Lá fora: Os lançamentos norte-americanos

Lá fora: Os lançamentos norte-americanos

05/07/2004Érico Assis

Na seção "LÁ FORA", o Omelete lê e comenta todos os grandes lançamentos em quadrinhos nos Estados Unidos.

Será que aquele projeto que foi tantas vezes notícia aqui rendeu alguma coisa boa ou foi decepcionante? Quais são as novas séries que estão agitando os leitores americanos? Onde estão surgindo os novos nomes, seja de escritores ou ilustradores?

Vamos conferir aqui, sempre atentos às lojas especializadas americanas, as respostas para estas e outras perguntas.

NOTA DE INTRODUÇÃO

O leitor Leonardo Baroni escreveu para comentar um ponto importante esquecido na última coluna, sobre a mini-série Identity crisis.

A morte da tal importante personagem do universo DC, que constitui toda promoção em torno do lançamento, vai acontecer em edições subseqüentes. A morte na primeira edição é só um prelúdio de outra (ou talvez muitas mais) que estão para acontecer. Portanto, esqueça minha falta de entusiasmo quanto ao assassinato da primeira edição.

X-MEN RELOAD

Grant Morrison resolveu deixar seu X-título e a Marvel Comics teve que inventar alguma coisa para não deixar a peteca cair. Ou seja, mais uma revolução na vida dos mutantes: X-Men Reload. Mudanças nas principais séries e o lançamento de quatro novas revistas. 

Até agora, nada de retumbante como foi a entrada do escritor escocês poucos anos atrás.

Chris Claremont trocou sua falecida X-Treme X-Men por Uncanny X-Men (a partir da edição 444), onde voltou a brincar de X-Família – tem jogo de baseball e desenhos do Alan Davis, tudo como nos anos 80.

Chuck Austen apenas transportou sua turma de segunda linha de Fabulosos X-Men (Homem-de-Gelo, Destrutor, Anjo, Fanático e outros) para X-Men (a partir da edição 158).

Academy X, a primeira das novas publicações, é meramente uma mudança de nome em New Mutants, que era bem fraquinha e continua sendo. Excalibur, também nova, estrela o Professor X, enquanto este reconstrói Genosha – é Claremont escrevendo monólogos chatos. District X, outra novidade, traz Bishop ajudando policiais a vigiar um bairro nova-iorquino tomado por mutantes. Tenta ser interessante, mas é bem comum, chatinha.

Astonishing X-Men deveria ser o grande lançamento. Roteiros de Joss Whedon, desenhos de John Cassaday, reformulação total da equipe mutante. Até agora, porém, não começou de verdade. Cassaday pode ser um dos melhores desenhistas contemporâneos, e Whedon está recuperando coisas legais que o Claremont fez na época da dupla com John Byrne, mas a edição inicial não tem nada para cativar os leitores.

Então, é mais a Marvel entupindo o mercado de X-séries do que uma reformulação legal no mundo mutante. Podia ser bem melhor.

4 #4

Você deve ter ouvido a história: Bill Jemas de uma hora para outra resolveu chutar Mark Waid e Mike Wieringo (leia aqui) da série do Quarteto Fantástico e, no lugar, colocar um novato escritor chamado Roberto Aguirre-Sacasa e o excelente desenhista Steve McNiven (aqui). Waid revoltou-se, os leitores revoltaram-se e até a Marvel parece ter se revoltado, pois chutou Jemas para um cargo menor. Waid e Wieringo continuaram, então, com suas excelentes histórias da família fantástica.

Aguirre-Sacasa e McNiven, por sua vez, já tinham material pronto. A Marvel não pensou duas vezes e resolveu colocá-lo numa nova série do grupo, com o simples título 4, dentro do selo Marvel Knights. E vejam só: não é de se jogar fora.

Aguirre-Sacasa vem com ótima noção de ritmo, diálogos e caracterização. Steve McNiven, pra quem não sabe, é o novo Travis Charest: desenhos detalhados no ponto certo, leveza no traço e ótima composições. Apesar de trazerem uma história que se parece muito com outra que Waid e Wieringo fizeram pouco tempo antes, conduzem-na de forma legal: o Quarteto repentinamente se vê sem dinheiro, tem que deixar o Edifício Baxter e procurar emprego.

Basicamente, é o Quarteto Fantástico num seriado de TV tipo familiar (como A sete palmos e outros). A nova série é boa, mas ainda precisa decolar. E a dupla de autores com certeza pode dar conta disso.

SUPERMAN: IT’S A BIRD

Steven T. Seagle é um escritor de quadrinhos mediano que muito de vez em quando cria algo que chama atenção, tipo House of secrets. São dois os pontos altos de sua carreira: co-escrever Sandman mystery theatre com Matt Wagner e ser escritor da série líder do Super-Homem, Superman. É do último caso que ele fala em It’s A Bird.

É praticamente a mesma idéia do filme Adaptação. Seagle descreve sua vida em torno da época em que recebeu a proposta para escrever Superman. Ele está resolvendo problemas de família, problemas com a namorada, problemas com seus genes que podem carregar uma doença hereditária, problemas com seu editor e problemas não-resolvidos desde a infância com o Homem de Aço em si.

O romance gráfico (da Vertigo) pode até ser interessante por mostrar o processo criativo de um escritor e a relação inseparável com sua vida cotidiana, e também por fazer pensar o que o Super-Homem representa como ícone. Porém, tirando isso, é um cara com bastante pose falando dos seus problemas... Não demora a ficar entediante.

Os desenhos são de Teddy Kristiansen, companheiro de Seagle em House of secrets. O artista dinamarquês utiliza uma gama de técnicas e estilos para ilustrar a vida do escritor e os diferentes momentos de seu processo de criação. As páginas não agradam qualquer um, e eu mesmo não achei tão legal, mas é interessante por trazer algo de diferente.

DARKNESS/HULK | WITCHBLADE/WOLVERINE

Mais dois crossovers para jogar na lata de lixo da história dos quadrinhos. Nem vale comentar de tão ruins.

Mantenha-se longe. Se tiver muita curiosidade, compre por 25 centavos daqui um ano.

WITCHES 1 / THE WITCHING 1

Bruxas, bruxas e mais bruxas. Elas não tinham saído de moda?

Witches é o antigo projeto engavetado de Mike Deodato na Marvel. Antigo mesmo – o Omelete falou do projeto pela primeira vez em maio de 2001. Pois finalmente está nas bancas, com Brian Walsh no lugar da escritora anunciada Bronwyn Carlton. A história: três coadjuvantes esquecidas das também esquecidas séries de terror da editora unem-se, guiadas pelo Dr. Estranho, para enfrentar um antigo mal.

The Witching é uma nova série da Vertigo, onde as três bruxas são três adolescentes nos Estados Unidsos – uma filha de satanistas, uma imigrante coreana e uma estrela da música gótica. Ou seja, um pequeno retrato da bizarrice norte-americana pós-moderna. Roteiros de Jonathan Vankin (escritor de alguns Big books da Paradox), arte da estreante Leigh Gallagher.

Você pode escolher: fique com a primeira pelos desenhos, ou com a segunda pelos roteiros. Mas, na verdade, as séries são boas. Os desenhos de Deodato ainda são da fase em que ele lotava a página de detalhes em excesso ou gastava um vidrinho de nanquim por quadro. Em Amazing Spider-Man ele está bem melhor. Em Witching, Vankin é legal nos diálogos, mas está forçando a modernosidade da sua abordagem. Ainda assim, tenho esperança para as próximas edições.

1602

Neil Gaiman estava descansadamente lendo algum livro sobre o século XVII, e Joe Quesada ligou pela 1602a. vez enchendo o saco para que o inglês escrevesse qualquer coisa para a Marvel. Aí surgiu 1602.

Pelas primeiras edições, você até sente que alguma coisa está sendo montada para levar a um final fantástico. Tem algumas brincadeirinhas, muito falatório e Gaiman mostrando-se erudito, mas sobrava alguma esperança. Chegando ao grande final, não há nada demais. Nada.

Leia se você for um fã do Andy Kubert, não do Gaiman. Se queria algo ao nível de Sandman, ou pelo menos ao nível de Deuses americanos (chatinho, mas com algumas partes legais), a decepção é grande.

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