Hourglass

Dave Gahan
EMI
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Dark Passion Play

Nightwish
Universal
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Novidades Musicais

No cardápio desta quinzena Nightwish e o novo solo do Dave Gahan

13/12/2007A Cozinha

As Novidades Musicais estão de volta. Nesta quinzena com apenas dois álbuns (os novos de Nightwish e Dave Gahan) mas em extensas críticas.

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Hourglass - Dave Gahan
Por Luciana Maria Sanches

Hourglass é o segundo álbum da carreira solo de Dave Gahan, vocalista do Depeche Mode, dando seqüência ao Paper Monsters, de 2003. Não por acaso, o trabalho tem lá suas similaridades com o som da banda britânica, mas, neste caso, é nas diferenças que se encontram as boas surpresas.

Se o Depeche Mode acrescenta uma infinidade de elementos da música eletrônica – quando o eletrônico ainda não existia, a banda integrava o gênero synth pop –, mas nunca foi questionado se é ou não uma banda de rock, Gahan mantém as mesmas influências de sua banda priorizando justamente o rock. O cantor explora intensamente sentimentos nem um pouco fáceis e embala tudo em uma sonoridade crua e distorcida, ainda que sofisticada.

Muito se deve à composição das letras, afinal Gahan tem muito a dizer pelas poucas e boas que já passou (vício em heroína, tentativa de suicídio, etc.), mas no Depeche Mode a função é delegada principalmente ao tecladista Martin Gore.

Em seu álbum solo, Gahan está livre para compor e o resultado é uma combinação sombria de melancolia e profundidade, dando uma aura dark ao trabalho e distanciando o cantor de qualquer tipo de euforia injustificada. E é aí que o álbum se aproxima do rock: ao misturar no mesmo caldeirão todos esses elementos de composição, distorções e a belíssima voz sexy e grave de Gahan. Ainda assim dá pra dançar. E bastante! Para entender melhor o paradoxo, experimente ouvir “Deeper and Deeper”, “Endless”, “Use You” e “Kingdom”, primeiro single do trabalho.

Hourglass, co-produzido por Gahan e Tony Hoffer (Beck, Air) só fica devendo – pouco, é verdade – em inventividade. O disco todo tem uma aura homogênea, que envolve todas as faixas como se fossem uma só. Funcionaria em um álbum conceitual, mas não é o caso. O disco é tão Gahan, que às vezes parece ter sido feito só para ele. Não ligue. Compartilhe.

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Dark Passion Play - Nightwish
Por Rodrigo "O Empolgado" Monteiro

Com quase doze anos de estrada é seguro dizer que a carreira do Nightwish pode ser dividida em três fases. A primeira durou de 1996 a 2002, quando dava seus primeiros passos. De lá até 2005, apoiado principalmente pelo sucesso do Evanescence, veio o período mais mainstream, que acabou quando a vocalista Tarja Turunen foi demitida. A terceira e atual fase começou com o anúncio da sueca Anette Olzon como substituta de Tarja.

Dark Passion Play marca este reinício e traz algumas mudanças na sonoridade da banda, já que Anette tem uma voz mais rocker/pop e em nada lembra sua predecessora. Essa mudança, no entanto, não é assim tão radical, se levarmos em conta que a própria Tarja estava bem menos lírica nos últimos álbuns.

Para marcar essa nova fase, o Nightwish investiu pesado na produção, que contou com gravações no lendário estúdio Abbey Road e teve a participação da London Session Orchestra, do Metro Voices Choir, de um coro gospel e de diversos músicos irlandeses e finlandeses tocando instrumentos típicos. Tudo isso e mais os vídeos gravados nos Estados Unidos tornam este o álbum o mais caro já produzido para uma banda finlandesa.

Contrariando as expectativas, Dark Passion Play é aberto pela épica "The poet and the pendulum", uma faixa com quase 14 minutos de duração, a mais longa da carreira da banda. Dividida em cinco partes, a música é bastante complexa, com diversas variações de ritmo e andamento, indo a extremos opostos de maneira bastante competente. Anette e Marco dividem os vocais e já se mostram bem entrosados. Destaque para a letra de Tuomas, que tem alguns trechos autobiográficos.

"Bye, bye beautiful" foi escolhida para ser o segundo clipe da banda e é um produto típico do Nightwish: teclados onipresentes, um riff de guitarra quase thrash que logo dá mais destaque aos vocais. Pesada, com algumas influências pop aqui e ali, a letra é uma referência descarada aos problemas que o Nightwish - e, especialmente, Tuomas - tiveram com sua ex-vocalista, como revela seu grudento refrão, cantado pelo baixista: Did you ever hear what I told you? / Did you ever read what I wrote you? / Did you ever listen to what we played? / Did you ever let in what the world said? / Did we get this far just to feel your hate? / Did we play to become only pawns in the game? / How blind can you be, don't you see? / You chose the long road, but we'll be waiting (algo como: " Você alguma vez escutou o que eu lhe disse? / Você alguma vez leu o que eu lhe escrevi? / Você alguma vez escutou o que tocamos? / Você alguma vez deixou entrar o que o mundo dizia? / Chegamos tão longe assim só para sentir seu ódio? / Nós tocamos apenas para nos tornarmos peões em seu jogo? / Quão cega você pode ser, não vê? / Você escolheu o caminho mais longo, mas estaremos esperando-a").

O flerte com o pop continua agora mais evidente em "Amaranth". Uma canção que poderia ser considerada um "pop pesado". Com bons riffs de guitarra e um refrão "bonitinho", a melodia se encaixou com perfeição no tipo de vocal que Anette gosta de fazer. Arrisco a dizer que é a música mais comercial da carreira do Nightwish. Não à toa, foi o primeiro clipe do álbum.

"Cadence Of Her Last Breath" ainda tem alguns resquícios de pop, especialmente no grudento refrão, mas fica nisso. Aqui, as guitarras e a bateria estão mais presentes e a música tem uma tendência mais metal. Se havia alguma sensação de que o Nightwish estava tornando seu som mais leve, ela desaparece aqui. Até porque "Master Passion Greed", totalmente cantada por Marco, já começa climática e fica a um passo do thrash metal. Marco canta com bastante fúria, o que combina bem com a letra da música que parece direcionada ao marido e empresário de Tarja, Marcelo Cabulli, um dos pivôs de sua demissão.

Depois da porrada vem a calmaria de "Eva", primeiro single do álbum e dá uma bela pisada de freio. Clara, simples e tranquila, ela é outra das faixas "bonitinhas" do disco. "Sahara", a faixa seguinte, é um produto típico da banda, um heavy metal vigoroso com influências orientais e roupagem épica; o ritmo pesado volta em "Whoever Brings The Night", com vocais dobrados em ênfase total nas guitarras; teclados pop e guitarra hard rock marcam o começo de "For The Heart I Once Had" e esse clima pop também se reflete no vocal de Anette. Apesar de umas guitarras mais pesadas aqui e ali, "For The Heart I Once Had" é quase uma balada. Outra canção "bonitinha".

"The Islander" é uma canção acústica com um clima bastante irlandês, com Marco usando vocais limpos em vez do habitual gritado e Anette em segundo plano. Bem interessante, vai fazer a alegria dos fãs de bandas como Blind Guardian e Blackmore's Night. Dá pra imaginá-la sendo tocada em um salão medieval sem muito esforço. Já "Last Of The Wilds" traz um clima mais escocês, com gaita de fole e tudo, e é uma espécie de folk metal, a primeira canção instrumental do Nightwish desde o álbum Oceanborn.

A pesada e longa "Seven Days To The Wolves" vem a seguir, com um bom trabalho de guitarras e da orquestra, é um dos destaques individuais do álbum. Finalmente, "Meadows Of Heaven" fecha o álbum com chave de ouro. Uma balada atraente, com destaque novamente para a orquestra e a guitarra de Empuu.

Apesar da sentida perda da antiga vocalista, Dark Passion Play é um bom recomeço pro Nightwi

 
 


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