Lá fora: Os lançamentos norte-americanos
Lá fora: Os lançamentos norte-americanos
Na
seção "LÁ FORA", o Omelete lê e comenta todos
os grandes lançamentos em quadrinhos nos Estados Unidos.
Será que aquele projeto que foi tantas vezes
notícia aqui rendeu alguma coisa boa ou foi decepcionante? Quais são as novas
séries que estão agitando os leitores americanos? Onde estão surgindo os novos
nomes, seja de escritores ou ilustradores?
Vamos conferir aqui, sempre atentos às lojas
especializadas americanas, as respostas para estas e outras perguntas.
NOTA DE INTRODUÇÃO
O leitor Leonardo Baroni
escreveu para comentar um ponto importante esquecido na última coluna, sobre
a mini-série Identity crisis.
A morte da tal importante personagem
do universo DC, que constitui toda promoção em torno do lançamento, vai acontecer
em edições subseqüentes. A morte na primeira edição é só um prelúdio de outra
(ou talvez muitas mais) que estão para acontecer. Portanto, esqueça minha
falta de entusiasmo quanto ao assassinato da primeira edição.

X-MEN RELOAD
Grant
Morrison resolveu deixar seu X-título e a Marvel Comics teve
que inventar alguma coisa para não deixar a peteca cair. Ou seja, mais
uma revolução na vida dos mutantes: X-Men Reload. Mudanças
nas principais séries e o lançamento de quatro novas revistas.
Até agora, nada de retumbante
como foi a entrada do escritor escocês poucos anos atrás.
Chris Claremont
trocou sua falecida X-Treme X-Men por Uncanny X-Men (a
partir da edição 444), onde voltou a brincar de X-Família – tem jogo
de baseball e desenhos do Alan Davis, tudo como nos anos
80.
Chuck Austen
apenas transportou sua turma de segunda linha de Fabulosos X-Men
(Homem-de-Gelo, Destrutor, Anjo, Fanático e outros) para X-Men
(a partir da edição 158).
Academy X, a primeira das novas publicações,
é meramente uma mudança de nome em New Mutants, que era bem fraquinha
e continua sendo. Excalibur, também nova, estrela o Professor
X, enquanto este reconstrói Genosha – é Claremont escrevendo monólogos
chatos. District X, outra novidade, traz Bishop ajudando
policiais a vigiar um bairro nova-iorquino tomado por mutantes. Tenta
ser interessante, mas é bem comum, chatinha.
Astonishing X-Men
deveria ser o grande lançamento. Roteiros de Joss Whedon,
desenhos de John Cassaday, reformulação total da equipe
mutante. Até agora, porém, não começou de verdade. Cassaday pode ser
um dos melhores desenhistas contemporâneos, e Whedon está recuperando
coisas legais que o Claremont fez na época da dupla com John Byrne,
mas a edição inicial não tem nada para cativar os leitores.
Então, é mais a Marvel
entupindo o mercado de X-séries do que uma reformulação legal no mundo
mutante. Podia ser bem melhor.
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4 #4
Você
deve ter ouvido a história: Bill Jemas de uma hora para outra resolveu
chutar Mark Waid e Mike Wieringo (leia
aqui) da série do Quarteto Fantástico e, no lugar, colocar um novato
escritor chamado Roberto Aguirre-Sacasa e o excelente
desenhista Steve McNiven (aqui).
Waid revoltou-se,
os leitores revoltaram-se e até a Marvel parece ter se revoltado, pois
chutou
Jemas para um cargo menor. Waid e Wieringo continuaram,
então, com suas excelentes histórias da família fantástica.
Aguirre-Sacasa e McNiven,
por sua vez, já tinham material pronto. A Marvel não pensou duas vezes
e resolveu colocá-lo numa nova série do grupo, com o simples título
4, dentro do selo Marvel Knights. E vejam só: não
é de se jogar fora.
Aguirre-Sacasa vem com
ótima noção de ritmo, diálogos e caracterização. Steve McNiven, pra
quem não sabe, é o novo Travis Charest: desenhos detalhados no ponto
certo, leveza no traço e ótima composições. Apesar de trazerem uma história
que se parece muito com outra que Waid e Wieringo fizeram pouco tempo
antes, conduzem-na de forma legal: o Quarteto repentinamente se vê sem
dinheiro, tem que deixar o Edifício Baxter e procurar emprego.
Basicamente, é o Quarteto
Fantástico num seriado de TV tipo familiar (como A sete palmos
e outros). A nova série é boa, mas ainda precisa decolar. E a dupla
de autores com certeza pode dar conta disso.
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SUPERMAN: IT’S
A BIRD
Steven
T. Seagle é um escritor de quadrinhos mediano que muito de vez
em quando cria algo que chama atenção, tipo House of secrets. São
dois os pontos altos de sua carreira: co-escrever Sandman mystery theatre
com Matt Wagner e ser escritor da série líder do Super-Homem, Superman.
É do último caso que ele fala em It’s
A Bird.
É praticamente a mesma
idéia do filme Adaptação. Seagle descreve sua vida em torno da
época em que recebeu a proposta para escrever Superman. Ele está
resolvendo problemas de família, problemas com a namorada, problemas
com seus genes que podem carregar uma doença hereditária, problemas
com seu editor e problemas não-resolvidos desde a infância com o Homem
de Aço em si.
O romance gráfico (da
Vertigo) pode até ser interessante por mostrar o processo criativo de
um escritor e a relação inseparável com sua vida cotidiana, e também
por fazer pensar o que o Super-Homem representa como ícone. Porém, tirando
isso, é um cara com bastante pose falando dos seus problemas... Não
demora a ficar entediante.
Os desenhos são de Teddy Kristiansen, companheiro
de Seagle em House of secrets. O artista dinamarquês utiliza
uma gama de técnicas e estilos para ilustrar a vida do escritor e os
diferentes momentos de seu processo de criação. As páginas não agradam
qualquer um, e eu mesmo não achei tão legal, mas é interessante por
trazer algo de diferente.
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DARKNESS/HULK
| WITCHBLADE/WOLVERINE
| Mais dois crossovers
para jogar na lata de lixo da história dos quadrinhos. Nem vale comentar
de tão ruins.
Mantenha-se longe. Se
tiver muita curiosidade, compre por 25 centavos daqui um ano.
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WITCHES 1 / THE WITCHING
1
| Bruxas,
bruxas e mais bruxas. Elas não tinham saído de moda?
Witches é o antigo
projeto engavetado de Mike Deodato na Marvel. Antigo mesmo
– o Omelete falou do projeto pela primeira vez em maio
de 2001. Pois finalmente está nas bancas, com Brian Walsh
no lugar da escritora anunciada Bronwyn Carlton. A história: três coadjuvantes
esquecidas das também esquecidas séries de terror da editora unem-se,
guiadas pelo Dr. Estranho, para enfrentar um antigo mal.
The Witching é
uma nova série da Vertigo, onde as três bruxas são três adolescentes
nos Estados Unidsos – uma filha de satanistas, uma imigrante coreana
e uma estrela da música gótica. Ou seja, um pequeno retrato da bizarrice
norte-americana pós-moderna. Roteiros de Jonathan Vankin
(escritor de alguns Big books da Paradox), arte da estreante
Leigh Gallagher.
Você pode escolher: fique
com a primeira pelos desenhos, ou com a segunda pelos roteiros. Mas,
na verdade, as séries são boas. Os desenhos de Deodato ainda são da
fase em que ele lotava a página de detalhes em excesso ou gastava um
vidrinho de nanquim por quadro. Em Amazing Spider-Man ele está
bem melhor. Em Witching, Vankin é legal nos diálogos, mas está
forçando a modernosidade da sua abordagem. Ainda assim, tenho esperança
para as próximas edições.
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1602
| Neil
Gaiman estava descansadamente lendo algum livro sobre o século
XVII, e Joe Quesada ligou pela 1602a. vez enchendo o
saco para que o inglês escrevesse qualquer coisa para a Marvel.
Aí surgiu 1602.
Pelas primeiras edições,
você até sente que alguma coisa está sendo montada para levar a
um final fantástico. Tem algumas brincadeirinhas, muito falatório
e Gaiman mostrando-se erudito, mas sobrava alguma esperança. Chegando
ao grande final, não há nada demais. Nada.
Leia se você for
um fã do Andy Kubert, não do Gaiman. Se queria algo
ao nível de Sandman, ou pelo menos ao nível de Deuses
americanos (chatinho, mas com algumas partes legais), a decepção
é grande.
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