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Tim Festival 2008 - Marcelo Camelo: só, mas muito bem acompanhado

Ex-Los Hermanos mostra canções de seu álbum solo em show mais intimista

EV
28.10.2008, às 17H00.
Atualizada em 22.12.2016, ÀS 02H01
" Tô sentindo falta de um pouco de desordem

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Marcelo Camelo

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Marcelo Camelo

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". É na frase de
Marcelo Camelo que dá para resumir a noite calma que o músico carioca enfrentou em terras paulistanas, na mesma noite do Klaxons e Neon Neon, quando ocupou o palco de jazz do Tim Festival.  

Em teoria, Camelo deveria ser atração de abertura do inglês Paul Weller - que cancelou de última hora, três dias antes de seu show, graças a imprevisto com o passaporte de um de seus músicos. Platéia esvaziada, sobraram apenas aqueles que quiseram desembolsar R$ 150 só para o ex-Los Hermanos (acompanhado, em substituição a Weller, pelos brasileiros Roberta Sá e Arnaldo Antunes). 

Pois foi essa a sorte de quem queria assistir à apresentação de Marcelo, sem a companhia histérica e descontrolada do fã-clube de sua antiga banda. Se ele estranhou o silêncio e a falta de desordem, o público menos tiete agradece a ausência.

Em nova fase, o músico apresenta as canções de Sou, seu recém-lançado álbum solo. Nele, Camelo afunda na música mais intimista, caminho que Los Hermanos já trilhavam no último disco antes do recesso, o 4. E o silêncio é necessário para sacar a instrumentação trabalhada que acompanha a poesia do compositor.

O acompanhamento classudo é garantido pelo coletivo paulistano Hurtmold, que gravou boa parte do disco e serve como banda de apoio nesta nova turnê. Formado por excelentes músicos e improvisadores, calcados no jazz experimental, o Hurtmold ajuda a dar o tom à nova fase de Camelo.

O repertório não trouxe grandes novidades para quem já passou pelo disco. Camelo subiu só ao palco, dedilhando no violão a estrofe única de "Passeando", e emendou "Téo e a Gaivota" com a entrada da banda inteira. Daí vieram boas faixas dessa nova fase ("Liberdade", o sambinha "Vida Doce", "Tudo Passa"), onde o que valia mais era ver a interação entre cantor e banda, que se arriscava até nos backing vocals.

O bacana desse encontro é que cada um mergulhou na viagem do outro. O Hurtmold coloca o pé em uma área MPB que mal triscou em dez anos de carreira. Camelo, por outro lado, entra na piração instrumental free jazz do septeto - arriscando até longos minutos de brilho à banda, depois de "Saudade", quando Camelo se recolhe ao chão, abraçado à sua guitarra.

No final das contas, para quem gostou do disco, foi um belo show: um bom compositor, uma ótima banda de apoio e uma platéia comportada, disposta a ouvir. Por ironia, as duas faixas de 4 foram as únicas em que o público arriscou um coro tímido. 

Só faltou o encontro entre Camelo e a cantora-prodígio Mallu Magalhães. "Janta", o dueto em duas línguas gravado em Sou, foi cantado só por ele. A menina, que é atração do concorrente festival Planeta Terra, se manteve quietinha na primeira fila.

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