Lá fora: Os lançamentos norte-americanos

Lá fora: Os lançamentos norte-americanos

01/08/2003Érico Assis

A partir desta semana, o Omelete lê e comenta todos os grandes lançamentos em quadrinhos nos Estados Unidos.

Será que aquele projeto que foi tantas vezes notícia aqui rendeu alguma coisa boa ou foi decepcionante? Quais são as novas séries que estão agitando os leitores americanos? Onde estão surgindo os novos nomes, seja de escritores ou ilustradores?

Vamos conferir aqui, sempre atentos às lojas especializadas americanas, as respostas para estas e outras perguntas.

LOBO: UNBOUND 1

Lobo está finalmente de volta em aventuras solo, e desta vez retorna com tudo que merece. Keith Giffen aceitou reassumir a personagem que rejeitara anos atrás, e resolveu que não existe mais limite de decência para as tramas do Maioral.

A primeira edição começa com a sanguinária história do parto de Lobo e sua infância depravada. Na seqüência, saltamos para os dias de hoje, quando ele é contratado para assassinar um produtor cinematográfico cujo grande poder está nas próprias bolas. Escroto, literalmente. Em seguida, o Maioral recebe... ou melhor, pega um novo contrato que está dentro de um local inimaginável e mal-cheiroso. Deve matar o imperador do planeta Y´Abbah Dhabba Dhu.

Giffen está mesmo sem limites, e traz a melhor história do Lobo desde Lobo está morto. A mini-série (seis edições) é pintada por Alex Horley, que dá um aspecto Heavy Metal aos cenários alienígenas e à matança desenfreada. Ótima diversão.

TOKYO STORM WARNING 1

Warren Ellis, em meio a essa sua mania de querer fazer todo tipo de quadrinho, resolveu que quer brincar com monstros e super-robôs japoneses. Tokyo Storm Warning é o resultado.

Em 1945, um navio militar encontra alguma coisa estranha no oceano. Os Estados Unidos descobrem, deduzem que o Japão já tem sua bomba atômica e bombardeiam Tóquio em vez de Hiroshima.

Em 2003, o Japão é um país hipertecnológico (mais hiper do que já é na realidade) graças ao que aquele navio encontrou 60 anos atrás. Uma americana é convocada para participar do projeto Tokyo Storm, que utiliza robôs gigantes, vindos não se sabe de onde, para enfrentar monstros a la Godzilla surgidos também de algum lugar desconhecido.

A primeira edição (de três) é meio assim, perdida, mesmo. Vamos ver o que acontece até o final. Por enquanto, a mini-série lembra muito, muito, muito, mas muito, Evangelion. Será que o plágio vai ficar ainda mais descarado?

PLANETARY/BATMAN: NIGHT ON EARTH

O mesmo Warren Ellis aí de cima é o responsável por mais um capítulo de uma das melhores, se não a melhor, série da atualidade.

O trio da Planetary é convocado pelo escritório de Gotham City para investigar, como não poderia deixar de ser, um crime bizarro. Um novo assassino, solto pelos becos da cidade, é o resquício de um macroevento que aconteceu em 1986, quando inúmeras terras paralelas fundiram-se numa só...

Batman, é claro, não pretende deixar forasteiros se meterem nos assuntos da sua cidade.

A edição especial é um presente para os fãs do Homem-Morcego, mas dizer o porquê vai fazer a história perder a graça. Ellis usa aquele ritmo fantástico de mil idéias malucas por página, que já é característico de Planetary. E John Cassaday... se ele não é o melhor desenhista dos quadrinhos de ação atuais, é com certeza um dos melhores. Aqui, ele se supera.

Sem dúvida, um dos melhores gibis do ano.

TRINITY 1

A nova mini-série com o triunvirato de personagens mais famosas do mundo chega com muita pompa. Três edições, 64 páginas cada, papel especial... tudo para mostrar o primeiro trabalho em conjunto de Super-Homem, Batman e Mulher-Maravilha.

Como manda a tradição, se temos três heróis andando juntos, há pelo menos três superameaças à frente. Ra’s Al Guhl desperta o andróide Bizarro e alia-se a uma amazona renegada num plano que, pelo que mostra a primeira edição, parece ter como alvo o Super-Homem.

A edição é levezinha, sem muitas surpresas. Matt Wagner escreve e desenha no seu estilo calmo e controlado, não parecendo aquele mesmo cara que promove banhos de sangue em Grendel. Com exceção de alguns momentos mais pesados, o clima da mini-série lembra muito o do dos desenhos animados de Super-Homem e Batman. Deve agradar aos fãs destes.

TROUBLE 1

A primeira mini-série do recauchutado selo Epic, da Marvel, traz as aventuras de Mary, May, Richard e Ben, quatro jovens que se conhecem trabalhando num hotel durante o verão de muito anos atrás, e só querem saber de... ahm... aproveitar a vida!

Mary e Richard, um dia, serão os pais de um menino especial chamado Peter Parker... ou será que não? Há apostas entre os leitores de que a mini-série vai revelar que tia May e tio Ben são os verdadeiros pais do garoto que virá a ser o Homem-Aranha. Porém não se pode afirmar nada só com o primeiro número (de cinco) em mãos.

Aqui, os quatro protagonistas são apresentados uns aos outros. Richard pega a loira Mary, Ben, a ruiva May e a edição acaba com cada casal no seu quarto...

Bem avançadinho, comparando ao gibi Marvel tradicional, não? Vamos ver o que as próximas edições, que prometem ser memoráveis, vão trazer.

Os roteiros de Mark Millar estão abaixo da média, com clichês demais, mas os desenhos de Terry e Rachel Dodson são legais - qualquer desenhista que faz você achar a tia May gostosa já merece um grande elogio.

 
 


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