Diretor de entidade pró-África diz que eventos beneficentes como Live 8 só atrapalham

Jobs Selasie diz que repasses e doações não ajudam governos a se mexer sozinhos

O diretor da African AIDS Action, instituição de caridade em prol da África, Jobs Selasie, comentou a iniciativa de alguns artistas de organizar grandes eventos para angariar fundos para o continente. Segundo ele, a atitude só piora o estado das coisas.

Selasie citou especialmente o Live Aid, primeiro evento realizado com esse intuito, em 1985, e o Live 8, reedição do Live Aid realizada em 2005. De acordo com ele, essas campanhas só aumentam a corrupção e a dependência na África.

Selasie divulgou números assustadores: desde o Live Aid, a quantidade de africanos que sobrevivem às custas de doações aumentou 500%, enquanto os governos do continente, que costumavam receber ajuda estrangeira equivalente a 20% no orçamento, agora chegam a depender de 70%.

"A ajuda fracassou porque os organizadores das campanhas, as instituições e o governo dos países ricos não têm um plano correto de ação, e excluem empresas africanas e a população do continente da solução. Não vamos acabar com a pobreza com doações. Os africanos precisam lutar contra a corrupção e trabalhar duro", disse.