk poderia imaginar e ele demorou um longo tempo para se recuperar. Pouco
a pouco, valendo-se da obstinação que sempre caracterizou-lhe, o Rei conseguiu
voltar à sua antiga posição na Sociedade e no crime, inclusive rebatendo as
acusações das quais havia sido acusado. Novamente, Wilson Fisk é visto como
um filantropo pelo resto da Sociedade, e um comandante impiedoso pelos criminosos
que comanda.
Wilson Fisk é casado com Vanessa
Fisk e tem um filho, Richard que, durante muito tempo assumiu a identidade
do criminoso conhecido como O Rosa.
O Rei é outro dos vilões clássicos
do Aranha que já fez sua estréia no Universo Ultimate, em Ultimate Spider-Man
#10 como o poderoso chefe criminoso que sempre foi.
Morbius
Primeira Aparição: Amazing Spider-Man
#101
Morbius
tem uma certa importância na história dos quadrinhos pelo fato de ser o primeiro
personagem vampírico original a ser introduzido no Universo Marvel após a
revisão do Código de Censura, que havia sido imposto em 1954 e que praticamente
acabara com as histórias de terror nas grandes editoras. O Código estabelecido
pela Comics Code Association, que era uma espécie de órgão que controlava
a censura nos quadrinhos, foi criado depois do lançamento do livro
Seduction Of The Innocent, do psicólogo alemão Frederic Wertham. Em sua
obra, Wertham citava os quadrinhos como o principal responsável pelo crescimento
da delinqüência juvenil da Europa nos anos 50. Isso fez com que o Congresso
americano tentasse intervir na indústria dos quadrinhos. Para evitar que isso
ocorresse, foi criada a CCA, com o objetivo de auto-regular o setor.
Voltando aos quadrinhos, Michael
Morbius era um biólogo fantástico, ganhador do Prêmio Nobel na área, que sofria
de uma rara doença sanguínea. Empenhado em encontrar uma cura, ele começou
a se tratar usando um soro desenvolvido a partir do sangue de morcegos vampiros
e também através de eletrochoques. Finalmente, conseguiu a cura, mas a um
preço alto: Morbius se tornou um vampiro, desenvolvendo presas e uma enorme
força. Morbius passou a depender do consumo de sangue para sobreviver. Logo
ele entrou em conflito com o Homem-Aranha.
Ao longo dos anos, ele se defrontou
com personagens como o Tocha Humana, o Lagarto, os X-Men, dentre outros. O
curioso é que, em muitas de suas histórias solo, Morbius confrontava-se com
vilões piores do que ele. Com o tempo, ele passou a se alimentar apenas de
criminosos. Na década de 70 Morbius teve importante participação em revistas
como Vampire Tales e Fear, além de aparecer na Marvel Two-on-One na
qual chegou a se confrontar com o Homem-Coisa (personagem obscuro da Marvel,
que guarda semelhanças com o Monstro do Pântano, da DC) e com Blade, o Caçador
de Vampiros.
Em 1980, na Spectacular Spider-Man
nº 38, Morbius conseguiu sugar um pouco do sangue radioativo do Aranha. Foi
atingido por um raio que drenou-lhe os poderes e acabou curado ao desenvolver
um soro que devolveu-lhe o aspecto humano. Foi a julgamento por seus crimes
e acabou absolvido pela alegação de insanidade temporária, ficando desaparecido
por alguns anos. Sua volta ocorreu em 1989 junto com boa parte dos personagens
sobrenaturais do universo Marvel. Durante seu período de exílio, foi morar
em Nova Orleans onde encontrou uma mulher chamada Marie Leveau, que mantinha-se
jovem bebendo sangue de vampiros. Como todos os vampiros haviam desaparecido,
graças ao efeito da Fórmula Montesi - um feitiço executado pelo Dr. Estranho
que havia banido todos os vampiros do Universo Marvel - ela aplicou um tratamento
de choque em Morbius, não matando-o, mas fazendo com que seus poderes vampíricos
retornassem. Com isso, Morbius voltou ao Universo Marvel. Aliou-se à heróis
como o Motoqueiro Fantasma, Johnny Blaze, Blade, Venom e o próprio
Homem-Aranha na Saga A Ascensão dos Filhos da Meia-Noite. Depois disso,
ainda fez parte da Saga Carnificina Total, novamente ao lado do Cabeça
da Teia, Venom , Mulher-Gato, Manto, Adaga, entre outros. Foi pouco
depois disso que Morbius estrelou um título solo, Morbius, Living Vampire,
parte do selo da Marvel conhecido como The Midnight Suns, há muito extinto.
Diferente de vilões como o Dr.
Octopus ou o Duende Verde, Morbius não tem sonhos de conquista
ou uma obsessão ferrenha pelo Homem-Aranha. Sua vida gira em torno da busca
por uma cura para a sua doença. O Aranha e ele acabaram desenvolvendo uma
relação semelhante à que o herói mantém com Curt Connors, o Lagarto,
ou seja, sempre que possível, ambos estabelecem uma trégua e trabalham juntos
numa possível cura para Morbius. Isso não impede, obviamente, que o Aranha
procure deter o vampiro sempre que ele se descontrola.
Chacal
Primeira Aparição: Amazing Spider-Man
#129
Muito
antes de o mundo ser apresentado à ovelha Dolly, o primeiro clone da história,
o Professor Miles Warren já havia desenvolvido, em segredo o processo de clonagem
humana. Miles era professor de genética na Universidade Empire State e foi
lá que conheceu Peter Parker e se apaixonou por sua namorada, Gwen Stacy.
Especialista em genética, durante
anos Miles trabalhou como assistente do Alto Evolucionário, um cientista que
deseja acelerar de forma artificial a evolução humana, para que a espécie
atinja todo o seu potencial evolucionário antes do previsto. Trabalhando sem
o conhecimento do Alto Evolucionário em um espécime, Warren criou um chacal
com aparência humanóide. O chacal manifestou uma dupla personalidade e teve
que ser contido após matar diversos animais das fazendas próximas à Wundagore,
lar do Alto Evolucionário. Quando soube de tudo, o Evolucionário baniu Warren,
que decidiu conduzir suas experiências de forma a criar seres humanos perfeitos.
Warren arrebanhou alguns dos Novos Homens (nome dado pelo Evolucionário à
suas criações meio humanas, meio animais) consigo e passou a alternar seu
tempo entre eles e o mundo dos homens. Tempos depois, o Professor se casou
e teve dois filhos. Porém, sua obsessão pelo trabalho fez com que sua mulher
o abandonasse. Mais tarde, o chacal mutado por Warren conseguiu fugir de sua
contenção e passou a espionar a família do professor. Sentindo uma tremenda
inveja de seu criador, ele acabou por assassinar a família de Warren.
Nessa época, Miles já ministrava
aulas na UES e acabou apaixonando-se por Gwen Stacy. Quando ela morreu, ele
enlouqueceu, mergulhando num processo ininterrupto de trabalho, visando descobrir
uma forma de recriá-la. Foi quando desenvolveu seu processo de clonagem. Além
de Gwen, Warren criou um clone de Peter Parker. No processo, ele descobriu
que Peter era o Homem-Aranha e que a morte de Gwen fora culpa indireta do
herói aracnídeo. O professor fez com que o Aranha original e o clone lutassem
e, no fim do conflito, o clone aparentemente encontrou seu fim. Nessa época,
Warren usava uma fantasia de chacal para desenvolver suas atividades ilícitas,
talvez uma bizarra homenagem ao animal que ele evoluíra anos antes.
Muito tempo depois o clone do
Homem-Aranha reapareceu. Ele não havia sido morto no conflito com o Aranha
original. Bem Reilly, nome adotado pelo clone, havia apenas se afastado de
Peter. Em seu rastro veio Kaine, o primeiro clone criado pelo Chacal
e que havia sido desprezado por ele devido às anomalias genéticas que apresentou.
Nesse ínterim, Warren também retornou. No tempo que ficara desaparecido, ele
passara por um processo de reestruturação genética que lhe conferira um aspecto
muito semelhante ao de um chacal humano. Até mesmo um dos clones de Gwen Stacy
reapareceu na série de histórias que ficou conhecida como A Saga do Clone.
O Chacal aparentemente morreu
durante a Saga do Clone, quando caiu de um prédio. Aparentemente, já que
os inimigos do Homem-Aranha, de uma forma ou de outra acabam voltando do túmulo.
Duende Macabro
Primeira Aparição: Amazing Spider-Man
#238
Ned
Leeds era um repórter do Clarim Diário, amigo de Peter Parker e marido de
Betty Brant que acidentalmente descobriu um dos vários esconderijos
do falecido Duende Verde. Fascinado com o poder daquelas armas, ele
se apoderou delas e fez para si um traje baseado no do seu antecessor. E decidiu
iniciar sua carreira de crimes, sob o nome de Duende Macabro. E, para
seguir a tradição dos Duendes Verdes, logo entrou em conflito com o Homem-Aranha.
Muitos foram os conflitos entre os dois. O Duende sempre era derrotado, mas
conseguia escapar antes de ser preso. Depois de algum tempo, ele teve acesso
à fórmula que conferia superforça a sus antecessores. Isso fez com que Ned
fosse levado a crer que poderia eliminar de uma vez por todas o incomodo que
era o herói aracnídeo. A formula não adiantou muito e suas derrotas continuaram,
até que Ned foi morto na Alemanha por assassinos do mercenário conhecido como
o Estrangeiro.
Jason Phillip Macendale era o
mercenário conhecido como Halloween, um vilão de segunda categoria que, quando
soube da morte do Duende Macabro, decidiu assumir a sua identidade. E seguiu
o caminho de seu antecessor. Macendale também não possuía superforça e por
isso também acabava não trazendo muita dificuldade para o Homem-Aranha. Durante
o evento conhecido como Inferno, que repercutiu em todo o Universo
Marvel, Macendale fez um acordo com um demônio, que lhe daria superforça em
troca de sua alma. Feito o acordo Macendale ganhou força e novos poderes,
mas seu rosto passou a ter o aspecto de sua máscara. Além disso, ele se tornou
insano, achando ser um enviado de Deus para eliminar os pecadores da Terra.
E o maior deles seria justamente o Homem-Aranha. Os novos poderes fizeram
Macendale ficar mais perigoso, mas ainda assim não representava tanto perigo
para o Homem-Aranha. Nem mesmo quando substituiu o falecido Kraven
quando o Dr. Octopus o convidou para fazer parte de uma das versões
do Sexteto Sinistro.
Certa
vez, o demônio e Macendale lutavam pelo controle de seu corpo, alternando-se
no domínio dele, até que o demônio conseguiu se libertar, originando o Duende
Demoníaco. Livre do demônio, Macendale perdeu os poderes e a força, que
recuperou graças à uma fórmula desenvolvida pelo filho de Kraven, Vladimir.
Com isso em mãos, matou o Demoníaco e passou a seguir novamente sua carreira
de mercenário e criminoso.
Durante muitos anos, essa foi
a verdade a respeito do Duende Macabro. No entanto, quando Roger Stern voltou
ao título do aracnídeo em 1996, viu que a personagem que criara tinha trilhado
caminhos muito diferentes dos que ele havia planejado para o Duende. Pior
ainda, havia certas incongruências em sua cronologia. Assim sendo, ele resolveu
contar a verdadeira história do Duende.
J.J.Jameson havia colocado Ned
Leeds em uma investigação sobre uma guerra de Corporações, onde estavam envolvidos
pesos pesados como a Corporação Osborn, a Brand, uma subsidiária da Roxxon
– empresa que teve grande importância no Universo Marvel nos aos 80 - e a
Kingsley International, uma empresa do ramo da moda para o qual Mary Jane
já havia trabalhado. As investigações de Leeds o levaram ao Duende Macabro.
Depois de uma das lutas do Aranha com o vilão, Ned seguiu-o, descobrindo seu
esconderijo e, capturado pelo Duende, confessou que o estava investigando.
O Duende concluiu que poderia
usar aquele repórter em seu favor. Assim, realizou uma lavagem cerebral em
Ned, de forma que ele passou a acreditar que era o Duende Macabro. E ambos
passaram a se alternar na Identidade do vilão.
O Duende passou a aplicar diversas
drogas para manter Ned sob seu controle. Isso aliado à lavagem cerebral deixaram
Ned mentalmente instável. Tanto que ele incriminou Flash Thompson de ser o
Duende, ao armar uma cilada para o garoto, onde a polícia o encontrava vestido
como o criminoso e foi, aos poucos, acabando com seu casamento com Betty Brant.
Quando o verdadeiro Macabro viu que Ned estava se tornando inútil ele permitiu
que o repórter tivesse acesso às informações que procurava sobre a guerra
de corporações. E Ned acabou indo para Berlim com Peter Parker. Enquanto isso,
o verdadeiro Macabro espalhou para todo o submundo que o Duende Macabro e
Ned Leeds eram a mesma pessoa.
O plano deu certo do Duende deu
certo. Comandos pós-hipnóticos fizeram Ned vestir o traje de vilão na Alemanha
e ele foi assassinado pelos homens do Estrangeiro. E o verdadeiro Duende sumiu
de cena, deixando Macendale em seu lugar, sem que Macendale soubesse de sua
existência, é claro.
Quando Macendale foi preso pela
última vez, ficou na cadeia tempo suficiente para ser julgado e condenado.
Nesse momento, a guerra das corporações foi revelada e o Duende Macabro ressurgiu,
assassinando Macendale na cadeia. Foi quando tornou-se evidente a ligação
dele com Roderick Kingsley, da Kingsley International. Também nessa época,
Betty Brant, que passara de secretária de Jameson a repórter do Clarim, estava
empenhada em limpar o nome de Ned, provando que ele nunca havia cometido os
crimes dos quais havia sido acusado por Macendale logo após seu julgamento.
Para isso, ela contou com a ajuda de Flash Thompson, MJ, Peter Parker e, é
claro, do Homem-Aranha.
Betty provocou o vilão na tv,
fazendo-se ser capturada por ele. Como todo vilão vaidoso, o Macabro contou
para ela quase toda sua história antes de matá-la. Daniel Kingsley, irmão
de Roderick, chegou a tempo de atrapalhá-lo e o Homem-Aranha apareceu. Ambos
travaram uma grande luta, onde, finalmente, o Homem-Aranha conseguira desmascarar
o Duende.
Daniel confessou ainda a Betty
que o irmão havia pago um criminoso para roubar o equipamento do Duende Verde
(provavelmente com a fórmula da superforça) e que havia usado também Samuel
Donovan para se passar por ele. Donovan havia sido o primeiro Duende Macabro
a ser desmascarado pelo Homem-Aranha.
Venom
Primeira Aparição: Amazing Spider-Man
#299
Ao
fim da saga conhecida como Guerras Secretas, o Homem-Aranha trouxe do planeta
onde ocorreu o evento um estranho uniforme sapiente, que era capaz de ler
os pensamentos do herói, se transformar em qualquer tipo de roupa, gerar suas
próprias teias, dentre outras coisas. Era o controverso uniforme negro. Intrigado,
o Sr. Fantástico decidiu examinar o uniforme e descobriu que este era um simbionte
que pretendia se unir definitivamente ao Aranha. Com a ajuda de Reed, o herói
se livrou da criatura que foi confinada no edifício Baxter. Mais tarde, o
uniforme fugiu e foi atrás de Peter novamente. A luta pelo controle do corpo
de Peter Parker se deu em uma igreja e, graças ao barulho dos sinos – já que
Reed descobrira que a criatura era extremamente vulnerável a sons altos –
ele conseguiu se livrar do simbionte.
Eddie Brock era um repórter respeitável
até que publicou em seu jornal, o Globo Diário, um furo de reportagem acusando
Emil Gregg de ser o Devorador de Pecados, um assassino serial que havia assassinado
a capitã Jean DeWolff, uma amiga do herói aracnídeo. A reportagem seria um
sucesso se, no entanto, horas depois o Homem-Aranha não tivesse capturado
o verdadeiro Devorador. O Globo foi ridicularizado e Eddie demitido. Sem perspectivas
de vida e com um ódio tremendo do Aranha o corroendo, Eddie passou um bom
tempo amargurado, sentindo vergonha de si próprio e, ao mesmo tempo, injustiçado.
Afinal, ele era um bom jornalista, havia apenas cometido um erro de avaliação.
Quando a autopiedade e o ódio pelo Aranha ultrapassaram seus limites, ele
decidiu que deveria acabar com sua vida. Antes, porém, deveria andar de igreja
em igreja pedindo perdão a Deus pelo que estava prestes a fazer. Eddie era
um católico fervoroso e o suicídio é um pecado mortal para eles.
Quando passava pela Catedral da
Virgem Maria, uma sombra – que na verdade era o uniforme simbionte fugindo
dos sinos – tomou-o. O ódio de Brock mesclado à dor da rejeição do simbionte
criaram Venom. Com um aspecto assustador, força descomunal e poderes
similares aos do Homem-Aranha, além do fato de poder enganar o Sentido de
Aranha do herói, Venom se tornou o mais perigoso inimigo do Aranha desde o
desaparecimento do Duende Verde. Para complicar as coisas, Eddie e o simbionte
passaram a dividir seus pensamentos. Logo, Eddie teve acesso a grande parte
dos segredos do herói, conhecendo inclusive sua identidade.
Venom possui uma motivação bem
diferente dos demais inimigos presentes na galeria de vilões do Homem-Aranha.
Seu objetivo é puro e simples: Matar o Homem-Aranha. Ele não quer poder, não
quer dinheiro, nada. Apenas matar o herói. E, ao contrário dos outros, Venom
também não espalhou os segredos do Aranha quando pôde. Em sua mente distorcida,
Venom acreditava que, assim que o segredo do aracnídeo fosse divulgado, muitas
pessoas viriam atrás do herói e Eddie queria-o apenas para si. O simbionte,
por outro lado, também só queria Peter, mas por outras razões. Peter Parker
havia sido o hospedeiro mais perfeito que ele tivera e ele ansiava por dominá-lo
novamente.
Venom e o Aranha travaram incontáveis
batalhas, sempre com o Aranha escapando ou derrotando o vilão com muitas dificuldades.
Essas lutas fizeram com que a popularidade de Venom alcançasse níveis nunca
antes atingidos por um vilão do Aranha. Isso, aliado ao fato de seu visual
ser quase similar ao do Aranha quando ele usava o uniforme preto que, apesar
de encontrar alguma resistência entre os mais conservadores, obteve uma resposta
boa entre os fãs, fez com que a Marvel decidisse explorar ao máximo possível
a imagem do vilão. Para isso, no entanto, eram necessários alguns ajustes.
O Venom dos quadrinhos deixou
de lado seu ódio em relação ao aracnídeo, o mesmo ocorrendo com o simbionte,
que se ligara profundamente à Brock. Com isso, seu papel mudou, e ele passou
de um vilão insano à anti-herói, ou seja, um herói violento, que não hesitava
em matar. Algo similar ao Justiceiro ou Wolverine. Logo ele
ganharia um título solo e combateria o crime sozinho ou ao lado de um relutante
Homem-Aranha. Sua súbita conversão para o lado dos mocinhos não convenceu
a Justiça americana, que conseguiu que Venom fosse preso e condenado. Ele
poderia ser separado do simbionte e preso ou trabalhar como agente secreto
em troca de alívio em sua sentença. Eddie escolheu a segunda opção. Por um
pequeno período de tempo, Venom se tornou um agente federal com permissão
para matar. Quando se tornou novamente instável, o governo decidiu que uma
lavagem cerebral poderia colocar Eddie de novo na linha. O processo fez a
mente de Eddie regressar ao período em que era um vilão determinado a matar
o Homem-Aranha. No entanto, graças à ela, ele esqueceu de muitas coisas de
seu passado, dentre elas, a identidade e outros segredos do Homem-Aranha.
A superexposição de Venom na mídia
foi o principal responsável pela sua queda meteórica. Quando a Marvel percebeu
que ele poderia trazer muitos lucros ela fez os ajustes descritos acima, deu
ao personagem um título solo, elaborou cada vez mais sagas onde Venom e o
Aranha apareciam junto e, ainda, criou um vilão similar à ele, fruto de outro
simbionte: Carnificina. Fora dos quadrinhos, Venom ganhou uma série
de action-figures e foi coadjuvante do Aranha em jogos da Capcom e da Sega,
como Maximum Carnage e Separation Anxiety. Isso fez com
que os principais atrativos do personagem se perdessem e seu potencial quase
se esgotasse. Lição aprendida, Venom voltou a ser o vilão que os fãs do Aranha
adoram odiar.
Carnificina
Primeira Aparição: Amazing Spider-Man
#360
O
Carnificina pode ser considerado quase como um filho de Venom.
Cletus Kasady era um perigoso
assassino serial, até ser preso e passar a cumprir pena na Ilha Ryker. Lá,
dividia sua cela com Eddie Brock, nessa época separado de seu simbionte. Quando
o simbionte invadiu a cela e resgatou Ed, deixou para trás uma gota de si,
que, na verdade, era uma cria, uma espécie de filho. Essa gota entrou em contato
com Kasady e, quando se desenvolveu, fez com que ambos se tornassem o Carnificina.
Imediatamente, Cletus fugiu e
começou uma série de assassinatos que fizeram com que o Homem-Aranha fosse
ao seu encalço e pedisse a ajuda de Venom – que nessa época ainda odiava
o aracnídeo, mas também se considerava um protetor dos inocentes. Juntos,
os dois conseguiram deter Cletus. No entanto, essa foi apenas o primeiro de
muitos confrontos que viriam a acontecer entre os três.
O Carnificina tem um aspecto que
lembra uma mescla entre os visuais do Homem-Aranha e de Venom. Ele foi criado
quando a Marvel percebeu o quão poderia lucrar com Venom, ainda mais se criassem
um inimigo que fosse comum entre ele e o Homem-Aranha. O simbionte de Cletus
é mais poderoso do que o de Venom. Isso aliado à insanidade de Cletus – cujo
único objetivo é matar o maior número de pessoas possível – fez dele um dos
inimigos mais perigosos do Aranha. Sua imagem foi explorada ao máximo pela
Marvel e Kasady foi o vilão responsável por originar Maximum Carnage,
mini-série co-estrelada por uma série de vilões do terceiro time da Marvel,
como Shriek, Carniça, Duende Demoníaco e uma versão alienígena do Homem-Aranha.
Para combatê-los,o Aranha contou com a ajuda de uma série de personagens das
mais diferentes categorias: Capitão América, Punho de Ferro, Deathlock, Manto
e Adaga, Gata Negra, Morbius e, obviamente, Venom. Action-figures e um jogo
para Super Nintendo e Mega Drive foram lançados na época.
A exemplo do que aconteceu com
Venom, logo o apelo em torno do Carnificina foi diminuindo. Atualmente, apesar
de ser um vilão extremamente perigoso, ele integra o segundo time de vilões
do Homem-Aranha, ao lado de personagens como Mysterio e Electro.
Kaine
Primeira Aparição: Web Of Spider-Man
#119
Kaine
é o resultado da primeira tentativa do professor Miles Warren, o Chacal,
de clonar Peter Parker. Justamente por isso, Kaine é o patinho feio da família
dos clones de Parker. Afinal, diferente de Bem Reilly e seus pares, Kaine
é o único deles que sofreu da doença degenerativa que afetava as primeiras
cobaias de Miles. Os primeiros exemplares clonados por Warren se degeneravam
e morriam logo, devido a uma falha estrutural em sua cadeia genética. Kaine
foi o primeiro a ter sucesso como clone, já que superou em muito a expectativa
de vida daqueles que vieram antes dele. Apesar disso, ele sofreu de uma variação
da doença degenerativa. Ao invés de matá-lo, a doença deformou sua face e
seu corpo. Além disso, ela fez com que os poderes presentes no DNA alterado
de Peter Parker sofressem uma mutação. Kaine tem agilidade e força superiores
às de uma pessoa comum. Mas o sentido de aranha e os poderes de aderir a qualquer
superfície foram substituídos pela capacidade de deformar suas vítimas com
um toque, que ficou conhecido como A Marca de Kaine.
Kaine foi deixado de lado por
seu criador quando apresentou a doença degenerativa. Miles preferiu fazer
uma nova tentativa de clonar Peter Parker do que tentar salvar Kaine. O sucesso
logo foi alcançado pelo professor e um clone praticamente perfeito foi gerado.
Esse clone foi o que confrontou o Homem-Aranha e aparentemente morrera quando
uma bomba encerrou a luta entre eles. O clone, no entanto, não havia morrido
e, pensando ser o verdadeiro Peter Parker, tentou retomar sua vida. Ao chegar
em casa, porém, ele percebeu que era na verdade nada mais do que uma cópia
de Peter. Assim, arrumou suas malas e partiu, assumindo o nome de Ben Reilly.
Ben Reilly acreditava ser ele
o clone – como veio a ser provado muito tempo depois, ao fim da Saga do
Clone - e Peter o original. Kaine acreditava no oposto e por isso passou
a perseguir Ben onde quer que ele fosse. Em sua mente, sua vida só teria um
propósito se ele tornasse a vida de Ben um inferno, como a sua. Afinal, não
tivesse Warren clonado-o à partir das células originais de Ben, ele não teria
sido desprezado por seu criador. Por outro lado, ele considerava Peter – que
acreditava ser o clone – quase como um irmão e faria tudo para protegê-lo.
Assim, quando Ben Reilly soube que a Tia May estava às portas da morte e foi
para NY prestar suas últimas homenagens, Kaine foi atrás dele. Lá chegando,
o clone degenerado passou a ter visões precognitivas onde via Mary Jane, esposa
de Peter, sendo assassinada. Como a face do assassino nunca aparecia de forma
clara, Kaine passou a perseguir os inimigos do Homem-Aranha. Ele acabou entrando
em conflito com o Abutre, Electro, Mysterio, seu pai,
o Chacal, além de ter assassinado o Dr. Octopus (que mais tarde
voltou dos mortos) e Vladimir Kravinnof, o Caçador Sinistro. Pouco
depois o próprio Kaine foi supostamente morto pelo Aracnocida, um dos incontáveis
clones de Peter Parker criado pelo Chacal.
Quando a Saga do Clone chegou
ao fim, com a morte de Bem Reilly, cujo cadáver decompôs-se instantaneamente,
provando assim que ele era o clone, Kaine estava sumido. Ele era um dos poucos
a saber que a filha de Peter e MJ não nascera morta. A pequena May foi seqüestrada
pela ordem dos Scriers a mando de Norman Osborn e Kaine fez da busca por ela
sua busca pessoal.
Fim da Parte II - Voltar
ao ESPECIAL HOMEM-ARANHA