Poison on the rocks

A crítica do crítico do Batman

19/08/2008Luciana Toffolo

“A incrível descoberta da veracidade das piadas de português” ou “um presunçoso morre pelo descontrole da língua”

O querido leitor Tiago Cruz chamou minha atenção para uma crítica publicada na Folha de S. Paulo, no dia 29 de julho, de autoria de João Pereira Coutinho, que até um tempo atrás – antes de ele começar a se vangloriar de suas façanhas – eu apreciava bastante. O autor, não a crítica. Eu já tinha lido a dita cuja, mas de certa forma havia me identificado com Coutinho, que disse apenas o que pensa e, desta maneira, não justificaria uma refutação. Mas, porém, contudo, entretanto, pensando nos leitores do Omelete, resolvi fazer minha própria análise da crítica, afinal se botou a cara pra bater é porque espera safanão. Eu bem sei.

O texto diz respeito ao filme Batman - O Cavaleiro das Trevas, e já começa preconceituoso quando diz que seres preocupados em salvar a humanidade não podem usar collants, máscaras, pinturas ou capas voadoras. Uma coisa é admitir o ridículo de se usar cueca por fora da roupa, outra é dizer que alguém vestido assim não pode salvar o mundo. Gandhi se vestia de quê? Algo bem próximo a um pano de chão, procure no Google uma imagem. De repente é o must na Índia, mas há de se admitir que se parece bastante com um pano de chão (ou lençol, nos dias mais frios). E se ele se maquiasse como os caras do Kiss, perderia a importância? Se estivesse nu? Cortado como Iggy Pop ou Sid Vicious? Ou só vale se for limpinho e asseado? Se fosse dar um jeito em São Paulo, poderia vir até de vassoura vestido de Tiririca. Eu não me importaria. Você?

Ah, sim, estamos falando de cinema. Mais um motivo pra que tudo possa, graças a Deus. Graças a Ele – seja Ele quem for - que criou a gente, existe arte, que tudo pode.

Coutinho acha que não. E acha que homens adultos, casados (ohhhh, homens casados = homens maduros. Ahan, conta outra.) que gostam de Batman e afins são, trocando em miúdos, impotentes. Foi ele quem disse, não eu. Eu já acho que se diverte, não tem que ser reprimido, muito pelo contrário. Aliás, reprimir sim causa impotência, assim como perversões sexuais. Eu me divirto horrores lendo Harry Potter, ouvindo Ramones e assistindo ao Monty Phyton e por isso sou iletrada? Sério mesmo? Ah, tá. Alguém ditou a regra que Monty Phyton (loucos, vestidos até de velhinhas arruaceiras, fazendo as coisas mais infantis do mundo) pode, então eu sou só meio iletrada.

Em uma coisa, porém, eu concordo: devemos dar a devida importância às coisas. Não adianta projetar significados extras à última saga do homem-morcego, querendo estipular metáforas com a nossa realidade e chegando ao extremo de dizer que Cavaleiro das Trevas não seria possível se não fosse o 11 de setembro, que, por sua vez, sozinho, levou o mundo à catástrofe de ser o que é hoje. Menos. Creio ser impossível criar algo sem ser um pouco contemporâneo (a não ser obras de época) e bebericar no mundo – podre há tempos, não depois de um dia específico – que nos rodeia, mas daí a querer traçar paralelos a torto e a direito sobre a obra de um artista é forçar a barra, é trabalho pra crítico... essa raça que nasceu para bisbilhotar a produção alheia. E da mesma forma, devemos dar a devida importância ao trabalho de Heath Ledger, e não entrar no coro de “ele merece o Oscar”. O cara esteve fabuloso, não lembrava nem de longe o insosso caubói de O Segredo de Brokeback Mountain. Morreu, pena, muita, mas é isso. Oscar a ele seria um contra-senso. Ainda que eu não duvide que role.

Para terminar o capítulo “bisbilhotando a vida alheia”, aponto o que pra mim é o maior erro de Coutinho: dar importância desmedida não só a um filme feito para divertir, como, principalmente, às críticas irreais que o longa rendeu: “Confrontado com Batman e Coringa, nenhum adulto equilibrado vê um super-herói e um supervilão. Vê, simplesmente, dois dementes de pijamas que fugiram do asilo da cidade”. Não sou equilibrada, portanto.

Guardo aqui pra mim que Coutinho invejava a fantasia de algum coleguinha no jardim da infância. Não é possível alguém inteligente se importar tanto com isso. Apesar de que alguém inteligente, inegável, que fica recitando quantos livros tem, quantas vezes já assistiu ao Casablanca, em que museu foi ontem, antes de ontem, na semana passada, e por aí vai, está com sérios problemas de auto-afirmação. Sabe aquela máxima de que homem que tem carrão está querendo compensar algo de sua anatomia que deixa a desejar em tamanho? Pois é...

E como ele diria, divago. Quase consigo imaginá-lo saindo do armário vestido de Demolidor para incorporar uma fantasia sexual anti-impotência. Ué, não tem gente que se veste de babá, mecânico, enfermeira? Demolidor está até num nível acima, exige um certo conhecimento, vai. Difícil ia ser segurar a crise de riso.

Ainda bem que ele é do Porto.

Para me inspirar para a próxima coluna, peço ao querido leitor que conte o que diria, se pudesse, a João Gilberto depois de ele cumprimentar você e o resto da platéia do show realizado na capital paulista na semana passada com um “São Paulo, I Love You”.

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DOSE EXTRA!

Atendendo a pedidos, aqui está a Dose Extra de Veneno , espaço reservado aos internautas do (o), que enviam missivas nem sempre educadas à colunista. Por que será, hein? ;-P

Sobre Pílulas Venenosas II – coluna de 24/03/08
Por Pablo Borba

Olá!

Lendo a última Poison, sobre a chatice da música, me pego a pensar sobre o assunto, e chego à conclusão de que não existe um culpado específico, mas sim um conjunto de fatores. Músicos ruins, pouca criatividade, falta de atenção do público, o marasmo e a mesmice das letras e canções, etc, etc...

E sempre existe a "modinha" atual... Ah, essa juventude! Essa semana mesmo meu irmão de 12 anos mudou de 50 Cent para DJ Fabrício Peçanha e depois para o Créu. É difícil entender como uma pessoa consiga administrar tanta bobagem dentro da cabeça. Eu vejo que o problema é de que tudo depende da imagem, o que é vendido é a imagem, a tendência, deixando a música como complemento.

Basta analisarmos a indústria videomusical, principalmente a dos EUA. Quase todos os clipes são iguais, principalmente os de rappers. É passada uma imagem pra gurizada de que, quem gosta daquilo é o fodão, esse é o estilo de vida que se deve ter. E isso influencia em tudo, principalmente na linguagem, tanto a que usamos quanto a da internet, assunto que já foi abordado por aqui.

Quanto ao rock, ele não morreu, mas está em vias de... Eu acho que a salvação está no passado, é só olharmos para trás e conferirmos tudo que foi criado de bom nos 1960 e 1970, principalmente... Quanto mais moderninho o rock fica, com tendências emos, new metal e afins, mais medo eu tenho. Rock com rap? Linkin Park? Meda.

As bandas que seguem a via alternativa, como o Strokes no começo, ou o Franz Ferdinand, mostram que ainda há esperança. Mas tem que ter a paixão pela coisa, pela criação, pela arte da apresentação no palco... Sem paixão, não se chupa nem um Chicabon, como diria Nelson Rodrigues.

Beijos e abraços,
Pablo T. Borba

Resposta

Olá, Pablo!

Sinto muito por seu irmão... Mas sinto mais por você por ter que conviver com ele. Hahahahaha. Brincadeira. Aqui em casa também sofríamos do mesmo problema, eu e minha irmã oito anos mais velha, mas fui crescendo e gostando tanto de música, que no final das contas a história se inverteu: enquanto ela ouvia Kid Abelha, eu escutava Exploited! Hahhahahaha. No fim todo mundo cresce e chega a um nível bacana, nem tão lá nem tão cá. O ruim é pensar que pra um Kid Abelha de hoje não existe um Exploited... Todo mundo virou pop e massificado de uma hora pra outra e isso faz mal para a criação de um ser humano.

E concordo contigo: a imagem nunca esteve tão associada à cultura de maneira geral e isto pode ser muito limitante para a arte. Mantenha-se íntegro e entoando mantras pro seu irmão não entrar na onda. Logo passa, tomara.

Olhar para o passado... Meio frustrante, né? Mas é o que tenho feito há um tempo. O Franz é legalzinho, o Raconteurs, umas coisas da eletrônica, mas fenômeno mesmo faz tempo, vixe...

Valeu pela mensagem, Pablo! Até a próxima.

Beij(o)

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Sobre Pílulas Venenosas I – coluna de 18/02/08
Por Léo Lanza

Oi, Lu! (nome da minha irmã, grávida de 6 meses)

É ótimo entrar no Omelete pela manhã, naquele momento ''que saco que acabei de chegar ao trabalho e ainda tenho umas 8 horas de labuta pela frente'', e ver que tem mais uma Poison pra nos envenenar de Luciana um pouco. Bom demais!

Devoro sua coluna com a mesma avidez que eu fazia com as zines punks aqui de BH há (muitos...) anos. Sabe, não importam os temas, pra ser sincero não tenho acompanhado muito o mainstream ou o indie, não sou eclético e me fixei carrancudamente no que gosto (Pai, Filho, hardcore, amém!), sendo assim leio pra me informar e principalmente porque gosto dos seus dizeres, sua acidez diverte mais que o Mainardi em dias de mau humor! Acredite, isto é um elogio. Ser rebelde é uma coisa, ter conteúdo pra colocar muitos no chinelo é outra! Ah, como adoro a Dose Extra...

Lu, já pensou em escrever um livro? Você tem algum artigo publicado? Tese de mestrado? Doutorado? Já escreveu quadrinhos, ou qualquer outra coisa? Se já, mande pra mim! Sou seu fã, moça!

É isso! Permanecerei em estado de latência musical até a próxima Poison!

Abraços!

Léo Lanza

Resposta

Ô, Léo, assim você me faz corar... :)

Não tenho nada escrito (ainda), mas estou diariamente acumulando experiências para quem sabe um dia ousar colocar algo no mercado literário. É um antigo sonho sim, não vou mentir. Mas enquanto não encontro motivo para abrir a bocarra, melhor manter-me quieta, né?

Que bom que a coluna te dá algum prazer no dia-a-dia, um coloridinho... Fico feliz, deveras.

Gostou desse novo formato? Devo utilizá-lo com mais freqüência daqui pra frente, vamos ver.

Muito obrigada pela mensagem e simbora!

Beijão

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Sobre a Virada Cultural e a Patife Band – coluna de 06/05/08

Por Eduardo Romão

Grande Lu,

Estou escrevendo esse comentário escutando o grupo que você citou na sua coluna. Muito legal essa
Patife Band. Me desculpe se vou falar algo errado mas parece um pouco dos Titãs no seu disco Cabeça de Dinossauro. Mas esse é mais punk.

Agora sobre esse final de semana, fazer o que num país viciado em novelas?

Valeu, te deixo com uma frase: “Você não tem escolha, junte-se a nós, não há escolha...”

Resposta

Oi, Edu, desculpe a demora em responder.

Que bom que você gostou da Patife, agora é espalhar a "novidade" por aí. Lembra os Titãs sim, naquela época, mas é mais "rude" ainda, não é, não?

Passou tanto tempo da sua mensagem que outra novela já está no ar... Ouvi dizer que é boa, tá acompanhando? ;-)

Obrigada por me ler!

Beij(o)

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Sobre Pílulas Venenosas II – coluna de 24/03/08

Por André X

Olá Luciana!

Acompanho a sua coluna e acho interessante algumas coisas que você escreve. Acabei de ler a coluna que você fala do último disco do Foo Fighters.

Claro que é a sua opinião e concordo que Echoes, Silence, Patience & Grace não é o melhor álbum do Foo Fighters. Mas, querer enterrar um ícone do rock que o Foo Fighters se tornou é tolice.

Sobre Dave Grohl comentar “que está cansado de ver as pessoas considerando o Nirvana um trabalho apenas de Cobain”, eu tenho que concordar. Com o Dave. Após sua morte, Kurt virou uma figura intocável, idolatrado e o escambau. O Nirvana é uma das primeiras bandas que qualquer moleque ouve quando descobre o rock. O Nevermind foi um marco e ninguém discute.

Mas, analisando friamente, e não vejo exagero algum nisso, o Dave Grohl foi a melhor coisa a sair do Nirvana, para assim, fundar o Foo Fighters. Enterrar de vez o fantasma do Kurt, ninguém quer, mas pra pichar o Dave sempre aparece alguém. Engraçado, não?

Ah, sobre a sua última coluna, também compartilho do seu "desinteresse" na música atual. O pior é perceber que o maior acontecimento na música nos últimos tempos tenha sido a volta de bandas como Queen, The Police, Led Zeppelin, Genesis etc.

É estranho que essas sejam as maiores esperanças de boa música no futuro. Da minha geração, não espero migalhas.

Valeu pela atenção!

Até mais!

Resposta

Oi, André, que bom que você curte a Poison.

O que tenho a dizer sobre o Nirvana e o ponto em que discordamos: não fosse o Kurt Cobain o Nirvana não teria ido tão longe. Neste caso, se o baterista fosse qualquer outro, mantendo-se o Cobain, o Nirvana iria tão longe do mesmo jeito, entende? Quanto ao Nirvana, o crédito maior cabe ao Cobain. Pra mim isso é bem claro... e não só a parte boa do Nirvana, é bom dizer. O lance de ser depressivo, o problema das drogas, a persona Cobain no palco trouxe fama à banda, não só os pontos positivos. Mas, como toda história de mitos, esses pontos negativos são inexplicavelmente atraentes para o público...

Que o Grohl foi infinitamente mais bem-sucedido que o Novoselic não há discussão também. O Foo Fighters é sim uma excelente banda e do baixista quase não se ouve falar. Mas o Foo Fighters, pra mim, não desperta metade do interesse que o Nirvana despertava, não tem a ousadia, a poesia... é enérgico, é rock´n´roll, é divertido, mas não é um Nirvana.

Essas voltas todas estão dando até vertigem, né? Há indício maior da crise da música atual? Creio que não...

Beij(o)!
Luciana

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