Radiohead

In Rainbows
Independente
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4 ovos!


Helloween

Gambling With The Devil
Hellion
4 ovos!


War Stories

UNKLE
Importado
4 ovos!


Blackout

Britney Spears
Sony BMG
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The Inevitable Rise and Liberation of Niggy Tardust!

Saul Williams
Independente
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Novidades Musicais

Cardápio variado tem Radiohead, Helloween, Britney Spears, UNKLE e Saul Williams

28/11/2007A Cozinha

Pra provar que a seção de Novidades Musicais voltou de verdade e não tem barreiras, temos hoje o cardápio mais variado da nossa história. Veja o que os Cozinheiros acharam dos mais recentes ábuns de Radiohead, Helloween, Britney Spears, UNKLE e Saul Williams.

*****

In Rainbows - Radiohead
Por Matheus Pacheco

Começaram como uma banda pós-grunge britânica em Pablo Honey, fizeram o disco pop perfeito com The Bends, reinventaram o rock and roll e ganharam o mundo com OK Computer, surpreenderam o mundo e abandonaram as (três) guitarras em Kid A, continuaram o abraço ao conceito com Amnesiac e protestaram (enquanto reabraçavam as guitarras) em Hail to the Thief.

Esta história que aqui foi apresentada de forma bastante resumida e o fato da maior banda do mundo estar sem gravadora traziam imensa ansiedade aos milhões de fãs ao redor do mundo (e a crítica babona, que no tocante ao Radiohead não passa de um amontoado de fãs que recebem brindes). Ansiedade que foi aplacada com o lançamento, em 10 de outubro (10/10), de um álbum distribuído exclusivamente em download (binário? - 01) com 10 (sério?) faixas, chamado In Rainbows (10 letras) - revolucionando a indústria 10 (!) anos depois de revolucionar a música em si.

O disco para download foi lançado a um preço surpreendente: quanto você quiser!

Exato! Se você achar que vale 1000 dólares, esteja à vontade, mas se não quiser pagar nada, na boa meu amigo...

Muita gente adorou, muita gente chiou e muita banda pequena tremeu de medo ao pensar que pode estar iniciando um modelo de mercado no qual não corre toda aquela grana que financiava as bandejas de cocaína para guitarristas de uma nota só.

Paralelo a tudo isso foi liberada a pré-venda de um vinil duplo com oito faixas extras a 40 libras (uns 160 reais), além de dois CDs, um com as mesmas faixas disponibilizadas para download e outro com mais músicas.

Se o disco é bom?

Dá pra ouvir oficialmente de graça em www.inrainbows.com, mas aí vai uma idéia da coisa:

  1. "15 Step" - Impressionante a ênfase que a percussão tem tido na fase recente do Radiohead. Mesmo em faixas com uma pegada mais acústica dá pra se imaginar o baterista Phil Selway suando a careca para se manter no ritmo. A influência da música eletrônica impregnou de vez no subconsciente dos caras, resultando em uma mistura de Timbalada (é sacanagem...) com Flaming Lips que Thom Yorke e cia tinham traçado em "2 + 2 = 5", de seu último disco.
  2. "Bodysnatchers" - O primeiro single do "disco físico" (junto com "Jigsaw Falling Into Place") que está por vir no começo do ano que vem é um rock que faz jus à formação de três guitarras, baixo e bateria da banda. É interessante saber que foi gravada "ao vivo" em uma velha mansão assombrada.
  3. "Nude" - Trecho mais jazzy, com bateria bossa nova, acaba sendo um belo contraponto à porrada anterior. Intimista ao ponto de ser impraticável em grandes casas de show, poderia muito bem ser interpretada (sem deméritos nem piada) pelo mesmo Al Green de "Let's Stay Together" (lembram, da trilha de Pulp Fiction?).
  4. "Weird Fishes / Arpeggi" - É realmente interessante a escolha pela simplicidade quase acústica que a banda fez em muitos pontos deste disco. Eles, que já foram tomados como eletrônicos, space rock e o escambau, andam a passos largos na direção de uma elegância sonora sem depender da artificialidade dos computadores e distorções - e ainda assim sem avexamente de usar tudo isso, caso necessário.
  5. "All I Need" - Esta faixa lembra um tanto a tensão e a beleza de ("Nice Dream") do The Bends. O disco todo, aliás, tende a lembrar os momentos mais belos e elegantes da banda, deixando as viúvas de "Creep" cada vez mais afundadas em autodepreciação. Interessante rejeitar uma música sobre rejeição.
  6. "Faust Arp" - Linda, maravilhosa faixa sobre a mesma estrutura de vocal anaeróbio de "Wolf at the Door", só que sobre uma bela e discreta base orquestrada. Nítida influência de Johnny Greenwood e sua formação clássica.
  7. "Reckoner" - Volta a ênfase na percussão (no começo da faixa) e na base orquestrada (mais para o final), na música mais desinteressante do disco. Muitas vezes se tem a nítida impressão de que Thom Yorke usa a voz como mais um instrumento musical na já vasta salada da banda.
  8. "House of Cards" - Cadê o meu violão? Com o início mais luau de uma música desde sei-lá-quando, é um dos raros momentos em que Yorke usa a voz para cantar uma letra, ao invés de balbuciar melodias. Belíssima faixa "quase-acústica", poderia ser a número um em qualquer show em locais de boa acústica (igrejas, galerias, túneis...).
  9. "Jigsaw Falling Into Place" - É o mais perto que o Radiohead jamais vai chegar dos Pistoleiros. Está a um cabelo de ser um alt.country e é a música mais pop do Radiohead em 10 anos.
  10. "Videotape" - Quem chamou o Damien Rice para compor para o Radiohead? E porque diabos esta bateria não consegue entrar no tempo? ARGH!

As oito faixas extras não dá pra encontrar nem no submundo da internet ainda (salvo algumas performances ao vivo em qualidade duvidosa), mas só por estas 10 músicas já dá pra se sentir tranqüilo: os super-homens estão de volta à ativa.

Gambling With The Devil - Helloween
Por Rodrigo Monteiro

Gambling With The Devil é a volta por cima do Helloween. Depois de alguns álbuns apenas medianos, especialmente os dois últimos - Rabbits Don't Come Easy e Keeper Of The Seven Keys - The Legacy - a banda parece ter reencontrado seu caminho. A estabilidade alcançada logo antes das gravações do Keepers... parece ter colaborado (e muito) para isso. Assim, é seguro dizer que a banda de Markus Grosskopf (baixo), Michael Weikath (guitarra), Andi Deris (vocal), Sasha Gestner (guitarra) e Dani Löble (bateria) produziu aquele que é, sem sombra de dúvida, um dos melhores e mais empolgantes álbums de 2007. Até parece que, depois de anos de marasmo, o Helloween quis provar a todos que ainda é relevante e dentro do heavy metal.

Gambling With The Devil começa com a introdução "Crack The Riddle", trazendo a participação especial de Biff Byford (Saxon), logo emendada pela paulada "Kill It", um excelente cartão de visitas para o álbum, com destaques óbvios para as performances de Andi e Dani.

"The Saints", a faixa seguinte, confirma a boa impressão anterior, especialmente pelos bons duelos de guitarra entre Michael e Sasha e o refrão grudento, uma das características mais associadas ao Helloween. "As Long As I Fall" mostra algumas das influências de hard rock das quais a banda tão bem se utiliza. Não é à toa que a música foi escolhida como a primeira faixa de trabalho do álbum. Parece pisar um pouco no freio, mas traz um refrão daqueles que gruda na cabeça imediatamente e é bastante empolgante, assim como "Paint A New World", outra paulada daquelas que faz você querer sair pulando e batendo cabeça, sensação que continua com a elaborada "Final Fortune".

"The Bells Of The Seven Hells", "Fallen To Pieces" e "I.M.E" compõem uma longa suíte metálica dividida em três partes distintas que fazem parte do mesmo todo. São três boas músicas, sem pausas entre si, com destaque para o refrão da primeira e a linha vocal da última. Um instrumental intrincado e bem elaborado permeia todas as faixas e mostra mais uma vez toda a competência dos membros do Helloween, especialmente da cozinha formada por Markus e Dani.

"Can Do It" é a música "alegrinha" do álbum. Cheia de influências pop, não faria feio se tivesse espaço nas rádios. Já "Dreambound" retoma o clima geral do disco, começa climática e descamba pra paulada tipicamente Helloween. Por fim, "Heaven Tells No Lies" fecha o petardo com uma melodia bastante interessante e uma energia bastante positiva.

É bom ver que depois de trabalhos burocráticos ao extremo, a banda resolveu voltar a fazer aquele heavy metal empolgante e energético que sempre lhe foi característico. Algo que, aliás, nunca deveria ter deixado de fazer.

A versão nacional do álbum saiu em edição limitada, segundo a gravadora, e traz ainda um poster-calendário de 2008 como atrativo extra. Não que precisasse.

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War Stories - UNKLE
Por Luciana Maria Sanches

War Stories, o novo álbum do UNKLE, composto pela dupla James Lavelle e Richard File, acostumada aos beats, samples e aparatos eletrônicos, quem diria, é um disco de rock!

Muito se deve à excelente seleção de convidados, que impôs sua personalidade à sonoridade do UNKLE, promovendo uma lufada de bons ares, resultando em experimentações, ousadia e uma boa dose de instrumentos distorcidos.

Não se engane com as primeiras faixas de War Stories, a coisa começa a ficar quente ali pela terceira, “Restless”, que traz um Josh Homme em ambiente desconhecido, mas nem por isso desconfortável. O mentor do Queens Of The Stone Age se mostra mais afinado e cheio de, hmm, suíngue, do que em sua própria banda. Ian Astbury, que andou excursionando com os remanescentes do Doors e retornou à sua banda, The Cult, deveria começar a considerar seriamente a hipótese de largar o rock de vez. A incapacidade vocal do cantor não é tão evidente quando a trilha é mais leve, e chega até a dar um brilho extra às faixas “Burn My Shadow” e “When Things Explode”.

Uma das novas promessas do indie britânico, a banda londrina The Duke Spirit, com a marcante presença da vocalista Liela Moss à frente, rouba a cena dos produtores em “Mayday”, deliciosa e grudenta na dose certa. Já Robert “3D” Del Naja, está em casa, afinal, apesar deste álbum, o UNKLE é classificado como um expoente do trip-hop, praia dominada pelo Massive Attack de Del Naja. O cantor faz o que sempre fez e bem feito: “Twilight” é sussurro do início ao fim com uma levada pesadona bem no estilo do gênero que tornou famosa a banda de Bristol. Del Naja também contribuiu com a arte gráfica de War Stories, que tem como temática a Guerra do Iraque.

Com este álbum o UNKLE não chega a perder a personalidade, toma emprestado a de seus convidados e adiciona elementos de sua própria autoria, compondo um álbum que fica em algum lugar entre o rock e o eletrônico. Em uma época em que ambos os estilos estão em crise, pode ser uma boa terceira via.

War Stories foi gravado em Los Angeles e sucede Never, Never, Land, de 2004, e Psyence Fiction, de 1998.

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Blackout - Britney Spears
Por Luciana Maria Sanches

Blackout, o novo e comentado trabalho da cantora Britney Spears, é o álbum mais sem emoção que eu já ouvi. A voz de Spears nunca foi grande coisa, mas sempre veio acompanhada pelo que havia de mais moderno em termos de produção, dando todo um frescor às músicas da cantora e evitando o incômodo de estar ouvindo alguém cuja última preocupação é cantar.

O “jeitinho estadunidense” de tratar seus artistas é evidente em Blackout: caprichar na produção, fazer um estudo minucioso de letras e melodias grudentas e entregar um produto de consumo rápido e sem maiores pretensões. Deveria ser diversão pura, mas não é. O álbum é preguiçoso, datado, não ousa em nenhum momento – e aí é que está o problema: sabendo das limitações de Spears, seria primordial queimar neurônios para encontrar uma maneira de dar longevidade à carreira da moça, que enfrenta seu momento mais determinante. Com tantos recursos sonoros disponíveis nos dias de hoje é inadmissível tamanha preguiça.

Com um pouquinho mais de questionamento enquanto se ouve o disco, chega-se à conclusão que poderia ser a Gretchen. Ahan. Profusão de gemidos, voz infantilizada (cadê a polícia antipedofilia?), temática “vem cá que eu te arranho” e por aí vai. Resta à Britney suar a peruca nos clipes e ao vivo, mostrando que ainda sabe dançar alguma coisa.

Spears está deslocada. Não é mais a virgem - é mãe de dois filhos. Não canta mais para teens - seu público adolescente cresceu com ela. Não é loira, não é morena - andou careca. Não tem mais um corpo escultural. E não seria problema algum se este não fosse o único atrativo de sua “arte”. A música em Blackout reflete tudo isso. Um deslocamento difícil de engolir.

Pensar que algum dia Spears foi comparada à Christina Aguilera e Shakira é se lembrar de como o mundo pode ser injusto.

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The Inevitable Rise and Liberation of Niggy Tardust! – Saul Williams
Por Natalie Gunji

Saul Williams não é um nome muito conhecido por aqui e, sejamos francos, seu trabalho (ainda) não é famoso nem nos Estados Unidos. Mas seu novo disco e a maneira pela qual foi lançado o colocou em destaque na mídia mundial.

Seguindo os passos do Radiohead, Williams também disponibilizou todas as faixas do disco para download. Mas ao contrário da banda inglesa, Saul deu opções ao público: você pode baixar o disco todo de graça na qualidade 192kbps ou pagar US$ 5,00, apoiar o artista abertamente, e escolher entre a qualidade 192 kbps, 320 kbps ou na versão FLAC. Todas elas superiores em qualidade às que o Radiohead disponibilizou.

Apresentando o artista brevemente, Williams é um poeta/ator/rapper nova-iorquino. E essa mistura toda é refletida em seu estilo musical. Não é só hip-hop, é algo mais, enriquecido e misturado com rock, às vezes com pitadas de dub e de batidas eletrônicas. Williams já se apresentou com grandes nomes como Zack De La Rocha (Rage Against The Machine), Erykah Badu, Fugees, De La Soul e Trent Reznor.

E foi justamente pela parceria com Reznor que seu disco começou a causar o frisson entre os aficcionados por música. Em 2006, quando abria alguns shows para o Nine Inch Nails, Williams divulgou que Reznor co-produziria seu próximo disco. The Inevitable Rise and Liberation of Niggy Tardust! é o resultado desse trabalho a quatro mãos.

A influência do produtor é muito clara neste disco. Os elementos eletrônicos, o piano e até as guitarras têm sua assinatura. Ainda assim, nenhuma das canções foi descaracterizada, mantendo o estilo de Williams – muito forte e presente graças à combinação poesia/atitude. Estes elementos podem ser claramente notados nas faixas “Black History Month”, “Raw” e “The Ritual”.

Williams passeia por diversos gêneros musicais como o dub em “Scared Money” e batidas com elementos orientais em “Skin Of a Drum”, mas suas raízes estão no hip-hop. Em The Inevitable Rise..., Reznor aproveitou a oportunidade para declarar toda a sua admiração ao gênero, como em “Tr(n)igger”.

A audição de The Inevitable Rise... vale a pena ainda que seja apenas para ser criticado musicalmente, afinal de contas, você não precisa pagar pelo álbum. É um bom disco, com ótimas músicas e algo diferente do que está sendo lançado atualmente. Mas, o mais importante: é válido para que você analise se esta nova forma de distribuição irá funcionar. Está em suas mãos.

Você pode fazer o download do disco pelo site http://www.niggytardust.com/.

 
 


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