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| Sandman:
Noites sem fim - Neil Gaiman - Ed. Conrad - 160 pgs. |
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5
ovos! |
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Delirium, por Sienkiewicz |

Desejo, de Manara |

Morte, por Fabry |

Sandman, de Prado |
Em outubro, pela primeira vez na história, um
gibi entrou na lista dos livros mais vendidos do New York Times,
um dos mais importantes periódicos dos Estados Unidos. O feito coube a Sandman:
noites sem fim, álbum gráfico que marca o retorno de Neil
Gaiman ao universo que ele criou para a revista Sandman,
da DC/Vertigo.
Com a publicação nas mãos
é fácil entender o motivo de tamanho sucesso. Mas antes, vale
a pena lembrar a importância do britânico para a arte seqüêncial.
No final dos anos 80 e durante a década
posterior, Neil Gaiman consagrou-se com seu texto às vezes misterioso,
às vezes aterrorizante, mas sempre sensível e instigante. A
narrativa do escritor era tão poderosa que nem mesmo o entra e sai
de desenhistas no título - alguns excelentes, outros pífios
- conseguiu abalar a publicação. Sandman conseguiu
o que pouquíssimos gibis já conseguiram na história...
deixou a esfera dos quadrinhos e foi aclamado como literatura de qualidade.
Agora, sete anos depois do final da série,
o autor volta ao reino do Mestre dos Sonhos e vem em excepcional companhia.
Para cada uma das histórias de Sandman: noites sem fim, Gaiman
convidou um artista diferente. São sete, um para cada Perpétuo
(entidades acima dos Deuses que ele criou para o Universo de Sandman): P.
Craig Russel (Morte), Milo Manara (Desejo), Miguelanxo
Prado (Sonho), Barron Storey (Desespero), Bill
Sienkiewicz (Delirium), Glenn Fabry (Destruição)
e Frank Quitely (Destino). Completa o time o designer
e artista plástico Dave McKean, o mais tradicional
colaborador de Gaiman, que assina a programação visual da publicação
e a capa.
Na primeira história, "Morte
em veneza", Gaiman apresenta uma fábula na cidade italiana,
protagonizada por um garoto que encontrou a Morte e volta
para procurá-la anos mais tarde. A mais velha dos Perpétuos
tem planos para o jovem, que precisa ajudá-la a superar um singelo
obstáculo, que guarda um lugar literalmente esquecido pelo tempo. O
traço de Russel está, como sempre, excepcional, repetindo a
parceria que teve com Gaiman em "Ramadan", uma das mais
belas histórias de Sandman.
O segundo conto é dedicado ao andrógino
Desejo, irmão/irmã de Morpheus. Na história,
uma bela jovem faz um pacto com Desejo para conseguir a afeição
do sedutor filho do chefe da aldeia em que vive. O grande destaque aqui são
as lindas pinturas de Milo Manara, quadrinhista italiano que tornou-se conhecido
justamente por ilustrar lindas mulheres e colaborar em alguns projetos com
o cineasta Federico Fellini.
"O coração de uma estrela"
marca a primeira participação no livro do personagem principal
da série, Morpheus, ou Sandman - o Mestre dos Sonhos.
Passada centenas de milhares de ano no passado, a história traz um
parlamento de Corpos Celestes, em que Morpheus vai acompanhado de Killalla,
sua consorte. Entretanto, um encontro casual trará conseqüências
drásticas para o Perpétuo, que ecoarão pelo futuro, causando
seu desentendimento com um outrora querido membro da família. A arte
de Miguelanxo Prado (Mundo cão, o desenho Homens de Preto)
nunca esteve melhor.
A quarta parte do livro é "Quinze
retratos de Desespero", quinze pequenos ensaios sobre a mais aflitiva
das criações de Gaiman. Cada um é cuidadosamente elaborado
por Barron Storey, artista plástico e professor da consagrada School
of visual arts de Nova York, com a ajuda de Dave McKean, responsável
pelo design.
Um dos momentos mais interessantes de Noites
sem fim é "Adentrando", um suspense ilustrado
por Bill Sienkiewicz em que um grupo de cinco deficientes mentais é
escalado para uma difícil missão: resgatar a inocente Delirium
de dentro da mente de uma garota.
O penúltimo capítulo, "Na
península", é também o mais convencional. Mas
não por isso menos interessante. Os traços de Glenn Fabry, o
capista de Preacher, não trazem inovações gráficas,
apesar de bastante competentes. Entretanto, a história é ótima:
uma expedição científica parte para uma escavação
num sítio arqueológico. Mas ao invés de encontrarem objetos
antigos, encontram artefatos... do futuro!
A história que dá título
ao livro fecha a edição. "Noites sem fim",
protagonizada por Destino, é quase que uma recapitulação
do Universo de Sandman, uma espécia de manual de instruções
de como funciona a criação de Gaiman. Tudo ali já foi
explorado ao longo dos 10 volumes encadernados da série, mas nunca
de maneira tão sucinta. Os desenhos simples e claros de Frank Quitely,
famoso pela série Novos X-Men, estão inspiradíssimos.
Enfim, a edição brasileira, publicada
pela Conrad, nada deve nada à original. Capa dura,
impressão esmerada, acabamento perfeito, preço justo. Vale destacar
também a velocidade com que a editora conseguiu colocar o álbum
nas lojas por aqui. A edição brasileira é simplesmente
a segunda a ser publicada no mundo todo, fato que mereceu comentários
elogiosos do próprio autor em seu site oficial.
Sem dúvida, o melhor lançamento
em quadrinhos do ano. Chamá-lo de "imperdível" é
quase uma ofensa pela obviedade.