Muito, muito tempo depois da sua última edição, a área dedicada aos lançamentos de álbuns está de volta. O cardápio está bastante variado, com os mais recentes ábuns de Queens of the Stone Age, Foo Fighters, Manu Chao e Linkin Park.
*****
Era Vulgaris - Queens of The Stone Age
Por Natalie Gunji
Há quem diga que a saída do baixista Nick Olivieri teve um grande impacto no estilo musical do Queens of The Stone Age, que houve uma perda no lado pesado e espontâneo da banda, que o último disco realmente bom foi Songs for the Deaf...
Há quem diga muitas coisas sobre o QOTSA e eu discordo da maioria delas.
Era Vulgaris prova novamente, assim como o disco Lullabies to Paralyze (2005), que a banda ainda faz um som de peso, sim senhor! E sem ser repetitivo ou fugir do seu estilo.
Isso se deve aos diversos projetos paralelos do líder Josh Homme, em que ele experimenta outros caminhos e testa o que quiser. Projetos como o Eagles of Death Metal - em que toca como baterista – e o Desert Sessions, assunto que rende tanta história que é melhor deixar para outra matéria.
Era Vulgaris soa também mais psicodélico e melodioso que os discos anteriores. A faixa de abertura, “Turning on The Screw”, é um bom exemplo. Mas não me entenda mal, melodioso não significa que eles amoleceram. Já no single de lançamento, “Sick Sick Sick”, é possível comprovar que o bom e velho QOTSA ainda vive, assim como nas faixas “Battery Acid” e “3's & 7's”.
Ainda somos presenteados com a ótima “Make It Wit Chu”, uma música trazida do último disco do Desert Sessions e que aparece também no CD/DVD ao vivo Over the Years and Through the Woods, em que Homme singelamente diz que a música é sobre fazer sexo. E de fato é, tanto em letra quanto em melodia.
Homme havia anunciado que o disco contaria também com as participações especiais de Julian Casablancas (The Strokes), Billy Gibbons (ZZ Top) e Trent Reznor (Nine Inch Nails). Infelizmente os dois últimos acabaram não entrando na versão final do álbum, permanecendo somente Casablancas na faixa “Sick Sick Sick”. Porém, em abril, um disco intitulado You Know What you Did foi enviado a alguns fãs ganhadores de um concurso promovido pelo site The Fade. O CD continha a faixa “Era Vulgaris” em que Reznor havia colaborado. Para os menos sortudos, vale a dica: a música pode ser encontrada como uma faixa bônus do disco na versão lançada no Japão, Reino Unido e Austrália.
Se você ainda não acredita que Era Vulgaris é um ótimo disco, pode ouvir algumas faixas no site da banda. Mas depois, compre o maldito disco. O Bulby agradece.
*****
Echoes, Silence, Patience & Grace - Foo Fighters
Por Luciana Maria Sanches
A banda liderada por Dave Grohl, ex-baterista do Nirvana, sagrou-se por ser um oásis de vitalidade no rock, um campo que anda meio perdido entre as bandas clássicas, as emos e as “mais do mesmo”, compondo simples e enérgicas músicas de rock no sentido mais básico do gênero. E isso nunca foi um problema, ao contrário. Talvez para provar que para ser uma banda acima da média não é preciso muito mais do que trabalhar com a essência do rock – uma escolha mais do que compreensível para alguém que se originou do furor causado pelo Nirvana – Dave Grohl e o Foo Fighters se estabeleceram como referência, apoiados em uma respeitável discografia, boa o suficiente para conquistar um razoável número de admiradores que esperam com saudável ansiedade pelo próximo lançamento da banda.
E eis que ele chega. Mas ao contrário do ecletismo prometido por Grohl, o que se ouve é uma banda optando por caminhos arriscados e perdendo o bom-humor que lhe é tão característico, ao pontuar o álbum com músicas não só extremamente pop, mas indiscutivelmente limpas e sérias demais, mais precisamente, “bábas” demais.
O que até para Grohl soou estranho, ao que ele deu o nome de “ecletismo”, chega aos nossos ouvidos como pura indecisão. Depois que a banda decide se arriscar, mandando ver aquela baladona, perde-se em sua própria proposta, correndo para apagar o fogo com uma bela porrada à Foo Fighters, como se quisesse apagar a escorregadela e refrescar nossa memória com o melhor do que realmente são capazes. Faça o exercício de ouvir o disco em duplas: “The Pretender”/”Let It Die”, “Long Road to Ruin”/“Come Alive”.
Echoes, Silence, Patience & Grace tenta visivelmente ser um álbum equilibrado, mas acaba soando simplesmente indeciso. Conclui-se que a energia surgida com a proposta de apresentar uma antítese ao Nirvana servia melhor ao propósito do Foo Fighters de exibir uma sonoridade inovadora, surpreendente e acima da média, ainda que simples. Às vezes, ousar está simplesmente na recusa de se fazer o mesmo que foi feito no passado e não na inclusão de novos elementos ao que já é bom. Um exemplo? Eles poderiam mudar a fórmula “começo lento, crescendo, fechamento acelerado”, proporcionando um novo frescor ao som da banda.
O disco é ruim? De maneira alguma, afinal mesmo errando o Foo Fighters continua bom. Apenas poderia ser melhor, se Grohl continuasse a fazer o que já faz tão bem feito e não se esquecesse de que não precisa provar mais nada.
*****
La Radiolina - Manu Chao
Por Luciana Maria Sanches
Se você não está familiarizado com a salada sonora de Manu Chao, não comece por este álbum, escolha o disco de estréia do cantor em carreira solo, Clandestino. Em La Radiolina, a mistura de ritmos e influências do cantor francês está potencializada, podendo causar uma overdose de informação aos novatos.
Manu Chao capricha no paradoxo que costuma fazer bem: envolver as letras que discorrem sobre as mazelas terceiro-mundistas em uma atmosfera lúdica, repleta de efeitos e alto astral. Outro ponto positivo é quem com 21 faixas, La Radiolina mantém viva a verve punk do músico, característica herdada de sua antiga banda, Mano Negra, de dizer a que veio em cerca de três minutinhos. Ainda neste sentido, Manu Chao acerta ao incluir em La Radiolina mais guitarras e peso do que nos álbuns anteriores. Os dois fatores combinados dão um ponto a ele: quando a melodia pode estar começando a se tornar cansativa – a voz de Manu Chao e o fato de não estarmos com o ouvido lá muito acostumado a outros idiomas que não o inglês não ajudam – o músico, que canta em inglês, espanhol, italiano, português (constrangedor, é verdade) e francês, conclui sua mensagem e puxa a próxima modinha.
O discurso pretensamente político de Manu Chao peca pela ingenuidade e o simplismo, mas nada que quem já acompanha a carreira do cantor não saiba. Talvez neste álbum ele esteja realmente carecendo de criatividade (recorrendo em diversos momentos a seus próprios álbuns anteriores), mas só o fato de produzir uma música tão pessoal e atípica faz com que soe novo.
La Radiolina pode ser o último álbum de Manu Chao, segundo ele próprio, e isso talvez não seja ruim. Em vez de tentar amarrar elementos muito distintos, o músico encontraria uma boa saída lançando faixas ocasionais em seu próprio site.
Destaque para a faixa de abertura, “13 días”, em que trata de falar de amor – o que deveria fazer com mais freqüência – “Besoin de la Lune”, “Me Llaman Calle”, “Y Ahora Que” e “Soñe Otro Mundo”.
Qualquer coisa, se você está familiarizado com a salada sonora de Manu Chao, mas mesmo assim La Radiolina está parecendo um acúmulo de excessos, retome Clandestino, pequena obra-prima de um músico que não pretende ser muito mais do que é.
*****
Minutes to Midnight - Linkin Park
Por Natalie Gunji
Sempre torci o nariz para as bandas do gênero nü-metal, acho que são cópias baratas de Nine Inch Nails. Bom, no caso do Linkin Park, que já tocou uma cover de “Wish” em seus shows, a forte influência da banda de Trent Reznor é inegável.
Mas falando sobre Minutes to Midnight, o novo álbum do Linkin Park, o nü-metal ficou pra trás e o que encontramos seria um pop-metal, se assim desejarmos classificá-lo.
Ao ouvir o primeiro single de divulgação, “What I've Done”, parecia que estava ouvindo o vocalista Chester Bennington tocando com o Coldplay.
A abertura do disco com as pesadas “Wake” e logo depois “Given Up”, pode enganar os desavisados. O que se segue são canções açucaradas como “Leave Out All The Rest”, “Shadow of The Day”, “Hands Held High”, “Valentine's Day” e “The Little Things Give You Away”.
“Bleed it out” é a típica canção Linkin Park e salvação para os fãs. Guitarras, batida firme e a dupla Chester e Mike Shinoda duelando nos vocais. Aliás, neste disco, os vocais mais melódicos de Chester se fazem mais presentes do que o estilo rap de Shinoda, que inclusive surpreende na faixa “In Between”. Aqui, ele assume o vocal principal e de fato canta ao invés de bancar o rapper.
Minutes to Midnight parece uma tentativa do Linkin Park de fazer algo diferente, algo que todos os artistas procuram fazer ao longo da carreira. Alguns conseguem mudar com sucesso, sem perder sua identidade. Outros, não.
Espero sinceramente que eles compensem seus fãs dessa mudança brusca, mantendo o peso das canções em seus shows.